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UE quer 70% de vacinação no mundo dentro de meses

Cáritas pede ao G20 que transforme promessas em vacinas

| 29/10/2021

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“A menos que o acesso equitativo à vacina seja garantido às pessoas mais vulneráveis nos países menos desenvolvidos, não iremos sair desta pandemia”, alerta a Caritas Internationalis. Foto © Magnifical Productions.

 

A Cáritas Internacional defendeu esta sexta-feira, 29, que os participantes na cimeira do G20, em Roma, devem “honrar as promessas e acelerar a resposta global” à pandemia – precisamente o principal tema do encontro. Na véspera, antecipando o que pode ser uma decisão da cimeira que decorre este fim-de-semana em Roma, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou que os líderes das vinte principais economias se irão comprometer em atingir os 70% da população mundial vacinada com duas doses contra a covid-19 em meados do próximo ano.

No comunicado da Caritas Internationalis, o secretário-geral da organização, Aloysius John, afirma: “Transformar as promessas feitas sobre vacinas em acções concretas exige atenção imediata antes que seja tarde demais. A menos que o acesso equitativo à vacina seja garantido às pessoas mais vulneráveis nos países menos desenvolvidos, não iremos sair desta pandemia.”

É necessária “uma vontade política mais forte” para enfrentar a crise pandémica, diz o comunicado, citado pela agência Ecclesia, e acrescenta que o acesso às vacinas é um “direito básico”.

“É uma responsabilidade global tornar não só as vacinas disponíveis e acessíveis, mas também apoiar o fortalecimento dos sistemas de saúde dos países mais vulneráveis.”

O comunicado fala também das limitações impostas pelos direitos de propriedade intelectual das vacinas contra a covid-19. “A Cáritas defende a solidariedade global para ajudar os países menos desenvolvidos a enfrentar a pandemia, bem como a transferência do know-how tecnológico necessário para encorajar a produção local de vacinas sempre que possível. Caso contrário, a recuperação sustentável desta crise será impossível.”

A Caritas Internationalis, federação de 162 organizações nacionais, pede ainda “a criação de um processo sistemático e abrangente para a reestruturação da dívida soberana através das Nações Unidas”.

 

As promessas de Ursula

No anúncio que fez sobre o mesmo tema, Ursula von der Leyen afirmou que a União Europeia está preparada para cumprir a sua parte, aumentando a exportação e doação de vacinas contra a covid-19 e apoiando igualmente a produção de vacinas nos países em desenvolvimento, em particular em África.

“Aumentar a capacidade de produção (…) é um projecto que me é particularmente querido. A UE está a investir mais de mil milhões de euros em África exactamente com esse propósito”, disse Von der Leyen, citado no Público (ligação disponível a assinantes).

De acordo com a mesma fonte, a presidente da Comissão referiu que há “bons progressos” nas negociações da farmacêutica BioNTech para criar centros de produção no Senegal, Ruanda e África do Sul, e que há contactos em curso para estender essa “rede de cooperação” ao Gana, Egipto, Marrocos, Nigéria e Quénia.

Actualmente, 99% das vacinas administradas em África, seja contra a covid-19 ou todas as outras doenças, são importadas. Ursula von der Leyen acrescentou que, por isso, a UE “apoia o objectivo” dos países africanos de se tornarem mais independentes: a meta é chegar a 2040 com 60% das vacinas que administram produzidas no continente.

Para já, a presidente da Comissão prometeu que “a maioria” das 3,5 mil milhões de doses de vacinas contra a covid-19 que se calcula venham a ser produzidas na UE no próximo ano serão para exportar. E prevê que os Estados-membros possam doar 500 milhões de doses de vacinas até meados de 2022.

 

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