AGENDA

SOBRE NÓS

ASSINAR

APOIAR

Eugénio Fonseca. Cáritas

Cáritas já apoiou seis mil pessoas em dificuldades e pedidos de ajuda aumentam

| 19/10/2020

Voluntários da Cáritas Açores em acção: a instituição já deu quase 60 mil euros para ajudar a comprar alimentos. Foto © Cáritas Açores

 

Desde Abril, a Cáritas Portuguesa apoiou já perto de 6.000 pessoas em dificuldades devido à covid-19, diz esta instituição católica, em comunicado. Os pedidos mais significativos são para acorrer ao pagamento de despesas de rendas para habitação (61%), despesas relacionadas com a saúde, como a aquisição de medicamentos e realização de exames médicos (17%) e ao pagamento de despesas de electricidade (11%), num valor que chegou já aos 77 mil euros.

Com vales de supermercados, foram entretanto apoiadas 4.660 pessoas com um valor de 58.465 euros, informa a Cáritas – o apoio através de alimentos continua a ser uma das formas de ajudar as famílias que, devido à pandemia, estão ainda mais vulneráveis. “A complementar os cabazes de bens que são entregues pelas Cáritas Diocesanas, é atribuído um valor em vales de aquisição, que permite que as famílias, de forma autónoma, possam adquirir produtos que habitualmente não é possível receberem de outra forma, nomeadamente, carne, peixe, legumes e vegetais”, acrescenta o comunicado, a propósito do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, que se assinalou sábado, 17 de Outubro.

“Acreditamos que através do recurso a esta forma de apoio estamos a contribuir para que cada família mantenha alguma autonomia, bem como a proteger a dignidade de quem se vê confrontado com a necessidade de recorrer à ajuda das Instituições”, diz Eugénio Fonseca, presidente da Cáritas Portuguesa. “Vivemos tempos muito difíceis e a verdade é que tendo em conta os indicadores públicos, as dificuldades podem vir a ser muito maiores a partir do último trimestre deste ano, com agravamento no primeiro trimestre de 2021. Por este motivo é tão importante a ajuda e união de todos nós”, acrescenta.

O comunicado resume que, neste momento, os pedidos de ajuda surgem essencialmente devido à perda do posto de trabalho (61%) ou à redução significativa dos rendimentos (13%). A grande maioria é de portugueses, mas há também pessoas de outras nacionalidades a viver os efeitos da crise e a necessitar de ajuda: Brasil, Angola, Índia, São Tomé, Cabo Verde e Guiné-Bissau são alguns dos países.

Em declarações à Lusa, citadas pela TSF, Eugénio Fonseca não tem dúvidas de que a crise pandémica é a que tem maior impacto no agravamento da pobreza nos últimos 100 anos. O rápido acumular de riqueza “nas mãos de uns poucos”, a disparidade na sua distribuição, o contraste com os “ténues sinais” de eliminação da pobreza, muito por falta de “vontade honesta e decidida”, são alguns dos factores que este responsável aponta como outros factores importantes.

 

Pessoas preferiram ajuda imediata
Eugénio Fonseca. Cáritas

Eugénio Fonseca, presidente da Cáritas, contra as “ideias fatalistas de que a pobreza é algo que sempre acompanha o mundo”. Foto: Direitos reservados

 

Eugénio Fonseca recusa ainda as “ideias fatalistas de que a pobreza é algo que sempre acompanha o mundo”. Esta jornada para a Erradicação da Pobreza acontece, acrescenta, “num contexto de grande preocupação, não só em Portugal, mas a nível do mundo inteiro”. O número de crescentes e novas situações de pessoas “que nunca procuraram o auxílio” da instituição e que agora o estão a fazer até para a satisfação de necessidades que na crise anterior apareceram mais tarde, como as necessidades alimentares”, é sintoma de que a crise será grave e profunda.

“As pessoas preferiam pedir ajuda imediatamente do que endividar-se com moratórias”, disse Eugénio Fonseca, referindo ter conhecimento de que já há empresas de gás a fazer cobranças de moratórias em valores incomportáveis para agregados familiares sem rendimentos.

Segundo o presidente da Cáritas, a maioria dos pedidos de ajuda chega de quem ficou desempregado, mas também de quem teve uma quebra nos rendimentos e de outra franja muito apoiada pela Cáritas, os migrantes, que manifestam junto da instituição a vontade de regressar aos países da origem, um apoio assegurado pelo Estado e para o qual são encaminhados.

A estas cerca de 5.700 pessoas apoiadas pela linha específica de apoio para a pandemia juntam-se outras 50 mil que pediram ajuda às Cáritas diocesanas no primeiro semestre. Só houve capacidade de resposta para 26 mil.

