
Caritas lançou campanha de angariação de fundos para os mais novos, destacando que 2,4 milhões de crianças não têm acesso à escola. Foto © Caritas Internacionalis
A Cáritas Internacional pediu o fim das sanções à Síria e incentivou a comunidade internacional a agir, alertando que, depois de 10 anos de guerra, o país vive uma “bomba” de pobreza.
“Os sírios, e especialmente a geração mais jovem da Síria, não podem mais suportar os julgamentos e a violência desta guerra, eles merecem um futuro melhor”, disse o secretário-geral da organização católica internacional, Aloysius John, na conferência em vídeo “Igreja e Cáritas: 10 anos de resposta humanitária na Síria”.
Num comunicado tornado público nesta terça-feira, 23, a federação internacional da Cáritas informa que se “une” à Igreja na Síria para pedir a suspensão das sanções unilaterais, o aumento do acesso a serviços e cuidados de saúde, incluindo vacinas contra a covid-19.
A organização católica pede também que a solução do conflito na Síria seja “uma paz negociada”, evitando o impasse contínuo que só resulta em “sofrimentos incalculáveis” para civis inocentes.
“A destruição não fez distinção entre casas, instalações públicas ou centros médicos ou educacionais”, afirmou o diretor-executivo da Cáritas Síria.
Riad Sargi explicou que as sanções e o boicote ao país “afetaram negativamente a vida dos cidadãos”, especialmente os mais vulneráveis, e “alguns só podem comer pão e beber água”.
A Caritas Internationalis alerta que 90% da população síria “mergulhou na pobreza”, como consequência de dez anos de guerra, de sanções internacionais, da pandemia e da crise económica.
Segundo a organização, um terço da população fugiu do país e 12,4 milhões de pessoas não têm acesso fiável a alimentos e aquecimento.
Na conferência online, o núncio apostólico (embaixador do Vaticano) na Síria salientou que “não caíram bombas e foguetes” em várias regiões da Síria por alguns meses mas explodiu a “terrível ‘bomba’ da pobreza”.
O cardeal Mario Zenari avisou que “os grandes projetos de emergência não podem continuar para sempre”.
Segundo o comunicado, a Cáritas Internacional ajudou uma média de “um milhão de pessoas por ano” desde o início da guerra, em 2011, em áreas como a alimentação, educação, reforma de casas, apoio psicológico e de saúde, projetos de água e higiene, e projetos de subsistência.
A organização lançou uma campanha de angariação de fundos para os mais novos, destacando que 2,4 milhões de crianças não têm acesso à escola.
“Queremos paz, queremos diálogo. Pedimos ao governo que coopere com a oposição para restaurar a dignidade humana”, afirmou Jean-Abdo Arbach, arcebispo melquita de Homs e presidente da Cáritas Síria.
Esta conferência decorreu na véspera da quinta conferência de doadores da União Europeia.










