
Cardeal Charles Maung Bo, arcebispo de Yangon, Myanmar: “A missão da Igreja é, antes de tudo, acompanhar e escutar pastoralmente o nosso povo. Quando todos os outros fugiram, a Igreja ficou com as pessoas, apesar dos enormes riscos.” Foto: Arquidiocese de Yangon
“A democracia é o fogo eterno no coração das pessoas. Ninguém pode governar esta nação de Myanmar por muito tempo se negar isso”, disse o cardeal Charles Maung Bo, arcebispo de Rangum, em entrevista à jornalista Elise Ann Allen publicada no Crux de 5 de fevereiro, poucos dias após se ter completado um ano do brutal golpe de Estado (1 de fevereiro de 2021) que terminou com cinco anos de ensaio democrático.
“Atualmente não há motivos para otimismo em Myanmar. Mas a esperança é outra questão”, afirmou Bo quando lembrou que “o comandante em chefe começou por prometer eleições dentro de um ano. Em seguida, o prazo foi estendido para 2023. Mas eles prometem ‘democracia disciplinada’, o que claramente implica restrições” e que “entre os milhares encarcerados, há pelo menos quinhentos membros da NLD [Liga Nacional para a Democracia – o partido da prémio Nobel Aung San Suu Kyi , cujo Governo os militares derrubaram]. Eles eram parte da democracia. “
Sobre a situação que a Igreja Católica vive em Myanmar (Birmânia), o cardeal Bo disse ao Crux: “A missão da Igreja é, antes de tudo, acompanhar e escutar pastoralmente o nosso povo. Quando todos os outros fugiram, a Igreja ficou com as pessoas, apesar dos enormes riscos. A sua presença oferece alguma segurança à população sitiada. Em segundo lugar, procuramos servir uns e outros, ser de ajuda em momentos de dor ou de necessidade. Terceiro, devemos defender os direitos e a dignidade humana de todas as pessoas. Em tudo isto, a Igreja é altamente desafiada, pois também é ferida de diversas maneiras. E esta Igreja ferida precisa [apesar de tudo] de ser curadora.“









