Cardeal Pell encobriu dezenas de crimes de pedofilia na igreja australiana

| 7 Mai 20

O cardeal George Pell, recentemente absolvido de acusações por abuso de menores, terá encoberto diversos crimes de pedofilia na Igreja Católica australiana desde os anos 70, de acordo com as conclusões de uma investigação divulgada nesta quinta-feira, 7 de maio.

Segundo noticia o jornal francês La Croix, a comissão de investigação teria já chegado a esta conclusão em 2017, mas manteve ocultas as informações relativas ao cardeal Pell para não influenciar os jurados nos procedimentos legais ligados aos atos de pedofilia de que o próprio cardeal Pell estava simultaneamente a ser acusado.

Condenado em 2019 a seis anos de prisão por abusos sexuais de menores (que teriam sido cometidos nos anos 90), o cardeal Pell acabou por ser absolvido, após recurso, pelo Supremo Tribunal australiano, no passado mês de abril.

Na sequência dessa decisão, a comissão de investigação que se debruçou sobre diversos crimes de pedofilia cometidos na igreja australiana pôde agora revelar as suas conclusões.

Entre os crimes investigados, incluem-se os que foram cometidos pelo padre Gerald Ridsdale, condenado por ter abusado sexualmente de 50 crianças entre 1960 e 1980, e com quem o cardeal Pell partilhou casa em 1973.

A comissão considerou “provável” que Pell tivesse conhecimento das agressões sexuais cometidas pelo padre Ridsdale, tendo ele participado numa reunião em 1977 para analisar a necessidade de transferir aquele padre para outra paróquia.

“Estamos convencidos de que em 1973 o cardeal Pell não só estava ciente dos crimes de pedofilia cometidos pelo padre, como tomou medidas para evitar que os mesmos viessem a público.”

Em comunicado, Pell afirmou esta quinta-feira ter ficado “surpreendido com algumas das conclusões da comissão”, pois considera que “não são suportadas por nenhuma evidência”, e sublinhou que muitos dos participantes na reunião de 1977 só souberam “muito mais tarde” dos crimes cometidos por Ridsdale.

 

Quase 10% dos padres acusados de abusos sexuais de menores

A comissão concluiu ainda que o cardeal Pell deveria ter agido no caso de um outro padre australiano, Peter Searson, quando, enquanto bispo auxiliar de Melbourne, em 1989, recebeu diversas reclamações contra ele por parte de professores das crianças que teriam sido vítimas de abusos.

Pell reconheceu que, em relação a este caso, efetivamente poderia ter sido “um pouco mais insistente” mas, de acordo com a comissão, não existem quaisquer dúvidas de que “cabia a Pell” ter atuado logo em 1989, o que só acabou por acontecer em 1997, quando se tornou arcebispo de Melbourne.

Nesse ano, Searson declarou-se culpado por ter agredido uma criança, mas não chegou a ser processado por pedofilia, tendo morrido em 2009.

Quando a investigação sobre a pedofilia na igreja australiana se iniciou, em 2012, o cardeal Pell qualificou como “exagerada” a suposta extensão da prática de abusos dentro da Igreja.

No final, a comissão identificou mais de 4.000 supostas vítimas de atos de pedofilia cometidos em instituições religiosas na Austrália e estimou que 7% dos religiosos católicos naquele país tenham sido alvo de acusações por abuso sexual de crianças entre 1950 e 2010, sem que isso tenha levado a investigações. Em algumas dioceses, a proporção de padres suspeitos de pedofilia terá atingido 15%.

[related_posts_by_tax format=”thumbnails” image_size=”medium” posts_per_page=”3″ title=”Artigos relacionados” exclude_terms=”49,193,194″]

Pin It on Pinterest

Share This