Dia Mundial

Cáritas preocupada com “falta de solidariedade” com refugiados

| 20 Jun 2022

uma familia de refugiados ucraniana chega à fronteira com a romenia foto Albin HillertCOE

uma familia de refugiados ucraniana chega à fronteira com a Roménia: o problema dos refugiados é bem mais que apenas na guerra na Ucrânia. Foto © Albin Hillert | COE

 

A Caritas Internationalis está preocupada com “a falta de solidariedade internacional” em acolher refugiados e pessoas que solicitam asilo. Num comunicado divulgado a propósito do Dia Mundial do Refugiado, assinalado nesta segunda-feira, 20, aquela organização da Igreja Católica decidiu “levantar a sua voz “ sobre o problema, alertando para a “dignidade e os direitos de todos os deslocados” que “não podem ser ignorados”.

“Toda a pessoa tem o direito fundamental de procurar e desfrutar de asilo”, afirma a organização, que federa as organizações nacionais com o mesmo nome, num comunicado citado pela Agência Ecclesia. “Os apelos por segurança e por uma vida digna para os refugiados, na sua maioria, permaneceram inaudíveis, e a Caritas Internationalis não ficará surda ao clamor dos pobres do nosso mundo nem ficará calada sobre sua situação e a sua resiliência na reconstrução das suas vidas”, diz o texto.

De acordo com a organização católica, a segurança, a dignidade e os direitos humanos dos requerentes de asilo estão também em risco por causa dos acordos que “criaram muros físicos e legais” através do exercício de controlos regionais de fronteira e processos de asilo por parte de entidades externas às autoridades estatais.

Mais de 100 milhões de pessoas foram deslocadas à força em todo o mundo devido a perseguição, conflito, violência ou violações de direitos humanos e desastres climáticos, nos primeiros meses de 2022, “os níveis mais altos de deslocamento já registados”, assinala a Cáritas. Todos estes factores são causas que levam muitas pessoas a procurar refúgio e “não podem ser considerados separadamente”. Sé de 2019 a 2021, mais de 8436 migrantes, incluindo requerentes de asilo, perderam a vida, e 5534 migrantes desapareceram em trânsito, recorda ainda a organização.

O comunicado exemplifica que os membros da Confederação da Cáritas da Europa, Médio Oriente e África ajudaram requerentes de asilo ​que fogem de conflitos e violência a chegar a “destinos seguros e comunidades acolhedoras onde podem recomeçar as suas vidas”. Com outras organizações religiosas, aquela confederação defendeu também a abertura de corredores humanitários, o resgate e o desembarque seguro de pessoas em risco de vida no Mediterrâneo e em todo o mundo.

As Cáritas do Sudão do Sul e do Uganda são “particularmente activas” em campos de refugiados e deslocados internos com programas educacionais e distribuição de parcelas de terra para que os refugiados possam voltar a viver do seu trabalho, em colaboração com o ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados).

Na Jordânia, que acolhe 83% dos refugiados sírios, a organização católica está a trabalhar com o Governo para “encontrar soluções humanitárias sustentáveis” ​​para estas vítimas da guerra.

 

Papa recorda Síria

Na manhã desta segunda-feira, o Papa Francisco recordou a “amada e martirizada Síria”, com os seus “milhares de mortos e feridos”, e os “milhões de refugiados dentro do país e no exterior”.

Ao receber os membros do Sínodo da Igreja greco-melquita (católicos de rito bizantino), o Papa afirmou que o conflito no Leste da Europa, na Ucrânia, “não deve fazer esquecer” a guerra na Síria, que dura há doze anos. Recordou a propósito que, no seu primeiro ano de pontificado (Francisco foi eleito a 13 de Março de 2013), o Papa convocou uma noite de oração na Praça São Pedro onde também participaram muçulmanos.

“E ali nasceu essa expressão: ‘Amada e martirizada Síria’. Milhares de mortos e feridos, milhões de refugiados dentro do país e no exterior, a impossibilidade de iniciar a reconstrução necessária”, referiu o Papa.

“Não podemos permitir que a última faísca de esperança seja tirada dos olhos e corações dos jovens e das famílias! Portanto, renovo meu apelo a todos aqueles que têm responsabilidade, dentro do país e da Comunidade internacional, para que seja alcançada uma solução equilibrada e justa para a tragédia na Síria.”

