A Cáritas Diocesana de Leiria lançou um Fundo de Emergência Social para apoio às pessoas diretamente afetadas pelos danos provocados pela tempestade Kristin, informou esta sexta-feira, 13 de fevereiro, a instituição da Igreja Católica. O Fundo destina-se, preferencialmente, a agregados familiares residentes no território daquela diocese e o seu regulamento já está disponível online, podendo os pedidos ser feitos por e-mail.
A análise e decisão sobre a atribuição dos apoios competirá a uma Comissão de Atribuição do Fundo, constituída por sete elementos, designados pela direção da Cáritas de Leiria e nomeados pelo bispo da diocese de Leiria-Fátima, a qual integra membros da Cáritas e também elementos externos com competências nas áreas social, financeira, jurídica ou comunitária, “assegurando diversidade técnica e independência na tomada de decisão”, adianta uma nota enviada ao 7MARGENS.
Nos próximos dias, será disponibilizada uma plataforma digital para o registo formal dos pedidos de apoio. Até lá, todos os pedidos de apoio deverão ser enviados para o endereço eletrónico: fundoemergencia@caritasleiriafatima.pt. Estes pedidos serão analisados pela comissão, que irá verificar a elegibilidade dos beneficiários e deliberar sobre a atribuição, montante e condições dos apoios, assegurando que as decisões são compatíveis com os recursos disponíveis e que ficam devidamente registadas e fundamentadas.
De acordo com o regulamento, que pode ser consultado na página da instituição, a atribuição dos apoios depende da verificação cumulativa de critérios como: existência de danos ou prejuízos resultantes da tempestade; vulnerabilidade socioeconómica ou habitacional; inexistência ou insuficiência de outros apoios públicos ou de seguradoras.
Este Fundo intervém exclusivamente em habitação própria permanente (primeira habitação), podendo igualmente apoiar outras situações de vulnerabilidade socioeconómica diretamente resultantes da tempestade, devidamente avaliadas no âmbito do processo social.
A Cáritas Diocesana de Leiria já iniciou a identificação e acompanhamento de situações no terreno, em articulação com as comunidades locais, priorizando os casos de maior urgência social. No decorrer da próxima semana, serão realizadas reuniões com entidades locais, paróquias e grupos sócio-caritativos, com vista à apresentação formal do Fundo, esclarecimento dos procedimentos e reforço da articulação na identificação e acompanhamento das situações mais vulneráveis, adianta ainda o organismo.
Mais de 1,5 milhões angariados

Do armazém da Cáritas de Leiria saíram já 83 toneladas de alimentos para apoiar as famílias afetadas. Foto © Cáritas de Leiria
Nesta quinta-feira, 12 de fevereiro, os donativos angariados pela Cáritas de Leiria para apoiar as vítimas da Tempestade Kristin ultrapassavam já o valor de 1,5 milhões de euros.
A instituição tem estado no terreno desde o primeiro dia, e ao longo destas mais de duas semanas distribuiu um total de 83 toneladas de alimentos, garantindo apoio direto a 643 famílias através de cabazes alimentares.
Uma equipa permanente de seis colaboradores, com o apoio da Direção e de voluntários, continua a assegurar o acompanhamento das populações, sinalizando necessidades e mobilizando recursos para a reconstrução.
Até porque, “para muitas famílias da região, a emergência não terminou quando o vento acalmou. Pelo contrário: é agora que começam a emergir com maior clareza as consequências sociais e económicas deste fenómeno extremo”, alerta a Cáritas de Leiria no seu comunicado.
As situações de arrendamento informal são, na perspetiva dos responsáveis deste organismo, uma das maiores preocupações no atual contexto de recuperação. “Sem enquadramento contratual formal, estas pessoas ficam especialmente expostas ao risco de despejo, perda de direitos ou ausência de mecanismos de proteção”, destacam na nota de imprensa.
A organização sublinha ainda que os efeitos da tempestade vieram intensificar a crise habitacional que já afetava o território, antevendo consequências sociais e económicas que ultrapassam a emergência inicial. “O impacto não será apenas imediato, será prolongado, silencioso e estrutural”, afirma a instituição. Por isso, continua a apelar à solidariedade de todos os que possam ajudar
Novo núncio também esteve no terreno

“Fico impressionado pela resiliência deste povo”, disse o núncio apostólico durante a visita à diocese de Leiria-Fátima. Foto © Diocese de Leiria-Fátima
O núncio apostólico em Portugal, Andrés Carrascosa Coso, fez questão de visitar esta semana a diocese de Leiria-Fátima, naquela que foi a sua primeira deslocação fora do Patriarcado de Lisboa.
