De visita ao Bangladesh

Cáritas insta comunidade mundial a apoiar refugiados rohingya

| 12 Jun 2024

refugiados rohingya, Foto UNHCR_Andrew McConell

A educação e a proteção das crianças rohyngia sofreram uma grave deterioração nos últimos anos. Foto © UNHCR/Andrew McConell

Um agradecimento ao Governo do Bangladesh pelo apoio prestado aos refugiados rohingya e um apelo à comunidade mundial para que também os auxilie, pois precisam dessa ajuda “mais do que nunca”. Assim se resumem as declarações do secretário-geral da Cáritas International, Alistair Dutton, proferidas após visitar as colónias rohingya naquele país, na semana passada.

“Estou profundamente comovido com a hospitalidade e o apoio duradouro que o governo do Bangladesh tem demonstrado aos refugiados rohingya nos últimos sete anos”, afirmou Dutton. “Enquanto as atenções do mundo se desviaram, o povo rohingya continua a lutar nestes campos esquecidos. Mas não se pode esperar que o Governo do Bangladesh os apoie sozinho. Outros países têm de avançar com mais fundos para esta crise”, acrescentou.

Em Cox’s Bazar, uma cidade no sudeste do Bangladesh, Dutton reuniu-se com funcionários do Governo, da Organização das Nações-Unidas e de organizações não-governamentais, enquanto em Daca, no centro do país, se encontrou com o arcebispo da cidade e o embaixador do Vaticano.

“Não devemos esquecer o povo rohingya, nem tomar como garantido o apoio do Governo do Bangladesh”, referiu. “As famílias rohingya estão entre as pessoas mais vulneráveis do nosso mundo atual, vivendo em terras marginais, sem direito a trabalho. Os adolescentes já passaram metade da sua vida nestes colonatos. Temos de fazer mais para garantir a sua segurança agora e as suas opções para o futuro.”

Desde que a crise dos refugiados rohingya começou em 2017, o financiamento a esta comunidade caiu drasticamente. Os fundos globais que apoiam a alimentação dos refugiados foram reduzidos para 11 dólares (cerca de 10 euros) por pessoa e por mês, enquanto o financiamento para outros setores sofreu uma queda muito mais significativa e a inflação foi de cerca de 300%. As condições de vida também se estão a deteriorar, uma vez que os abrigos, a água e as instalações sanitárias dos colonatos necessitam de reparação e manutenção. No caso das crianças, a educação e a proteção sofreram uma grave deterioração.

Este ano, foi lançado o Plano de Resposta Conjunta para a Crise Humanitária dos Rohingya, sob a liderança das autoridades do Bangladesh. Com o objetivo de angariar 852,4 milhões de dólares (perto de 800 milhões de euros), o plano apoiará 1,35 milhões de pessoas das comunidades rohingya e de acolhimento com abrigos seguros, educação, água e saneamento, cuidados médicos, assistência em matéria de saúde mental e projetos de infraestruturas e meios de subsistência. No entanto, com o financiamento do ano passado a atingir apenas 65% do plano de resposta, as condições deverão deteriorar-se substancialmente.

“Nos últimos seis anos, mais de 200 mil crianças nasceram nos campos. Nunca viram o seu país de origem e não têm nacionalidade”, mencionou Dutton. “São apátridas. Esta resposta exige uma atenção internacional renovada e uma partilha equitativa dos encargos por parte dos países da região e não só, juntamente com a pressão sobre Myanmar para que os rohingya regressem em segurança e com dignidade, com os seus direitos restabelecidos.”

A visita do secretário-geral reflete os recentes apelos renovados do Papa Francisco a favor dos rohingyas, sublinhando o sofrimento dos refugiados. O Papa Francisco encontrou-se com um grupo de rohingyas durante a sua visita ao Bangladesh em 2017.

“Vou deixar o Bangladesh profundamente inspirado pela humanidade, compaixão e solidariedade que o governo do Bangladesh, a Caritas Bangladesh e as comunidades locais demonstraram para com as famílias rohingya, que precisam da nossa atenção, recursos, amor e orações mais do que nunca. Vamos responder coletivamente a este apelo à humanidade”, concluiu Dutton.

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