
Refugiados sudaneses chegam ao Chade no início de 2023 após um surto de violência em Darfur, no Sudão. Foto © UNHCRSuzette Fleur Ngontoog.
São já mais de 800 mil os refugiados da sangrenta guerra civil que se desencadeou no Sudão, no dia 15 de abril último, e várias centenas de milhares poderão também tomar a curto prazo a decisão de abandonar o país, que já era um dos mais pobres do mundo, de acordo com dados divulgados pela Agência das Nações Unidas para os Refugiados.
A fuga está a verificar-se sobretudo para o Egito, a norte, e para o Sudão do Sul a partir das zonas meridionais do país, mas também para os outros países que fazem fronteira com o Sudão, sobretudo o Chade, a Eritreia e a Etiópia.
O conflito terá já provocado 528 mortos e 4.599 feridos, segundo dados oficiais citados pelo jornal católico francês La Croix, ainda que se suspeite que a realidade seja bem pior.
O secretário do Conselho Mundial das Igrejas, Jerry Pillay, informou que muitos serviços básicos sudaneses deixaram de funcionar e que a população sofre já de “escassez de alimentos, água e serviços de saneamento”. Por sua vez, o bispo Charles Sampa Kasonde, presidente da Associação das Conferências Episcopais da África Oriental (Amecea), dizia, no mesmo jornal, que a Igreja reza para que “os líderes das duas facções beligerantes possam urgentemente chegar a condições aceitáveis para (…) uma resolução duradoura do conflito (…)”.
Enquanto as sucessivas decisões de cessar-fogo entre o exército e os paramilitares têm sido violadas pouco depois de terem início, as Igrejas cristãs presentes na região estão a apelar, desde o início, a tréguas imediatas e à ação da comunidade internacional no sentido de pressionar no mesmo sentido e acelerar a ajuda aos novos refugiados.
A União Europeia anunciou na última sexta-feira, 29, ter destinado 200 mil euros para socorro imediato e assistência de primeiros socorros a pessoas feridas ou expostas a alto risco na capital, Cartum, e outros estados afetados.
Este financiamento, que é feito através da Sociedade Sudanesa do Crescente Vermelho, envolve primeiros socorros, serviços de evacuação e apoio psicossocial.








