Save the Children alerta

Casamento infantil quase duplicou em Cabo Delgado

| 18 Mai 2022

crianças em cabo delgado moçambique foto save the children

Entre janeiro e março de 2022, foram registados 108 casos de casamento prematuro em Cabo Delgado, em comparação com 65 casos verificados entre outubro e dezembro de 2021. Foto © Save the Children.

 

As taxas de casamento precoce aumentaram substancialmente no primeiro trimestre deste ano entre as crianças da região de Cabo Delgado (Moçambique), alertou esta semana a organização internacional Save the Children. O aumento está diretamente relacionado com a pobreza provocada pelo conflito que assola a região desde 2017 e que deixa muitos pais perante “a escolha devastadora” de ter de “deixar os filhos casar para aliviar a carga da família”, explica a instituição.

Entre janeiro e março de 2022, a Save the Children registou 108 casos de casamento prematuro nos distritos de Pemba, Metuge, Chiure e Montepuez, em Cabo Delgado, em comparação com 65 casos verificados entre outubro e dezembro de 2021. Entre janeiro e março, o número de crianças recém-casadas aumentou de forma constante, com 6 crianças em janeiro, 32 em fevereiro e 70 em março.

“Cabo Delgado já era o pior lugar em Moçambique para se ser criança antes do início deste conflito; agora, com deslocações em massa e abusos horríveis, as coisas estão muito piores. As meninas são particularmente vulneráveis ​​e estão a ser casadas a uma taxa alarmantemente alta”, afirma Inger Ashing, CEO da Save the Children International, que esteve recentemente na região e contactou com inúmeras famílias de deslocados.

“Quase meio milhão de crianças fugiram da violência e estão a viver com parentes distantes, às vezes mais de uma dúzia numa única e pequena casa. Elas estão fora da escola, os seus pais não têm emprego e não há assistência médica, comida ou água suficientes. A situação é insustentável e desesperadora”, refere.

Paula Sengo, especialista em proteção de crianças da Save the Children em Moçambique, referiu também, em declarações à rádio TSF, que teme que o número de casamentos de menores continue a aumentar. “É notório o nível de vulnerabilidade que as pessoas enfrentam, as dificuldades financeiras, o nível de pobreza. A pobreza é um dos fatores que mais influencia as uniões prematuras. Se nós não trabalharmos com antecedência para travar esta situação, é possível que o número aumente”, explicou.

O conflito em Cabo Delgado, que está a entrar no quinto ano, já levou à deslocação de quase 785 mil pessoas, das quais cerca de 370 mil crianças. Neste momento, estima-se que um milhão e meio de pessoas precise de ajuda para viver.

 

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