“A Igreja não quis saber”

Católicas da Índia pedem transparência depois da absolvição do bispo acusado de abuso

| 9 Fev 2022

 

D. Franco Mulakkal, bispo da diocese de Jalandhar Foto retirada do Facebook da Diocese de Jalandhar

D. Franco Mulakkal, bispo da diocese de Jalandhar (ao centro), estava acusado da violação de uma freira, mas a sua culpa não foi considerada provada pelo juiz. Foto retirada do Facebook da Diocese de Jalandhar.

 

O fórum nacional indiano Irmãs em Solidariedade, constituído por mulheres católicas, acaba de exigir “absoluta transparência e responsabilidade” na maneira como a Igreja lida com casos de abuso sexual, a propósito de uma recente decisão judicial que envolveu um bispo e uma freira.

Numa carta tornada pública esta semana no jornal digital Matters India, assinada por 15 mulheres indianas e endossada por 1263 homens e mulheres de todo o mundo, as subscritoras pronunciam-se sobre a recente absolvição do bispo Franco Mulakkal de Jalandhar, que estava acusado da violação de uma freira.

O documento, já enviado à hierarquia da Igreja na Índia e no Vaticano, expressa a “profunda preocupação e choque” com o desfecho do julgamento – o juiz decidiu, em janeiro, que a acusação não conseguiu provar a culpa do prelado – e com o facto de o tribunal ter lançado “calúnias sobre o caráter da Irmã sobrevivente” (ver 7MARGENS).

A acusadora, uma ex-superiora geral dos Missionários de Jesus (congregação presente na diocese de Jalandhar), apresentou em junho de 2018 uma queixa policial alegando que o bispo abusou sexualmente da freira várias vezes entre 2014 e 2016.

Entretanto, o caso não transitou ainda em julgado, visto que a freira decidiu apresentar recurso. Por isso, o fórum insta as autoridades da Igreja a manter o bispo Franco Mulakkal longe de Jalandhar e afastado de quaisquer responsabilidades pastorais e de liderança espiritual até que o caso seja decidido.

Composto por mulheres religiosas e leigas, este fórum defende que tanto o Código do Direito Canónico como a “teologia do ministério sacerdotal” devem ser revistos para limpar a Igreja de “elementos que geram o clericalismo, o qual é um facilitador do abuso sexual do clero”.

No caso do bispo e da religiosa, o fórum lamenta que o juiz tenha esquecido que o bispo atuava a partir de “uma relação de poder e autoridade sobre a vítima”, que se encontrava em situação de “múltiplas vulnerabilidades”.

Por outro lado, as Irmãs em Solidariedade enfatizam que a absolvição não deve impedir os tribunais eclesiásticos de realizar um inquérito sobre o caso, dando à acusação o direito de participar do processo e exigir indemnização por danos, de acordo com as disposições da lei canónica.

As mulheres dizem que estão “chocadas com a atitude insensível dos líderes da Igreja na Índia e no Vaticano, que falharam em responder de forma sensível e construtiva a esta grave questão de agressão sexual”.

No texto, referem também que a acusadora só foi à polícia depois de as autoridades da Igreja na Índia e o Vaticano terem ignorado os seus repetidos pedidos de ajuda e justiça.

Abrindo a possibilidade de a Igreja arrepiar caminho relativamente a esta insensibilidade, as subscritoras recomendam ainda que as autoridades eclesiásticas visitem a freira traumatizada e as suas companheiras, ouvindo a versão que elas têm dos factos. Exigem ainda que elas beneficiem de proteção e possam voltar a residir no mosteiro em que viviam.

O documento enuncia um conjunto de outras medidas que as mulheres consideram imprescindíveis para instituir uma cultura preventiva de novos abusos.

 

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