Polémica sobre as fontes da revelação

Cardeal Koch pede desculpa aos membros do Caminho Sinodal alemão

| 6 Out 2022

Ecumenismo, Vaticano, Basílica de São Paulo

O cardeal Kurt Koch (centro), numa celebração ecuménica na Basílica de São Paulo Fora de Muros: um pedido de desculpa já aceite. Foto de arquivo: Ecclesia/Direitos reservados

 

A Conferência dos Bispos Alemães tornou público um pedido formal de desculpas do cardeal Kurt Koch, prefeito do Dicastério para a Unidade dos Cristãos, por ter ofendido as pessoas envolvidas no processo do Caminho Sinodal alemão. Nesse comunicado, divulgado ontem, 5 de outubro, ao final do dia, é referido que Koch reafirmou nunca ter sido sua intenção insinuar que esses católicos estavam num caminho algo semelhante ao do grupo cristão que apoiou os nazis na década de 1930.

A polémica estalou quando a 29 de setembro o jornal alemão conservador Die Tagespost publicou uma entrevista a Koc em que este contestava o texto de orientação adotado durante o Caminho Sinodal alemão o qual reconhece os “sinais dos tempos” e o “sentimento de fé do povo de Deus” como fontes importantes da revelação para os cristãos, a par da Bíblia, da tradição, do magistério e da teologia. [ver 7MARGENS]

“Irrita-me” – disse Koch – “que novas fontes sejam aceites, além das fontes de revelação das Escrituras e da Tradição. Assusta-me que isto esteja a acontecer – de novo – na Alemanha, porque este fenómeno já existiu durante a ditadura nacional-socialista com os chamados ‘cristãos alemães’, apoiantes de Hitler”.

O comunicado da Conferência dos Bispos Alemães (DBK, no acrónimo em língua alemã) informa que a 4 de outubro teve lugar em Roma “uma conversa confidencial” entre o cardeal Kurt Koch e o Presidente da DBK, Georg Bätzing, durante a qual, o cardeal “enfatizou expressamente que não teve absolutamente nenhuma intenção de acusar os membros sinodais [alemães] de ter algo a ver com a terrível ideologia da década de 1930”. Além disso, “o cardeal Koch pede desculpas a quem se sentiu ofendido pela comparação que fez.”

Após a conversa, o cardeal Koch e o bispo Bätzing deixaram claro que o debate teológico, para o qual o cardeal quis contribuir na entrevista, deve continuar.

 

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