Católicos de Cuba criticam regime e pedem “mudanças políticas”

| 9 Fev 2021

Cuba

Cuba: O quotidiano já não permite, muitas vezes, a superação da pobreza, diz a carta. Foto © ACN Portugal.

 

Centenas de católicos cubanos, entre os quais muitos padres e vários outros opositores do regime, publicaram uma carta aberta muito crítica do regime de Havana, exigindo mudanças políticas, noticia a fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

O documento foi conhecido a 24 de Janeiro, mas tem vindo a recolher apoios na sociedade cubana. Só no passado dia 1 de Fevereiro foi assinado por mais de 700 pessoas.

“Vivemos o colapso de um modelo económico, político e social”, lê-se no documento enviado à AIS. “Cuba precisa de mudanças políticas. Precisamos de superar o autoritarismo”, diz o texto, que pede uma “República onde a plena dignidade de cada homem e mulher seja respeitada”.

Para os subscritores da carta aberta, o sistema político, em vigor desde a instauração do regime comunista no final dos anos 1950, já não é passível de reforma por se basear “numa filosofia que ignora a verdade sobre o que dá sentido pleno ao ser humano”. Por isso, o sistema “tem sido incapaz de evoluir”.

O apelo faz também um retrato pesado do quotidiano em Cuba, lamentando a difícil situação económica em que se encontram as famílias, em que o trabalho já não permite, muitas vezes, a superação da pobreza, e em que se vive “sob a constante ameaça de escassez, de preços praticamente proibitivos”.

Uma tal realidade promove a corrupção, diz ainda o texto: “A quase impossibilidade de se viver sem haver o envolvimento em algo ilegal torna o mercado negro num aliado indispensável para a sobrevivência e cria um ambiente dominado por roubos, subornos e até chantagens”. E acrescenta: “A atmosfera do ‘cada um por si’, onde vale tudo, mostra uma corrupção que atravessa quase todas as camadas sociais.”

A aberta refere ainda um “controlo excessivo” por parte do Estado, um sentimento de vigilância que atinge o cidadão comum e que provoca o medo. “Soma-se a isso a sensação de estarmos constantemente a ser espiados.” Às vezes, acrescenta, “mesmo sem qualquer culpa, uma pessoa pode sentir medo devido ao controlo excessivo dos órgãos da Segurança do Estado” que entram “até mesmo na vida estritamente pessoal dos indivíduos”.

A situação, diz ainda o texto, causa dano até nas próprias famílias. A emigração, como “único meio de melhorar a qualidade de vida das pessoas”, provoca “a separação dos membros da família”. Esta é uma das consequências da “frustração económica e da exaustiva luta diária pela sobrevivência”. A realidade tem também consequências ao nível moral e o anúncio de um bebé, “que deveria ser motivo de esperança e de alegria, torna-se causa de incerteza e preocupação, e termina em aborto”.

O documento diz ainda que “é tempo, como povo, de regressar a Deus” e pede mais diálogo, o “reconhecimento da plena cidadania dos cubanos que residem no exterior”, e “a escolha da verdade”: “Viver na verdade às vezes tem um preço elevado, mas torna-nos interiormente livres, além de qualquer coerção externa. Viver na mentira é viver acorrentado…”

 

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Preocupações com um homem que estava preso, com o funcionamento de uma oficina de costura para raparigas que não tinham trabalho, com a comida para uma casa de meninas órfãs. E também o relato pessoal de como sentiu nascer-lhe a vocação. Em várias cartas, escritas entre 1905 e 1971 e agora publicadas, Luiza Andaluz, fundadora das Servas de Nossa Senhora de Fátima, dá conta das preocupações sociais que a nortearam ao longo do seu trabalho e na definição do carisma da sua congregação.

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