
Cardeal Brandmüller Foto © ACI Prensa
O cardeal Walter Brandmüller defende uma reforma do conclave que elege o Papa, apontando para uma redução significativa do número de cardeais eleitores e um perfil eurocêntrico, que se distingue de forma evidente do atual bispo de Roma, o Papa Francisco.
O purpurado, um dos que subscreveram as célebres dubia de questionamento do Papa, a propósito da exortação Amoris Laetitia sobre a família, faz notar, num artigo publicado pelo blog Settimo Cielo, do vaticanista conservador Sandro Magister, que “seria necessário formular critérios institucionais objetivos de elegibilidade, de modo a limitar de maneira sensata o círculo dos papabili”.
Um desses critérios, adianta Brandmüller, “deve ser, sem exceção, que o candidato deve ter passado pelo menos cinco anos num cargo superior na Cúria de Roma”. Fundamento da proposta: “Isso garantiria aos eleitores um conhecimento prévio dos candidatos através das relações pessoais, e aos candidatos uma experiência direta das estruturas, procedimentos e problemas da cúria romana”.
Quanto ao número de eleitores, que é atualmente de 120, deveria ser reduzido para os 70 instituídos pelo Papa Sisto V. O cardeal entende que “não seria difícil reduzi-lo, uma vez que deixariam de ser uma representação ampla da Igreja universal, o que já estaria garantido pela disposição relativa aos elegíveis”.
O cardeal alemão de 92 anos lamenta que o conclave não seja mais europeu. “Muitos, se não a maioria, não têm experiência de Roma”, o que apresenta vários problemas. “Para um colégio em que se prefere fazer cardeais dos chefes de dioceses periféricas, é praticamente impossível cumprir adequadamente as tarefas mencionadas, mesmo nas condições permitidas pelas modernas tecnologias de comunicação.”
Acrescenta ainda várias dificuldades e circunstâncias que podem complicar ou tornar mesmo “impossível para alguns eleitores viajarem para Roma, impedindo-os de participar num futuro conclave”. E dá exemplos: desastres naturais como erupções vulcânicas, tsunamis, epidemias, bem como turbulências políticas ou guerras. “Por essas e outras razões semelhantes, dado o grande número de cardeais que têm direito a voto e ao mesmo tempo a obrigação de participar, uma eleição realizada por um colégio ‘incompleto’ poderia ser contestada, com grave perigo para a unidade da Igreja”, observa o autor da proposta.
Brandmüller mostra-se contrário à linha da internacionalização do colégio de cardeais, a partir das últimas décadas do séc. XIX e que culminaram na decisão de João Paulo II de passar o número dos eleitores de 70 para 120. Esta internacionalização, sublinha, “com o Papa Francisco foi ainda mais alargada à periferia da Igreja, a ponto de já contar com 30 cardeais da Ásia e da Oceânia”.
Para ele, não faz sentido que “tradicionais sedes cardinalícias europeias, como Milão, Turim, Veneza, Nápoles, Palermo, Paris, tenham ficado sem púrpura”. E lança o desafio que atinge o Papa: “Seria útil investigar — também por razões eclesiológicas — as motivações e intenções da manobra anti-europeia que aqui se manifesta.”










