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Por causa de Joe Biden

Carta do Vaticano divide os bispos dos Estados Unidos

| 27/05/2021

CBCEUA Bispos EUA

Assembleia da Conferência de Bispos Católicos dos Estados Unidos. Foto © USCCB.

 

As divisões entre os bispos dos Estados Unidos vieram para a praça pública, nos últimos dias, ainda a propósito das diretrizes sobre a dignidade da comunhão, que o episcopado planeara aprovar na sua próxima assembleia, em junho. Em pano de fundo, as posições do católico Presidente Biden acerca da possibilidade legal do aborto.

Depois da carta do prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, cardeal Luis Ladaria, de 8 de maio, que, por assim dizer, deitava água na fervura da pressa e apontava um caminho mais exigente e prolongado, perto de 70 bispos escreveram em 13 de maio uma carta ao presidente da Conferência, em que pedem que o debate sobre o tema seja pura e simplesmente adiado.

Por detrás da tensão entre posições que podem não ser muito diversas no fundo, mas que divergem pelo menos na forma, está a questão muito pragmática de dar ou negar a comunhão a políticos católicos que assumem, enquanto legisladores ou governantes, posições diferentes da doutrina católica, nomeadamente quanto ao aborto.

A questão voltou ao primeiro plano com a eleição do Presidente Joe Biden, católico assumido, que frequenta regularmente a eucaristia dominical, e na sequência de um processo de clivagem em que, segundo os estudos eleitorais, uma maioria dos católicos votaram em Donald Trump.

Num memorando datado do passado dia 22, o presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA, arcebispo Jose Gomez, recorda que uma comissão administrativa da Conferência, que reúne os presidentes dos vários departamentos, tinha aprovado que na reunião de junho fosse agendada a discussão sobre a redação de um documento para examinar o “significado da Eucaristia na vida da Igreja ”.

Os bispos que solicitaram o adiamento, entre os quais figuram quatro cardeais (Cupich, Gregory, O’Malley e Tobin) “respeitosamente instam” a que a discussão “quer em conferência quer em trabalho de comissão” sobre o tema da dignidade eucarística e outras questões levantadas pela Santa Sé “seja adiada até que todo o corpo episcopal se possa reunir pessoalmente”.

O presidente da Conferência faz notar, no seu recente memorandum, que o foco do documento que se pensa colocar em discussão visa realçar “a melhor maneira de ajudar as pessoas a compreender a beleza e o mistério da Eucaristia como o centro da sua vida cristã”. Recorda, por outro lado, que, segundo as normas da Conferência, o conjunto dos membros deve pronunciar-se sobre a decisão de emitir um documento acerca de determinado tópico e que um tempo para tal foi incluído na agenda da próxima reunião. Além disso, o que seria aprovado não seria o documento final, mas apenas uma base de trabalho que seria, em fases posteriores, objeto de consultas, até se chegar à versão final.

Os bispos que questionam a oportunidade desta metodologia contrapõem que a natureza da “dignidade eucarística” e outras questões levantadas na carta do cardeal Ladaria exigem que os bispos “forjem uma unidade substantiva”, algo que consideram ser “impossível de abordar devidamente no ambiente fragmentado e isolado de uma reunião que é feita à distância”, por vídeo.

E acrescentam: “O elevado padrão de consenso entre nós e de manutenção da unidade com a Santa Sé e a Igreja universal, tal como enunciado pelo cardeal Ladaria, está longe de ser alcançado no momento presente.”

“Além disso, como o sólido conselho teológico e pastoral do prefeito [da Congregação do Vaticano] abre um novo caminho para avançar, devemos aproveitar esta oportunidade para repensar a melhor estrutura colegial para alcançar esse objetivo”, salienta a carta.

 

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