Cáritas lança campanha de solidariedade em favor de Gaza

| 19 Mai 21

Uma mulher espera a sua vez, com o filho, para obter serviços de saúde gratuitos prestados pela Cáritas de Jerusalém, no campo de refugiados de Buriej, no centro da Faixa de Gaza. Foto © Asmaa El Khaldi/Caritas.

A Cáritas Internacional lançou uma campanha de solidariedade em favor da população da Faixa de Gaza, afectada pelo conflito entre Israel e aquela parte do território da Palestina e que já provocara, até esta terça-feira, mais de 200 mortos, incluindo 61 crianças. Em Israel, há notícia de 12 mortos, depois de um foguete disparado pelo Hamas ter atingido esta terça-feira instalações de operários. 

Stéphane Dujarric, porta-voz da ONU, disse entretanto, citado na RTP2, que há pelo menos 38 mil pessoas abrigadas em 48 escolas, depois de mais de 2500 casas terem sido destruídas. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, fala num “ciclo insensato de sangue, terror e destruição”. 

Cerca de 80% da população de Gaza depende de ajuda humanitária e cerca de 90% das famílias não têm acesso a água potável, diz a federação internacional da rede católica Cáritas. A organização católica é uma das que está presente e trabalha em Gaza há vários anos, prestando serviços essenciais à população “desesperadamente pobre, incluindo cuidados de saúde, nutrição e apoio psicossocial a pessoas que têm sido traumatizadas por anos de restrições e violência”.

Na página da Caritas Internationalis, informa-se que a Cáritas de Jerusalém se prepara para “responder às necessidades urgentes dos milhares de feridos e dos milhares de pessoas forçadas a abandonar as suas casas, quer porque foram destruídas, quer porque tentaram salvar as suas vidas”. 

Gaza é uma estreita faixa de terra de 41 quilómetros de comprimento com 6 a 12 quilómetros de largura, no máximo (ou seja, uma área de 365 quilómetros quadrados) onde se aglomeram cerca de dois milhões de pessoas. 

“Os bombardeamentos são extremamente pesados. O povo de Gaza tem vivido muitas guerras ao longo de muitos anos, mas todos concordam que desta vez é completamente diferente”, diz a irmã Bridget Tighe, secretária-Geral da Cáritas Jerusalém, citada no portal da Cáritas Internacional. “Eles estão presos nesta faixa de terra densamente povoada à mercê de um intenso bombardeamento aéreo, sem ter para onde fugir por segurança.”

Desde 2007, o território tem estado sob um bloqueio total controlado por Israel, recorda a organização católica humanitária. A sul, uma pequena parte é controlada pelo Egipto. Por isso, não há como escapar aos bombardeamentos nem qualquer hipótese de fugir como refugiados por terra ou por mar. “As pessoas tentam salvar as suas vidas procurando abrigo nas escolas, onde, até 14 de Maio, 17.000 já tinham encontrado abrigo.”

“Bombardeamentos contínuos”

No terreno, “os bombardeamentos contínuos ainda não permitem que a Cáritas de Jerusalém intervenha, diz Tighe, um funcionário da organização. “Mas uma vez que entre em vigor um cessar-fogo, prestaremos cuidados de trauma ambulatórios e cuidados de saúde primários essenciais na nossa clínica.” 

O mesmo se aplica às unidades móveis da clínica e às equipas médicas, que nos últimos anos tornaram possível levar cuidados médicos – especialmente cuidados de trauma para os feridos – às populações, mesmo nas áreas mais remotas e marginais, ao mesmo tempo que lhes proporcionam educação sobre saúde e nutrição.

Entre as vítimas dos ataques, estão uma mãe e quatro dos seus filhos, mortos num ataque aéreo a edifícios residenciais no campo de refugiados Al Shati, perto da clínica da Cáritas, que agora está fechada, informa a mesma fonte. Por causa de repetidos ataques a civis e infra-estruturas, a Cáritas teve de fechar essa estrutura tendo em conta o elevado risco de danos colaterais. 

Os bombardeamentos, diz ainda a organização, destruíram também grandes secções das estradas principais, impedindo as ambulâncias de transportar os feridos para os hospitais. 

Além das condições de segurança que serão necessárias, a Cáritas precisa também de recursos adequados para prestar cuidados médicos, alimentos e outras necessidades básicas das populações afectadas nas diferentes áreas da Faixa de Gaza. “Neste momento de violência cega, a Caritas Internationalis continuará a ajudar os mais vulneráveis, fornecendo-lhes toda a ajuda necessária para aliviar o seu sofrimento”, garante Aloysius John, secretário-geral da organização internacional.

É perante esta situação que a Cáritas está a apelar a doações directas para a sua organização em Jerusalém. “Agradecemos-lhe a ajuda que nos pode dar e a estas pessoas desesperadas. Por favor, ajude-nos e tenha-nos presente nas suas orações”, acrescenta a Irmã Bridget. No portal da Cáritas pode aceder-se ao formulário de apoio. 

A situação de guerra dura há uma semana, mas sucede a vários dias de confrontos. Neste últimos dias, a aviação israelita atacou dezenas de vezes a Faixa de Gaza, sempre argumentando que está a atingir alvos do Hamas, movimento muito presente em Gaza e que é considerado como uma organização terrorista. O Hamas, entretanto, tem disparado foguetes contra as localidades do sul de Israel. 

Neste domingo, o Papa voltou a referir a situação, condenando a “inaceitável” morte de crianças no conflito.

Já nesta segunda-feira, 17, o Presidente turco telefonou a Francisco, agradecendo-lhe pelas suas palavras de domingo e acusando Israel de atacar todos, “muçulmanos, cristãos e a humanidade”. “O presidente Erdogan enfatizou a importância da mensagem do Papa Francisco a Israel para mobilizar o mundo cristão e a comunidade internacional”, refere a Presidência turca, num comunicado divulgado online e citado pela Ecclesia.

Nesta terça-feira, 18, os EUA apelaram a um cessar-fogo, mas o país continua a bloquear a aprovação de uma resolução no Conselho de Segurança da ONU, enquanto ela não admitir o direito de Israel à autodefesa. 

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O site oficial da Jornada Nacional Memória & Esperança 2021, iniciativa que visa homenagear as vítimas da pandemia com ações em todo o país entre 22 e 24 de outubro, ficou disponível online esta sexta-feira, 17. Nele, é possível subscrever o manifesto redigido pela comissão promotora da iniciativa e será também neste espaço que irão sendo anunciadas as diferentes iniciativas a nível nacional e local para assinalar a jornada.

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