
O jesuíta canadiano, Cardeal Michael Czerny cumprimenta o Papa Francisco no encontro com os participantes da Assembleia Geral da Caritas Internationalis. Foto © Vaticano Media.
Perto de 400 delegados de 162 organizações nacionais da Caritas participam desde quinta-feira, 11 de maio, na 22ª assembleia geral da Caritas, menos de meio ano depois de o Papa Francisco ter decidido mandar embora a liderança da organização nos últimos anos, apontando “lapsos de gestão”.
O encontro de uma semana, que decorre em Roma, sob o lema “construindo novos caminhos de fraternidade”, será uma oportunidade para rever o funcionamento e definir prioridades e, naturalmente, eleger uma nova equipa para dirigir a instituição. Aos participantes serão apresentados os novos estatutos da Caritas, elaborados nestes meses pela nova liderança e já aprovados por Francisco.
Na sequência de uma auditoria ordenada pelo Vaticano, que trouxe à tona deficiências nos procedimentos de gestão que terão prejudicado de forma grave o “espírito de equipa” e o “moral do pessoal”, o Papa decidiu destituir a direção e nomear um comissário temporário, com a incumbência de “propor e apresentar novas ferramentas de gestão e liderança” a apresentar e debater na assembleia geral que está a decorrer.
Os destituídos foram o presidente, o cardeal filipino Antonio Tagle, o secretário-geral, Aloysius John, os vice-presidentes, o tesoureiro e o assistente eclesiástico. Segundo o jornal digital católico Crux, “a maioria das preocupações envolvia John e seu estilo de liderança, com alguns ex-funcionários a dizerem aos meios de comunicação que os funcionários da Caritas eram frequentemente assediados, intimidados e humilhados, e que as suas reclamações não eram atendidas”.
O deposto secretário-geral manteve-se silencioso nestes meses, mas, nas vésperas do arranque do encontro de Roma, denunciou, numa carta a que a Associated Press teve acesso, a pressa e a brutalidade da decisão do Vaticano, sugerindo que terá havido pressões contra ele relacionadas com as suas ligações ao “sul global”, por parte de doadores de países desenvolvidos.
Intervindo no encontro de Roma, o cardeal Michael Czerny, prefeito do dicastério para a Promoção do Desenvolvimento Humano Integral, que atualmente é quem tutela a Caritas, justificou a surpreendente e inesperada mudança operada pelo Papa Francisco, defendendo que ela era necessária para o bem-estar do pessoal e não constituía uma condenação do seu trabalho.
O Papa recebeu os membros da Caritas no Vaticano, recordando-lhes, num discurso, que “é importante voltar à fonte – o amor de Deus por nós – porque a identidade da Caritas Internationalis depende diretamente da missão que recebeu”. “O que a distingue das outras agências que trabalham no campo social, observou Francisco, é a sua vocação eclesial e, dentro da Igreja, o que especifica o seu serviço em relação às muitas instituições e associações eclesiais dedicadas à caridade é a tarefa de assistir e colaborar com os bispos no exercício da caridade pastoral, em comunhão com a Sé Apostólica e em harmonia com o Magistério da Igreja”.









