
“Apesar desta clara admoestação papal contra a resolução aprovada na última sessão do “caminho sinodal” da Igreja Católica da Alemanha, realizada a 11 de março deste ano, o organismo representante dos leigos católicos alemães não recuou na sua vontade de instituir o comité.” Foto: Votação para a constituição do Comité sinodal © Evelina Sowa
A assembleia geral do Comité Central dos Católicos Alemães (ZdK no acrónimo em língua germânica) que decorreu no fim de semana 24 e 25 de novembro aprovou por uma esmagadora maioria os estatutos do comité sinodal sobre o qual o Papa Francisco escreveu a 10 de novembro que ele “visa preparar a introdução de um órgão consultivo e de decisão o qual, na forma delineada no texto da resolução, não pode ser conciliado com a estrutura sacramental da Igreja Católica”.
Apesar desta clara admoestação papal [ver 7MARGENS] contra a resolução aprovada na última sessão do “caminho sinodal” da Igreja Católica da Alemanha, realizada a 11 de março deste ano, o organismo representante dos leigos católicos alemães não recuou na sua vontade de instituir o comité. De acordo com a decisão tomada a 11 de março, tal comité tem por objetivo acompanhar, ao longo dos próximos três anos, a aplicação das decisões tomadas durante o processo do dito “caminho sinodal” iniciado em dezembro de 2019. Ao comité compete também retomar as propostas para a criação de um conselho sinodal nacional com caracter permanente, participado por leigos, padres e bispos, e instituído para definir as prioridades pastorais da Igreja.
A decisão tomada pela assembleia geral do ZdK só terá efeito se igual decisão for tomada na reunião plenária da Conferência Episcopal Alemã que decorrerá no primeiro trimestre de 2024.
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O confronto entre os católicos alemães e o Vaticano vem-se agravando nos últimos dois anos e envolve questões relacionadas com a doutrina católica sobre a sexualidade, o celibato dos padres, o acesso ao diaconado por parte das mulheres, a bênção de casais homossexuais e as estruturas de participação e decisão na Igreja. Sobre este último aspeto, o secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin, o prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, Luis Ladaria, e o então prefeito do Dicastério para os Bispos, Marc Ouellet, enviaram a 16 de janeiro, com a aprovação expressa do Papa Francisco, uma carta ao presidente da Conferência Episcopal Alemã em que escreviam: “Nem o ‘caminho sinodal’, nem um órgão por ele designado, nem uma conferência episcopal nacional estão autorizados a criar tal órgão. Isto porque o referido conselho [sinodal] seria ‘uma nova estrutura de governo da Igreja na Alemanha’, que (…) parece estar colocada acima da autoridade da Conferência Episcopal e substituí-la de facto”.
Mas o que se seguiu a este aviso foi, segundo o jornal digital Omnes de 28 de novembro, a tentativa do “caminho sinodal” de “contornar esta proibição erigindo não diretamente o conselho sinodal, mas um comité sinodal… cuja finalidade é a criação do referido conselho sinodal.” Naquele comité sinodal deviam, continua o jornal, “participar os 27 Bispos titulares das dioceses alemãs”, porém “quatro renunciaram por princípio e outros quatro não compareceram à constituição do comité, a 11 de novembro, ocasião em que estiveram presentes 19 dos 27 bispos”.
Uma das questões mais melindrosas, escreve o Omnes, é o facto de os estatutos do comité referirem que “as decisões são tomadas por maioria de dois terços de todos os membros presentes, eliminando assim o poder de veto que os bispos detinham nas assembleias do “caminho sinodal”, onde as decisões exigiam o apoio de dois terços dos bispos presentes.”