“Não pudemos atender a todas, não há recursos suficientes. As Cáritas diocesanas não puderam fazer peditório nas ruas e não tiveram o ofertório das missas”, o que provocou uma quebra “muito grande na contabilidade das próprias Cáritas”, sublinha Eugénio da Fonseca.

Actualmente chegam também pedidos de ajuda de novos universitários, que conseguiram uma colocação, mas não têm dinheiro para se matricular e pagar um quarto. Antes tinham sido os finalistas, que precisaram de ajuda para as últimas propinas para obter o certificado de conclusão do curso.

Quando não pode ajudar, a Cáritas encaminha as pessoas para outras instituições que possam responder. “Nós já vínhamos de uma realidade com cerca de dois milhões de pobres. É bom não esquecer, porque corremos o risco de criar medidas especiais, programas conjunturais para as vítimas da covid-19, mas esquecendo que há gente que vivia na pobreza e que, se não continuarmos a atender às suas necessidades, cairá na miséria”, diz.

 

Pobreza em Portugal acima da média europeia

A proposta de Orçamento do Estado para 2021 é “a possível face às dificuldades do país”, mas inclui algumas medidas elogiadas pelo presidente na Cáritas no âmbito do combate à pobreza, como o reforço do Serviço Nacional de Saúde e o aumento do valor do limiar da pobreza para 502 euros. Mas neste último ponto reconhece que muitas famílias só o conseguirão atingir com “rendimentos de substituição até que sejam criados postos de trabalho”.

Eugénio Fonseca diz ainda que o aumento das pensões mais baixas em 10 euros é um valor reduzido, mas admite “o esforço” que representa para o orçamento, tendo em conta o universo de beneficiários.

A maior dúvida nas medidas de apoio é com o alívio na retenção na fonte de IRS, uma vez que o benefício de um pequeno aumento de rendimento por mês é “menos significativo” que a poupança que as famílias faziam com o valor do reembolso.

Os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgados em Maio, indicavam que o risco de pobreza atingia 1,8 milhões de portugueses em 2018, uma percentagem inferior a anos anteriores, mas acima da média europeia e com uma incidência mais elevada nas crianças.

“Em 2018, 18,5% da população com menos de 18 anos vivia em condições de pobreza”, em comparação com 16,9% da população em idade activa e 17,3% da população idosa, de acordo com os dados divulgados pelo INE.

As estatísticas mostram também que ter rendimentos não elimina o risco de pobreza: em 2018, esse risco atingia 10,8% das pessoas empregadas e 15,2% dos reformados.

E apesar do aumento do emprego, em 2018 aumentou o risco de pobreza para as pessoas em situação de desemprego, para os 47,5%, contra os 45,7% do ano anterior.

 

Últimas Notícias

Últimas Notícias

“Um conselho pastoral em cada paróquia”, o desafio está lançado

Diocese de Portalegre – Castelo Branco

“Um conselho pastoral em cada paróquia”, o desafio está lançado novidade

No fim do processo, “nem um centímetro” da Diocese de Portalegre – Castelo Branco deve “ficar sem ser coberto por um conselho pastoral paroquial” (ou interparoquial se necessário e conveniente). Foi o desafio do bispo Pedro Fernandes à diocese de que assumiu a tarefa de pastor ainda não há um ano. Esta é talvez a melhor síntese do que foi a “Assembleia Diocesana”, no dia 6 de outubro, em Ponte de Sor, a que várias centenas de pessoas responderam participando de um modo ativo.

Guerras e mudanças de regime

[Entre Margens]

Guerras e mudanças de regime novidade

Já muitos se terão esquecido, ao acompanhar a trágica e intrincada evolução da guerra entre Estados Unidos e Israel e o Irão, que, no seu início, essa guerra foi apresentada como tendo por objetivo primacial o de derrubar um regime ditatorial e opressor, que há pouco tempo havia reprimido de forma violenta e mortífera a contestação de largas canadas da população sedentas de uma liberdade que essa guerra lhes haveria de proporcionar. [Texto de Pedro Vaz Patto].

7MARGENS é um jornal digital
de Religiões, Espiritualidades e Culturas

Propriedade de Associação Porta 18 [ACSFL]
R. da Páscoa, 12 – R/C Dtº – 1250-179 Lisboa | NIPC: 514 876 905
Redação Lisboa: Largo da Luz, 11, 1600-764 LISBOA
IBAN: PT50 0035 0675 0004 6941 7308 1 (CGD)

O 7MARGENS aceita e incentiva a colaboração escrita, em vídeo ou audio dos seus leitores.
Reserva-se o direito de os difundir ou não e aconselha que os textos não excedam os 4.000 caracteres.