Aprovados estatutos do conselho sinodal

Católicos alemães desafiam advertências de Francisco

| 1 Dez 2023

“Apesar desta clara admoestação papal contra a resolução aprovada na última sessão do “caminho sinodal” da Igreja Católica da Alemanha, realizada a 11 de março deste ano, o organismo representante dos leigos católicos alemães não recuou na sua vontade de instituir o comité.” Foto: Votação para a constituição do Comité sinodal © Evelina Sowa

 

A assembleia geral do Comité Central dos Católicos Alemães (ZdK no acrónimo em língua germânica) que decorreu no fim de semana 24 e 25 de novembro aprovou por uma esmagadora maioria os estatutos do comité sinodal sobre o qual o Papa Francisco escreveu a 10 de novembro que ele “visa preparar a introdução de um órgão consultivo e de decisão o qual, na forma delineada no texto da resolução, não pode ser conciliado com a estrutura sacramental da Igreja Católica”.

Apesar desta clara admoestação papal [ver 7MARGENS] contra a resolução aprovada na última sessão do “caminho sinodal” da Igreja Católica da Alemanha, realizada a 11 de março deste ano, o organismo representante dos leigos católicos alemães não recuou na sua vontade de instituir o comité. De acordo com a decisão tomada a 11 de março, tal comité tem por objetivo acompanhar, ao longo dos próximos três anos, a aplicação das decisões tomadas durante o processo do dito “caminho sinodal” iniciado em dezembro de 2019. Ao comité compete também retomar as propostas para a criação de um conselho sinodal nacional com caracter permanente, participado por leigos, padres e bispos, e instituído para definir as prioridades pastorais da Igreja.

A decisão tomada pela assembleia geral do ZdK só terá efeito se igual decisão for tomada na reunião plenária da Conferência Episcopal Alemã que decorrerá no primeiro trimestre de 2024.

 

Berlim-Roma, um diálogo de surdos

O confronto entre os católicos alemães e o Vaticano vem-se agravando nos últimos dois anos e envolve questões relacionadas com a doutrina católica sobre a sexualidade, o celibato dos padres, o acesso ao diaconado por parte das mulheres, a bênção de casais homossexuais e as estruturas de participação e decisão na Igreja. Sobre este último aspeto, o secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin, o prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, Luis Ladaria, e o então prefeito do Dicastério para os Bispos, Marc Ouellet, enviaram a 16 de janeiro, com a aprovação expressa do Papa Francisco, uma carta ao presidente da Conferência Episcopal Alemã em que escreviam: “Nem o ‘caminho sinodal’, nem um órgão por ele designado, nem uma conferência episcopal nacional estão autorizados a criar tal órgão. Isto porque o referido conselho [sinodal] seria ‘uma nova estrutura de governo da Igreja na Alemanha’, que (…) parece estar colocada acima da autoridade da Conferência Episcopal e substituí-la de facto”.

Mas o que se seguiu a este aviso foi, segundo o jornal digital Omnes de 28 de novembro, a tentativa do “caminho sinodal” de “contornar esta proibição erigindo não diretamente o conselho sinodal, mas um comité sinodal… cuja finalidade é a criação do referido conselho sinodal.” Naquele comité sinodal deviam, continua o jornal, “participar os 27 Bispos titulares das dioceses alemãs”, porém “quatro renunciaram por princípio e outros quatro não compareceram à constituição do comité, a 11 de novembro, ocasião em que estiveram presentes 19 dos 27 bispos”.

Uma das questões mais melindrosas, escreve o Omnes, é o facto de os estatutos do comité referirem que “as decisões são tomadas por maioria de dois terços de todos os membros presentes, eliminando assim o poder de veto que os bispos detinham nas assembleias do “caminho sinodal”, onde as decisões exigiam o apoio de dois terços dos bispos presentes.”

 

Sínodo, agora, é em Roma… que aqui já acabou

Sínodo, agora, é em Roma… que aqui já acabou novidade

Em que vai, afinal, desembocar o esforço reformador do atual Papa, sobretudo com o processo sinodal que lançou em 2021? Que se pode esperar daquela que já foi considerada a maior auscultação de pessoas alguma vez feita à escala do planeta? – A reflexão de Manuel Pinto, para ler no À Margem desta semana

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

Nada se perde: um antigo colégio dos Salesianos é o novo centro de acolhimento do Serviço Jesuíta aos Refugiados

Inaugurado em Vendas Novas

Nada se perde: um antigo colégio dos Salesianos é o novo centro de acolhimento do Serviço Jesuíta aos Refugiados novidade

O apelo foi feito pelo Papa Francisco: utilizar os espaços da Igreja Católica devolutos ou sem uso para respostas humanitárias. Os Salesianos e os Jesuítas em Portugal aceitaram o desafio e, do antigo colégio de uns, nasceu o novo centro de acolhimento de emergência para refugiados de outros. Fica em Vendas Novas, tem capacidade para 120 pessoas, e promete ser amigo das famílias, do ambiente, e da comunidade em que se insere.

Bispos católicos de França apelam à fraternidade e justiça, mas não se demarcam da extrema-direita

Com as eleições no horizonte

Bispos católicos de França apelam à fraternidade e justiça, mas não se demarcam da extrema-direita novidade

O conselho permanente dos bispos da Igreja Católica de França considera, num comunicado divulgado esta quinta-feira, 20 de junho, que o resultado das recentes eleições europeias, que deram a vitória à extrema-direita, “é mais um sintoma de uma sociedade ansiosa, dividida e em sofrimento”. Neste contexto, e em vésperas dos atos eleitorais para a Assembleia Nacional, apresentaram uma oração que deverá ser rezada por todas as comunidades nestes próximos dias.

“Precisamos de trabalhar num projeto de sociedade que privilegie a ativação da esperança”

Tolentino recebeu Prémio Pessoa

“Precisamos de trabalhar num projeto de sociedade que privilegie a ativação da esperança” novidade

Na cerimónia em que recebeu o Prémio Pessoa 2023 – que decorreu esta quarta-feira, 19 de junho, na Culturgest, em Lisboa – o cardeal Tolentino Mendonça falou daquela que considera ser “talvez a construção mais extraordinária do nosso tempo”: a “ampliação da esperança de vida”. Mas deixou um alerta: “não basta alongar a esperança de vida, precisamos de trabalhar num projeto de sociedade que privilegie a ativação da esperança e a deseje fraternamente repartida, acessível a todos, protagonizada por todos”.

Agenda

Fale connosco

Autores

 

Pin It on Pinterest

Share This