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O cardeal Michael Czerny, SJ, recebe flores dos rohingya durante sua visita a Cox's Bazar, considerado o maior campo de refugiados do mundo, no domingo, 3 de novembro de 2025. Crédito Caritas Bangladesh
O cardeal Michael Czerny recebe flores dos rohingya durante sua visita a Cox's Bazar, considerado o maior campo de refugiados do mundo. Foto © Cáritas Bangladesh

Em representação do Papa

Cardeal Czerny foi ao Bangladesh levar esperança aos refugiados católicos e rohingya

| 10/11/2025

Chegou ao fim a visita pastoral de cinco dias do cardeal Michael Czerny, SJ, prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, ao Bangladesh. O país alberga duas comunidades particularmente vulneráveis, às quais o prelado, em representação do Papa, quis levar esperança: cerca de 50 mil católicos deslocados internos em Dhaka e Narayanganj, e quase 1,1 milhões de refugiados e migrantes rohingya em Cox’s Bazar, considerado o maior campo de refugiados do mundo.

A visita, que decorreu de 1 a 5 de novembro, teve como objetivo reafirmar a solidariedade da Igreja com esses grupos e incentivar a colaboração entre líderes da Igreja, agências governamentais e organizações humanitárias.

“Espero que um dia vocês possam regressar em segurança à vossa terra natal e viver em paz e dignidade”, disse Czerny aos refugiados rohingya que fugiram da violência em Myanmar e o esperavam em Cox’s Bazar. “A situação é muito difícil, com cortes de verbas e menos atenção do mundo”, reconheceu o cardeal. “O mundo deveria mostrar mais solidariedade, não menos. Todas as organizações — cristãs e outras — devem responder às necessidades reais e continuar a apoiar aqueles que sofrem”, sublinhou, assegurando-lhes o compromisso da Igreja Católica com essa ajuda, particularmente através da ação da Cáritas Bangladesh.

Abdul Rahman (nome fictício), de 55 anos, refugiado rohingya, expressou gratidão. “A Cáritas Bangladesh está connosco, oferecendo amor e cuidado — água potável, saneamento básico, abrigo e esperança”, disse Rahman, em declarações a um correspondente da Catholic News Agency no país. “Mesmo quando o mundo se esquece, a Cáritas permanece perto.”

Numa conferência de imprensa realizada após a ida ao campo de refugiados, Czerny refletiu sobre os desafios enfrentados por aquela comunidade. “Para aqueles que estão nos campos, ser apátrida, desempregado e confinado durante anos é intolerável”, disse ele. “A comunidade internacional não conseguiu oferecer uma solução para a crise dos rohingya, e isso precisa de mudar.”

Durante esta primeira visita pastoral ao Bangladesh, Czerny celebrou missa e almoçou com mais de 600 católicos em Modonpur, Narayanganj, uma área industrial onde muitos migrantes da zona rural do Bangladesh vivem em condições precárias, a maior parte deles a trabalhar de sol a sol em fábricas, depois de terem fugido das suas aldeias em busca de melhores condições de vida.

O padre Ajit Victor Costa, que trabalha com deslocados em Modonpur desde 2017, falou ao Vatican News sobre as dificuldades enfrentadas por estas pessoas. “Aqueles que deixam as suas famílias para trás vivem em ansiedade e incerteza. Aqueles que trazem as suas famílias consigo muitas vezes enfrentam discriminação”, lamentou. “Esposas e filhos, especialmente meninas, sofrem abusos em casa, nas ruas e na escola. A educação das crianças também é um desafio significativo”, acrescentou.

Ripon Halder, um operário de fábrica de 37 anos também ouvido pelos média do Vaticano, considera que a viagem do cardeal nascido no Canadá ao Bangladesh foi muito positiva. “O representante do Papa veio visitar-nos: ele é uma grande fonte de inspiração”, disse. “Ele demonstrou que podemos voltar-nos para Deus mesmo em tempos difíceis. As nossas vidas como migrantes são difíceis. Às vezes comemos de manhã, mas vamos dormir com fome à noite”, lamentou. “No entanto, é possível rezar juntos, partilhar o pouco que temos e educar os nossos filhos.”

Tal como destacou Michael Czerny, esta foi “uma visita pastoral para encontrar a Igreja, os seus líderes e, sobretudo, as pessoas que ela serve: migrantes, crianças de rua e aqueles que necessitam da misericórdia e da consolação de Deus”. O prelado salientou ainda que o tema da sua visita foi a esperança, em consonância com o atual Ano Jubilar. “Somos todos peregrinos de esperança”, afirmou. “Vim para ver como a Igreja no Bangladesh caminha rumo a uma esperança maior e como a Igreja global pode apoiar este caminho”.

 

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