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Bispo de Setúbal. José Ornelas

Casas degradadas do Bairro da Jamaica “são uma vergonha para o país”, diz bispo de Setúbal

Casas degradadas do Bairro da Jamaica “são uma vergonha para o país”, diz bispo de Setúbal

by | 2 Jun 20

Situações como a do Bairro da Jamaica, no Seixal, onde há um surto de contágios de covid são da responsabilidade de toda a soeicdade e uma “vergonha” para o país, diz o bispo de Setúbal. O Governo anunciou, entretanto, um plano de realojamento de emergência.

Bispo de Setúbal. José Ornelas.

José Ornelas, bispo de Setúbal: é necessário transformar o bairro. Foto Paulo Rocha/Agência Ecclesia

 

O bispo de Setúbal considera que as imagens do Bairro da Jamaica (Seixal) que têm passado nos meios de comunicação “são uma vergonha para o país”, e que é necessário “transformar o bairro”.

“Uma habitação digna” é fundamental para o bispo José Ornelas. Pedir às pessoas que tenham comportamentos responsáveis na prevenção da propagação da pandemia de covid-19 implica que elas tenham os meios “minimamente necessários” e “uma habitação que seja comportável para isso”, acrescenta D. José.

“Tantas pessoas a viver em barracas não se pode compreender hoje, no nosso país”, afirmou o bispo de Setúbal a jornalistas, citado pela Ecclesia. O responsável da Igreja Católica na diocese sadina falava no domingo, 31 de Maio, depois da missa de Pentecostes, que assinalou a reabertura dos espaços de culto das celebrações comunitárias.

Sábado passado, dia 30, foram encerrados oito estabelecimentos comerciais no Bairro da Jamaica, no concelho do Seixal, em Setúbal, após ter sido identificado um foco comunitário de infeção do novo coronavírus nos edifícios inacabados de Vale de Chícharos (conhecido como Bairro da Jamaica).

Nas declarações aos jornalistas, o bispo José Ornelas disse que se admira pela propagação do vírus ser ainda tão reduzida em locais de habitação precária.

Para o bispo de Setúbal, é necessário dar condições de habitabilidade a todas as pessoas, não permitir que trabalhadores estejam “compactados” em casas e nos seus empregos e dar “dignidade” aos cidadãos imigrantes ou refugiados que são acolhidos em Portugal. “Não chega acolher, pô-los cá dentro, é preciso dar medidas de dignidade”, afirmou.

O bispo de Setúbal disse que um dos “grandes problemas” da península é a habitação, e referiu-se a “programas em desenvolvimento”, aguardando “os seus resultados, com a colaboração de todos”. “Temos de tirar esta mancha no meio de nós, da nossa sociedade”, afirmou, acrescentando que “uma habitação digna é fundamental”.

Para D. José Ornelas, a pandemia veio mostrar que, se a sociedade não for justa “não pode ser ecológica, não pode solidária”. “A sociedade de hoje não se pode dar ao luxo de ter miséria. Porque a miséria vai-nos cair em cima”, lembrou.

 

O plano de emergência para os bairros sem “conserto”

A respeito de bairros onde a habitação é indigna, o bispo de Setúbal alertou para a necessidade de os transformar, disse que “alguns não têm conserto” e espera que surtos de propagação do vírus nesses contextos sociais “seja uma lição” e interpele a “a construir uma sociedade mais solidária, mais justa”.

 

O Governo, através do primeiro-ministro, anunciara entretanto, sexta-feira passada, um plano de realojamento de emergência para as pessoas que vivam em habitações precárias e sobrelotadas na Área Metropolitana de Lisboa, conforme foi noticiado.

“Trabalharemos para desenvolver um plano de realojamento de emergência para permitir a separação de pessoas que estejam infectadas das que não estão, tal como fizemos em relação a alguns lares”, afirmou António Costa, citado na TSF. O primeiro-ministro afirmou ainda que o plano não será aplicado com base no local da habitação, mas tendo em conta “as condições de habitabilidade”.

A Rede H – Rede de Estudos sobre Habitação publicara uma carta aberta dirigida ao Governo, no Público de 23 de Março, pedindo “medidas extraordinárias” necessárias à “garantia da segurança e saúde das pessoas em situação de sem-abrigo ou de precariedade habitacional”.

Simone Tulumello, geógrafo, investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, e um dos fundadores da Rede H, reagiu ao anúncio do Governo, dizendo: “Não era preciso ser adivinho, nem mago. Nem era sequer preciso investigar muito. O problema da habitação era grave e já existia antes da pandemia. A Rede H – Rede de Estudos sobre Habitação escreveu-o na carta aberta em Março. O Governo demorou dois meses a reconhecê-lo. Mais vale tarde do que nunca.”

Situações como as do Bairro da Jamaica são da responsabilidade de toda a sociedade. O problema não se resolve com a “estatização das coisas”, mas “pondo toda a gente a lutar pelo mesmo”, acrescentou, citado ainda na Ecclesia.

A diocese de Setúbal lançou na última semana a campanha “Na partilha não há distância”, coordenada pela Cáritas diocesana, para recolher donativos e bens alimentares para ajudar. 17 mil pessoas estão identificadas como potenciais beneficiárias da ajuda.

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