
O olhar de um requerente de asilo nos Balcãs. Foto captada de documentário da TV Eslovénia.
“Uma ponte sobre o fosso para uma Europa acolhedora, não uma fortaleza com cerco”, pede a Cáritas Europa, a propósito do Dia Mundial do Refugiado, que se assinala neste domingo, 20 de Junho, ao mesmo tempo que se celebra o 70º aniversário da Convenção dos Refugiados de 1951. A Europa está a bloquear cada vez mais o asilo, acusa a organização.
Numa declaração enviada ao 7MARGENS, a Cáritas Europa “apela aos decisores políticos para protegerem o direito ao asilo e a dignidade das pessoas deslocadas, e para facilitarem a mobilidade humana em vez de erguer paredes”.
A organização católica manifesta a sua preocupação pelo facto de, “apesar de mais de 82,4 milhões de pessoas a viver de forma forçada deslocadas das suas casas, o asilo está ameaçado na Europa – o lugar onde estas protecções foram criadas em primeiro lugar, para os sobreviventes da grande guerra da Europa”. Os países europeus, acusa a Cáritas, “estão cada vez mais a bloquear o acesso aos seus territórios, incluindo através de repatriamentos ilegais e violência grave contra pessoas que procuram protecção e uma vida melhor na Europa”.
Migrantes humilhados e despidos na floresta
No texto, a Cáritas exemplifica o que se passa com a “Rota dos Balcãs”, onde se registaram “experiências de terríveis violações de direitos humanos durante anos enquanto tentavam entrar em segurança na UE. Referendo como exemplo o documentário O Jogo: Fortaleza Europa, produzido pela televisão nacional eslovena com o apoio da Cáritas Eslovénia, a declaração fala de “histórias chocantes e tocantes de pessoas, incluindo famílias e crianças, violentamente e repetidamente empurradas pela polícia e forças fronteiriças entre a Croácia e a Bósnia-Herzegovina”.
Violência sistemática, humilhação, migrantes despidos, nus e abandonados na floresta, agressões e tortura, ataques de cães, destruição e roubo de telemóveis e dinheiro são situações referidas no documentário, que pode ser visto com legendas em inglês.
“Milhares de migrantes em situações desesperantes estão a pernoitar em edifícios abandonados, na floresta ou nas ruas da Bósnia-Herzegovina. Arriscam inclusivamente a morte devido a engenhos explosivos, deixados para trás desde o conflito” dos anos 1990, do qual o país ainda está a recuperar, diz o texto, que pode ser lido na íntegra na página da Cáritas Portuguesa.

Campo de refugiados de Moria (ilha de Lesbos, Grécia), em Janeiro de 2020. Foto © Cláudia Valente, cedida pela autora.
O documento recorda ainda que só neste ano já morreram mais de 800 pessoas no mar Mediterrâneo, e mais de 10.000 foram interceptadas e devolvidas à Líbia, “onde um terrível sofrimento as aguarda”. E acusa também: “Apesar da vasta evidência da situação dramática conhecida dos migrantes na Líbia, os países europeus continuam a cooperar com o país para impedir a chegada de pessoas à Europa.”
A propósito do Dia Mundial do Refugiado, a Cáritas Europa apela aos decisores políticos que repensem “a sua indiferença” e procurem, antes promover decisões que levem a “proteger, promover, acolher e integrar as pessoas que se deslocam”.
Até domingo, a Cáritas está a promover uma acção simbólica em favor dos refugiados, que ao mesmo tempo encerra a campanha “Partilhar a viagem”: trata-se de acender uma vela virtual e escrever uma mensagem de esperança, “lembrando que cada pessoa que sai do seu país tem uma motivação que em muitas situações o ultrapassa e que o acolhimento deve ser o primeiro gesto de quem o recebe”.









