
“O consolo só por si não basta. Estas populações estão a precisar de apoio. Neste momento, as palavras não significam nada”, afirma a responsável da Cáritas diocesana de Pemba. Foto © ACN
O aumento dos ataques terroristas na província de Cabo Delgado, em Moçambique, alguns deles muito próximos da capital distrital, Pemba, e de campos de acolhimento onde já se encontram milhares de deslocados, está a gerar o medo e uma nova onda de famílias em fuga. Muitas delas têm pedido ajuda à Cáritas de Pemba, mas a organização da Igreja Católica está sem recursos para acudir a esta nova emergência humanitária no território, alertou esta quinta-feira, 15 de fevereiro, a Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).
“Neste momento, a Cáritas tem vindo a receber muitos pedidos para poder ajudar essas famílias que chegam, e outras que vão para as suas zonas de origem”, afirma a gestora de projetos daquela Cáritas diocesana, Betinha Ribeiro, citada pela AIS. Mas não tem sido possível dar a resposta necessária. “por falta de recursos financeiros”.
A responsável explica que seriam necessários pelo menos cerca de 200 mil euros – “esse seria o valor mínimo” – para dar resposta às necessidades mais prementes destes novos deslocados. Um valor de que a Cáritas não dispõe. “Estamos de mãos atadas e não temos como responder…”, lamenta, assinalando que “o consolo só por si não basta. Estas populações estão a precisar de apoio. Neste momento, as palavras não significam nada”.
Também nesta quinta-feira, a Comissão Nacional Justiça e Paz divulgou uma nota com o objetivo de “alertar os responsáveis políticos e todos os cidadãos para a importância de não esquecer o drama que se vive na região de Cabo Delgado, de reforçar a ajuda humanitária e garantir a segurança das suas populações e de não desistir de trabalhar para um futuro de justiça e de paz nessa região”.
Intitulada “Não esquecer Cabo Delgado”, a nota enviada ao 7MARGENS sublinha que “a situação [na região de Cabo Delgado] não melhorou (apenas se deixou de falar dela): intensificaram-se os ataques terroristas a várias aldeias, com destruição de casas, igrejas e mesquitas e o número (superior a um milhão) de pessoas forçadas a deixar as suas terras não para de aumentar”.









