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O cartaz de divulgação do projeto dos Missionários da Consolata para 2026. Foto DR
Cartaz de divulgação do projeto dos Missionários da Consolata para 2026.

Solidariedade

Casa para educar meninas na Guiné-Bissau, o projeto da Consolata para 2026

| 10/12/2025

Construir uma casa na Guiné-Bissau para crianças e adolescentes desfavorecidas e vulneráveis é o objetivo da campanha anual solidária dos Missionários da Consolata em Portugal para 2026. O novo projeto tem como lema “Estudar para vencer” e está sob a responsabilidade das irmãs Missionárias da Consolata, residentes na missão de Bor, em Bissau.

A casa que se pretende erguer deverá albergar meninas “carenciadas, sem condições para estudar nas suas aldeias”, que correm o risco de “sofrer abusos sexuais e ser vítimas de casamento forçado ainda na infância”, referem Noeli Bueno e Maria Pereira, religiosas Missionárias da Consolata, num documento enviado ao 7MARGENS/Fátima Missionária.

Em declarações posteriores, a irmã Noeli – também conselheira regional da África e superiora da comunidade de Bor – adiantou que a casa de acolhimento deverá ter dois dormitórios e capacidade para acolher dez a 15 jovens. “Aqui no bairro de Bor temos vários liceus perto, inclusive um da paróquia, onde estamos a trabalhar como missionárias”, explica Noeli Bueno sobre as vantagens do espaço destinado à construção da habitação. “Há também uma universidade católica e o local seria de fácil acesso para frequentar o liceu, cursos técnicos ou superiores.”

No comunicado citado, as irmãs descrevem os riscos a que estão sujeitas as adolescentes que pretendem apoiar: “Permanecendo nas aldeias, sem estudo, algumas adolescentes sofrem violência doméstica, como a mutilação genital, casamento forçado e trabalho infantil”. Perante esse cenário, as missionárias afirmam que gostariam de “apoiar algumas jovens no ensino básico, secundário e superior”, mas acrescentam que, para que tal aconteça, “elas precisam de ter um local para morar” naquela cidade. As religiosas afirmam que, desta forma, as jovens “poderiam melhorar o seu futuro”. Sem essa opção, o acesso das raparigas à educação fica “severamente limitado”, dizem.

O problema do acesso ao ensino é uma realidade muito presente no país, que afeta, sobretudo, as meninas, explicam as missionárias: “São muitas as crianças, adolescentes e jovens analfabetos, sobretudo do sexo feminino, que até aos dias de hoje não têm possibilidade de estudar, porque moram em aldeias distantes dos centros urbanos, e que não estudam por falta de consciencialização dos pais e, sobretudo, interesse do governo em garantir uma educação de qualidade nas aldeias”.

No comunicado já referido, as missionárias acrescentam que o local destinado à construção é terreno da diocese de Bissau, foi cedido exatamente para esta finalidade e fica próximo da sua casa, em cujas imediações já existe o Centro de Promoção Feminina Nossa Senhora Consolata – administrado por uma das missionárias – onde as mulheres “aprendem várias atividades para depois terem uma fonte de rendimento com o seu próprio trabalho”.

Os principais objetivos da casa de acolhimento são facilitar o acesso ao ensino, e permitir que as jovens possam “aprender a cozinhar e a fazer artesanato”, de forma a poderem vir a ter algum rendimento no futuro. Pretende-se que as jovens acolhidas possam ficar nessa infraestrutura “até conseguirem um local melhor ou até à finalização do 12.º ano”. As religiosas apelam, por isso, à solidariedade: “Pedimos uma contribuição para a construção desta casa, cientes de que aqui na Guiné-Bissau o material é muito elevado e o preço avaliado é de 75 mil euros.”

Estas religiosas estão neste país africano há 33 anos. “A Guiné-Bissau é um país pequeno em extensão, mas muito carente de recursos. As mulheres são quem, no dia a dia, executam os pequenos trabalhos na agricultura para venderem na feira. Tudo para o autossustento e a educação dos filhos.” As irmãs acreditam que a qualificação das jovens pode contribuir para “ajudar a desenvolver o país”, e consideram que este projeto pode ser um meio para “garantir a dignidade e o protagonismo da mulher guineense na sua juventude”.

O apelo surge neste mês de dezembro porque o fim do ano é a ocasião habitualmente usada pelos Missionários da Consolata para lançar uma campanha solidária de angariação de fundos para uma causa, ao longo do ano seguinte. Em 2025, o projeto teve como finalidade apoiar a missão dos Missionários da Consolata em Oudja, no norte de Marrocos, que acolhe e apoia refugiados.

 

Texto publicado ao abrigo da parceria 7MARGENS/Fátima Missionária.

 

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