Ricard integra Cúria Romana

Vaticano inicia investigação sobre cardeal francês

| 12 Nov 2022

Bispos franceses reunidos numa celebração. Foto retirada do site oficial da Conferência Episcopal Francesa.

Bispos franceses reunidos numa celebração. Foto retirada do site oficial da Conferência Episcopal Francesa.

 

É mais uma pedra gigante que se junta à crise violenta que afeta a Igreja Católica francesa. O Vaticano anunciou nesta sexta-feira que vai iniciar uma investigação preliminar ao cardeal Jean-Pierre Ricard por abusos sexuais, depois de o próprio ter admitido ter-se comportado de “forma repreensível” com uma menina de 14 anos há 35 anos.

O porta-voz do Vaticano, Matteo Bruni, revelou que as autoridades procuram um investigador principal com a “autonomia, imparcialidade e experiência necessárias”, informou a Lusa numa notícia reproduzida pelo DN. Por sua vez, o presidente da Conferência Episcopal Francesa (CEF), Moulins-Beaufort, revelou que 11 bispos estão “envolvidos” em processos com a justiça canónica e civil. Dentre eles, o cardeal Ricard, emérito de Bordeaux, que admitiu sua conduta em relação a uma menor trinta e cinco anos atrás.

O arcebispo emérito de Bordéus e antigo presidente da CEF enviou uma carta, na semana passada, aos bispos franceses que estavam reunidos na sua assembleia anual, em Lourdes, revelando o abuso sexual.

A notícia acentuou a crise na Igreja Católica francesa, que tentava recuperar depois de divulgado em 2021 o conteúdo de um relatório demolidor com revelações de décadas de abusos sexuais e encobrimentos pormenorizados.

Segundo a referida notícia, o Ministério Público de Marselha anunciou esta semana que abrirá uma investigação a Ricard, mas que “nenhuma queixa” tinha ainda sido apresentada contra o cardeal.

Jean-Pierre Ricard

Jean-Pierre Ricard. Foto © moi, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.

A decisão do Vaticano de avançar e iniciar a sua própria investigação sugere a gravidade com que o assunto está a ser encarado em Roma, já que Ricard ocupa uma posição muito elevada na Cúria romana: é membro votante do Dicastério para a Doutrina da Fé, o que significa que esteve também envolvido nas decisões sobre outros casos de abusos sexuais do clero durante anos.

O Vaticano ainda não disse o que fará a Ricard, nomeadamente se será suspenso ou afastado dos órgãos da Santa Sé, enquanto decorre o inquérito. Na sua carta, o cardeal emérito declarou que se colocava nas mãos da Igreja e das autoridades civis.

O documento francês, divulgado no ano passado e que ficou conhecido como “relatório Sauvé” (nome do seu relator), estimou que 330 mil crianças em França foram vítimas de abuso sexual nos últimos 70 anos por cerca de 3.000 padres e outros membros da Igreja e que esses crimes foram encobertos de “forma sistemática” pelos bispos da Igreja Católica.

 

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