Como relata o sítio da diocese, o representante da Santa Sé chegou de manhã ao Santuário de Fátima, onde foi recebido pelo bispo diocesano, José Ornelas, e presidiu à celebração da missa. No final, explicou o sentido da sua deslocação: “Quis vir aqui, na primeira saída de Lisboa após a apresentação das cartas credenciais, porque estava ciente daquilo que as pessoas estão a viver. Mas uma coisa é ouvir, outra coisa é colocar os pés no terreno e ver a dimensão do desastre e o sofrimento das pessoas”.
Andrés Carrascosa Coso sublinhou o impacto das situações encontradas, referindo ter visto “pessoas sem eletricidade” e comunidades ainda a enfrentar consequências significativas da tempestade. Ao mesmo tempo, destacou a resposta das populações e instituições: “Fico impressionado pela resiliência deste povo. Vi alguns lugares que já foram reparados e fiquei realmente impressionado. Infelizmente precisamos de tragédias para que possa sair o melhor do ser humano”.
Depois de Fátima, o núncio deslocou-se ao Seminário Diocesano de Leiria, onde visitou o centro de operações instalado por bombeiros, forças de segurança e voluntários envolvidos nas ações de socorro. Ao longo da visita, na interação com as pessoas com quem se cruzou, sobretudo com quantos trabalham no terreno na resposta à emergência, deixou repetidamente uma palavra simples de reconhecimento: “Obrigado”. Dirigindo-lhes uma palavra de apreço mais alargada, referiu: “Gostei muito de ver o trabalho das forças armadas, da Cáritas, das empresas privadas, dos voluntários, toda a gente a trabalhar junta. Criou-se um espírito impressionante”.
Durante a visita, o prelado destacou também o significado espiritual da sua presença em Fátima: “Quis começar em Fátima para colocar nas mãos da Nossa Senhora tudo isto, porque o que aconteceu merece, também, um apelo à esperança”. Acrescentou ainda que trouxe consigo a proximidade do Santo Padre: “Toda a força, toda a esperança e toda a oração, também do Santo Padre, que represento”.
Após o encontro com os agentes de proteção e socorro, o representante pontifício participou num almoço com o presidente da Câmara Municipal de Leiria, que lhe apresentou o ponto da situação dos impactos da tempestade e das necessidades ainda existentes nas populações.
Da parte da tarde, visitou o Santuário dos Milagres, onde observou os danos provocados pela intempérie e ouviu do reitor, padre Virgílio Francisco, a explicação sobre o estado atual do edifício. Seguiu depois para a Vieira de Leiria, onde esteve no estaleiro instalado no mercado local para responder às necessidades mais urgentes da população.
A visita ficou marcada pela proximidade com as comunidades atingidas, tendo sido manifestada a intenção de um regresso em breve. Questionado sobre futuras deslocações, afirmou: “Não sou um ministro de ficar no escritório. Vou trabalhar muitas horas no escritório, mas isso pode fazer-se de noite. Vou tentar estar perto da Igreja e da população”.
Também os bispos de diferentes dioceses fizeram questão de manifestar a sua proximidade às populações afetadas pelas tempestades que têm assolado o país. Foi o caso do bispo de Coimbra (Virgílio Antunes), do Algarve (Manuel Quintas), e do Funchal (Nuno Brás), que nas suas mensagens para a Quaresma já anunciaram que o destino da renúncia quaresmal será ajudar essas pessoas.
O bispo de Setúbal, Américo Aguiar, anunciou numa nota episcopal a entrega de 20 mil euros do Fundo de Emergência Diocesano para apoiar a paróquia de Alcácer do Sal e a IPSS Vale de Acór, na sequência do mau tempo que assolou a região.
Partilhamos abaixo os canais de comunicação da Cáritas de Leiria para efetuar pedidos de informação, apoio e donativos.
Fundo de Emergência Social (Donativos Monetários)
As contribuições financeiras são canalizadas através do «Fundo de Emergência Social», criado especificamente para apoiar a reconstrução das habitações e das vidas afetadas.
Como doar:
MB WAY:
- Opção 1: 961 483 691
- Opção 2: Menu Ser Solidário > Escolher Cáritas Diocesana de Leiria
IBAN (CGD): PT50 0035 0393 00142459930 30
NOTA: Por favor, utilize o descritivo “Tempestade Kristin” em todas as transferências.
Transparência: Será criada nos próximos dias uma equipa multidisciplinar para iniciar o levantamento detalhado das necessidades, avaliação técnica da intervenção e aplicação criteriosa destes fundos na reconstrução de habitações.
—
Para emissão de recibo (benefício fiscal), envie o comprovativo para leiria@caritas.pt com os seus dados: Nome Completo, Morada e NIF.










