Cardeal Pell defende regras para a figura de papa emérito, mas não definidas por Francisco

| 10 Dez 2020

Entrevista do Cardeal Pell à Sky News Austrália

Imagem de uma entrevista recente de George Pell à Sky News Austrália; agora, o cardeal australiano defende uma regulação mais clara do estatuto de um papa emérito.

 

“Os protocolos sobre a situação de um papa que renunciou precisam de ser esclarecidos, para fortalecer as forças em prol da unidade”, escreve o cardeal George Pell, 79 anos, no seu livro Diário da Prisão, com publicação prevista para este mês e na qual relata os treze meses em que esteve preso na Austrália, o seu país de origem.

Pell, que deu há dias uma entrevista à agência Reuters, a pretexto do lançamento desse livro, é tido pelo entrevistador como “uma das figuras de mais alto posto hierárquico da Igreja a falar publicamente sobre a necessidade de regras” desde que o papa emérito Bento XVI se tornou o primeiro a abdicar nos últimos 600 anos. De facto, antes de regressar à Austrália, para responder por acusações relacionados com abusos sexuais de menores, das quais viria a ser absolvido, este cardeal ocupou o cargo de perfeito do Secretariado para a Economia da Santa Sé.

O Código de Direito Canónico da Igreja diz que um papa pode renunciar, desde que o faça de livre vontade e não sob pressão, mas a figura carece de regras específicas sobre o estatuto, título e prerrogativas.

Desde que deixou o cargo, em fevereiro de 2013, Bento XVI, recolheu-se num mosteiro dentro da Cidade do Vaticano, numa vida que caraterizou então como sendo de silêncio e oração. Contudo, em mais de um momento, declarações suas ou que lhe foram atribuídas permitiram ocasionalmente que os seus pontos de vista sobre assuntos específicos fossem divulgados fora do Vaticano, para gáudio de setores conservadores que os usaram como munição para contestar o discurso mais aberto de seu sucessor, o Papa Francisco.

“Embora o papa aposentado pudesse manter o título de ‘papa emérito’, ele deveria ser renomeado para o Colégio dos Cardeais para que fosse conhecido como ‘cardeal X, papa emérito’; não deveria usar a batina papal branca e não deveria ensinar publicamente”, escreve o cardeal Pell. Dias antes de abdicar, recorda a agência Reuters, Bento XVI “escreveu as suas próprias regras, investindo-se com o título de papa emérito, decidindo continuar a vestir-se de branco e a morar no Vaticano”.

“Há apenas um papa”, disse Pell na entrevista de 90 minutos à Reuters. Já no livro, ele escreve que “provavelmente as medidas seriam mais bem introduzidas por um papa que não tivesse um predecessor vivo”. Isso significa que, na situação atual do Vaticano, Francisco teria de esperar até depois da morte de Bento XVI.

 

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