Cáritas, Franciscanos e outras instituições dinamizam campanhas de apoio a Moçambique

| 27 Mar 19

Desalojados da tragédia provocada pelo Idai: é preciso acorrer às necessidades imediatas e iniciar já a reconstrução. Fotografias © Caritas Internationalis

 

A Cáritas Portuguesa, a Província Franciscana de Portugal e as fundações Fé e Cooperação (FEC) e Gonçalo da Silveira (FGS) são algumas das instituições que lançaram novas campanhas de apoio a Moçambique, cuja região centro foi atingida há quase duas semanas pela catástrofe provocada pelo ciclone Idai e que se pode agravar sobretudo em matérias de doenças e saúde pública, que poderão surgir a partir daqui.

A Província Franciscana de Portugal anunciou que destinará ao apoio a Moçambique um conjunto de donativos a recolher nos próximos seis meses: a “renúncia quaresmal” das fraternidades dos franciscanos em todo o país; o produto da renúncia pessoal de cada irmão e dos seus amigos e conhecidos; o contributo das diferentes congregações franciscanas e das fraternidades leigas ligadas à Ordem; e a partilha que amigos ou anónimos queiram confiar aos franciscanos. Estes donativos terão de ser todos em dinheiro, através da conta da União Missionária Franciscana,que tem como primeira missão recolher ajudas para a Igreja e povos de África (IBAN PT50 0010 0000 0242 5320 0011 5).

Frei Amaral Kuambe, custódio franciscano em Moçambique, escreveu para os seus confrades portugueses dizendo: “Chocados pela indescritível tragédia humana que o ciclone Idai tem provocado na zona centro de Moçambique, queremos reagir à tentação do desânimo com a nossa presença e proximidade: arregaçar as mangas e lutar pela vida.”

No comunicado com que anunciou a campanha, o provincial da Ordem Franciscana em Portugal, frei Armindo Carvalho, diz que, de modo a contrariar a tendência de esmorecimento que este tipo de campanhas acaba por sofrer, os frades estenderão a iniciativa pelo menos por seis meses, após o que prometem “dar conta dos resultados”.

 

Escolas, comida, alimentos, água potável

Nos últimos dias, várias outras entidades religiosas e da sociedade civil, juntaram-se também à onda de solidariedade, nascida desde o primeiro dia, para promover a recolha de ajuda de emergência e apoiar planos de reconstrução nos próximos cinco anos.

As fundações Fé e Cooperação (FEC) e Gonçalo da Silveira (FGS), juntamente com a ONG VIDA, querem ajudar naquilo que chamam “pós-emergência”, ou seja, a reconstrução de toda a região afetada: prometem desde já reconstruir 600 salas de aula que ficaram destruídas, de modo a garantir o regresso à escola de 14 mil crianças. Estima-se que 48 por cento dos afetados pelo Idai (cerca de 1,8 milhões de pessoas) são crianças que ficaram sem acesso a estruturas escolares – seja porque as escolas foram destruídas ou porque estão a servir como centros de abrigo e acolhimento.

O apoio à região afetada passará pela reconstrução de estruturas básicas de educação, criação de estruturas temporárias de ensino em tendas e distribuição de conjuntos escolares, num plano previsto para concretizar em cinco anos. (Se pretende apoiar este projeto concreto, pode fazê-lo através da contaFGS Emergência Moçambique 2019, IBAN: PT50 0036 0000 9910 5918 1487 7.)

A Cáritas Portuguesa, que disponibilizou no primeiro dia um fundo de emergência de 25 mil euros, anunciou também uma campanha de angariação de fundos para apoiar a reconstrução das regiões afetadas, tendo assegurado que “todo o dinheiro angariado será diretamente para a satisfação das necessidades locais”. (Os apoios podem ser canalizados através do IBAN PT50 0033 0000 0109 0040 1501 2, no Multibanco clicando Entidade/Referência 22222, Transferências – Ser Solidário e por MB Way 911 597 284 – ver mais informação aqui.)

Eugénio Fonseca, presidente da instituição católica, referiu na ocasião que, de forma voluntária e ainda sem uma campanha oficial, a Cáritas já recebeu 36.300 euros. Com esta verba, já foi possivel distribuir dois mil cabazes de alimentos e quatro mil pacotes de higiene e saúde, incluindo sabão e redes mosquiteiras.

Quatro mil agregados familiares foram já auxiliados, prevendo a instituição que os contributos possam aumentar o número de famílias apoiadas.

De acordo com informações da Cáritas Moçambicana, as principais necessidades das famílias afetadas continuam a ser alimentos, água, roupa, abrigo, utensílios de cozinha e higiene. Agora, um dos maiores riscos são as doenças com origem na água não potável, que podem aumentar a um nível exponencial – como o caso da malária. Também há o risco do aumento de criminalidade, por ausência de mecanismos de segurança.

A Cruz Vermelha transportou para Moçambique, na segunda-feira, 25 de março, 35 toneladas de ajuda humanitária, incluindo um hospital de campanha com sete módulos e geradores, além de 15 toneladas de medicamentos.

Ainda no campo católico, a diocese de Setúbal anunciou que parte da renúncia quaresmal (dinheiro posto de lado pelos católicos, como resultado de alguma renúncia a um bem supérfluo ou dispensável) terá como destino a ajuda aos moçambicanos.

Nesta terça-feira, 26, o registo oficial de vítimas da tragédia apontava para 468. No Zimbabwe e no Malawi, também atingidos pelo Idai, as vítimas mortais eram 259 e 56, respetivamente.

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