Em entrevista ao Vatican News, portal de notícias do Vaticano, o núncio apostólico em Damasco, cardeal Mario Zenari, lamentou que a Síria tenha desaparecido “do radar dos media internacionais”, com a pandemia da covid-19, “a crise no Líbano”, e agora a guerra na Ucrânia.

“A Síria continua com uma das crises humanitárias mais graves do mundo. Basta dizer que, além das inúmeras mortes causadas por este conflito, há cerca de 14 milhões de pessoas, das 23 milhões do passado, que estão fora de suas casas, fora de suas aldeias, fora de suas cidades”, acrescentou o cardeal.

O núncio acrescenta que “cerca de sete milhões de pessoas desalojadas internamente” vivem por vezes “sob as árvores ou em barracas sujeitas às intempéries”, e o inverno foi “particularmente rigoroso”, para além dos “milhões de refugiados nos países vizinhos”.

 

Felizes os meninos de mais de 100 países – incluindo Portugal – que participam na Jornada Mundial das Crianças

Este fim de semana, em Roma

Felizes os meninos de mais de 100 países – incluindo Portugal – que participam na Jornada Mundial das Crianças novidade

Foi há pouco mais de cinco meses que, para surpresa de todos, o Papa anunciou a realização da I Jornada Mundial das Crianças. E talvez nem ele imaginasse que, neste curto espaço de tempo, tantos grupos e famílias conseguissem mobilizar-se para participar na iniciativa, que decorre já este fim de semana de 25 e 26 de maio, em Roma. Entre eles, estão alguns portugueses.

Cada diocese em Portugal deveria ter “uma pessoa responsável pela ecologia integral”

Susana Réfega, do Movimento Laudato Si'

Cada diocese em Portugal deveria ter “uma pessoa responsável pela ecologia integral” novidade

A encíclica Laudato Si’ foi “determinante para o compromisso e envolvimento de muitas organizações”, católicas e não só, no cuidado da Casa Comum. Quem o garante é Susana Réfega, portuguesa que desde janeiro deste ano assumiu o cargo de diretora-executiva do Movimento Laudato Si’ a nível internacional. Mas, apesar de esta encíclica ter sido publicada pelo Papa Francisco há precisamente nove anos (a 24 de maio de 2015), “continua a haver muito trabalho por fazer” e até “algumas resistências à sua mensagem”, mesmo dentro da Igreja, alerta a responsável.

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

Bispo José Ornelas: “Estamos a mudar o paradigma da Igreja”

Terminou a visita “ad limina” dos bispos portugueses

Bispo José Ornelas: “Estamos a mudar o paradigma da Igreja” novidade

“Penso que estamos a mudar o paradigma da Igreja”, disse esta sexta-feira, 24 de maio, o bispo José Ornelas, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), numa conversa com alguns jornalistas, em plena Praça de S. Pedro, no Vaticano, em comentário ao que tinha acabado de se passar no encontro com o Papa Francisco e às visitas que os bispos lusos fizeram a vários dicastérios da Cúria Romana, no final de uma semana de visita ad limina.

O mundo precisa

O mundo precisa novidade

O mundo precisa, digo eu, de pessoas felizes para que possam dar o melhor de si mesmas aos outros. O mundo precisa de gente grande que não se empoleira em deslumbrados holofotes, mas constrói o próprio mérito na forma como, concretamente, dá e se dá. O mundo precisa de humanos que queiram, com lealdade e algum altruísmo, o bem de cada outro. – A reflexão da psicóloga Margarida Cordo, para ler no 7MARGENS.

“Política americana sobre Gaza está a tornar Israel mais inseguro”

Testemunho de uma judia-americana que abandonou Biden

“Política americana sobre Gaza está a tornar Israel mais inseguro”

Esta é a história-testemunho da jovem Lily Greenberg Call, uma judia americana que exercia funções na Administração Biden que se tornou há escassos dias a primeira figura de nomeação política a demitir-se de funções, em aberta discordância com a política do governo norte-americano relativamente a Gaza. Em declarações à comunicação social, conta como foi o seu processo interior e sublinha como os valores do judaísmo, em que cresceu, foram vitais para a decisão que tomou.

Agenda

Fale connosco

Autores

 

Pin It on Pinterest

Share This