Encontro de responsáveis em Fátima

Catequese abandona “lógica mais escolar” e desafia famílias a serem “parte ativa”

| 7 Jul 2023

Catequese na Paróquia de São José/Algueirão. As famílias “passam a ser parte ativa do processo de adesão à Igreja e à fé cristã com propostas adequadas a cada etapa do crescimento”. Foto © Ecclesia.

 

“Gradualmente, toda a catequese vai mudar” e os responsáveis diocesanos pelo setor estiveram esta sexta-feira reunidos em Fátima para conhecer melhor algumas dessas transformações. De acordo com o Secretariado Nacional da Educação Cristã (SNEC), para os adolescentes as mudanças serão já visíveis em setembro, altura em que vão “poder analisar e refletir, fazer memória, daquilo que foi a JMJ de Lisboa para a Igreja em Portugal e para cada um”.

Os recursos preparados para os catequizandos entre os 12 e os 15 anos recebem o nome “Celebrar a JMJ Lisboa 2023 – experiências que mudam a vida” e sucedem assim ao itinerário “Say Yes”, utilizado nos últimos três anos.

Depois, a partir de janeiro de 2024, serão disponibilizados novos materiais resultado do trabalho entre o SNEC, a Salesianos Editora e o grupo de trabalho do Itinerário de iniciação à vida cristã das crianças e dos adolescentes com as famílias.

“É um trabalho que tem vindo a ser desenvolvido e que envolve todos. Os novos recursos catequéticos estão quase a chegar, e queremos partilhá-los com os secretariados diocesanos de forma a que todos tenham uma voz e um contributo para os mesmos”, explica a irmã Arminda Faustino, coordenadora da Catequese no SNEC.

“Vamos percebendo que é um desafio grande a transmissão da fé nestas idades. Com o “Say Yes” fizemos um ensaio ao ‘dizer sim’ e queremos agora contemplar e aprender de novo para que ajudemos os adolescentes a abrirem-se e a serem capaz de contribuir na construção de um mundo novo”, acrescenta.

 

Cuidado dos menores e adultos vulneráveis em destaque

Encontro de responsáveis diocesanos da catequese, Fátima, 7 julho 2023. Foto © Educris

Esta foi a primeira reunião entre o SNEC e os secretariados diocesanos da catequese onde marcou presença o bispo António Azevedo (ao centro). Foto © Educris.

 

Não só para os adolescentes, mas para todos os anos da catequese, o objetivo é que esta se torne “um processo de acompanhamento e descoberta da dimensão religiosa e espiritual a partir do encontro de cada um com Jesus Cristo”, sublinha o SNEC em comunicado enviado ao 7MARGENS.

O lugar do próprio catequista vai mudar, pois “passa, também ele/ela a ser o primeiro a entrar neste processo de caminho de encontro consigo mesmo, com os outros e com Deus”. E muda ainda o papel das famílias, que “que passam a ser parte ativa do processo de adesão à Igreja e à fé cristã com propostas adequadas a cada etapa do crescimento”, assinala o texto.

Toda a catequese irá, assim adequar-se ao Diretório para a Catequese, editado pelo Vaticano já em 2020, e ao Itinerário de Iniciação à Vida Cristã das Crianças e dos Adolescentes com as Famílias, aprovado pela Conferência Episcopal Portuguesa em 2022.

Nesta “nova catequese”, ressalta também uma ainda maior preocupação com o cuidado dos menores e dos adultos vulneráreis. Por esse motivo, esteve presente na reunião de representantes diocesanos a psicóloga Rute Agulhas, coordenadora do grupo Vita, para “apresentar o seu trabalho e dialogar com os responsáveis acerca de ações concretas sobre o cuidado dos menores e adultos vulneráveis na catequese”.

“Este é um encontro que acontece naturalmente. As crianças, os adolescentes, os jovens e os adultos vulneráreis são a prioridade da catequese e a ligação ao grupo Vita vai permitir aprender mais, adotar um olhar com profundo respeito e com as ferramentas necessárias para antecipar, prevenir, e acompanhar com maior qualidade os que precisam”, destaca a irmã Arminda Faustino.

Esta foi a primeira reunião entre o SNEC e os secretariados diocesanos da catequese onde marcou presença o bispo António Azevedo, que tomou posse recentemente como presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé (CEECDF).

 

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