
Os protestos sucedem-se na Venezuela desde o dia 29 de julho. Muitas vozes eclesiais têm-se juntado ao coro internacional que repudia os resultados divulgados das eleições venezuelanas. Foto: Direitos Reservados
“Agradecemos ao Santo Padre Francisco as suas orações pela paz e pela verdade na nossa Venezuela. Todos nós queremos o bem-estar dos venezuelanos e queremos avançar para um país de dignidade, compreensão, onde a paz prevaleça. A verdade é o caminho para a paz”, escreveu Edmundo González Urrutia, candidato da oposição venezuelana, na rede social X, no passado domingo, 4 de agosto.
Urrutia reagia às palavras de Francisco no Angelus nesse mesmo dia, quando este manifestou a sua preocupação com a crise desencadeada após as eleições venezuelanas, depois das quais o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) deu a vitória ao atual presidente, Nicolás Maduro, uma vitória questionada pela oposição e por grande parte da comunidade internacional. O Papa também pediu “a resolução das disputas através do diálogo para o bem da população e não para os interesses de cada parte”.
“Rezamos para que a verdade e a transparência prevaleçam nestes tempos de escuridão e incerteza”, afirmou por seu lado o arcebispo do Panamá, José Domingo Ulloa Mendieta, citado pelo portal de notícias do Vaticano, durante a missa transmitida pela televisão também no domingo, ao convocar um Dia de Oração pela Venezuela. Este dia de oração é “um sinal de solidariedade para com a Igreja e o povo venezuelanos, porque temos a certeza de que ela é uma arma poderosa que pode transformar a realidade, por mais complicada que seja”.
Muitas outras vozes eclesiais têm-se juntado ao coro internacional que repudia os resultados divulgados. “Rezamos para que a verdade e o bem-estar do povo prevaleçam sobre o desejo de poder. Mas, acima de tudo, rezemos por todos os cidadãos que se encontram no meio de uma disputa eleitoral”, escreveu a Conferência Episcopal Mexicana, citada pelo Religión Digital. “A transparência duvidosa dos resultados eleitorais trouxe-vos, a nós e à comunidade internacional, uma grande incerteza quanto ao futuro. Como bispos no Chile, estamos conscientes do sofrimento que estas situações vos causam”, expressaram os bispos chilenos, citados pela Vida Nueva, numa carta difundida a 2 de agosto.
Nessa sexta-feira, o CNE ofereceu um segundo e, até agora, último balanço no qual ratificou o triunfo do presidente Nicolás Maduro com 51,95 por cento dos votos, enquanto González Urrutia obteve 43,18 por cento, com 96,87 por cento dos votos contados, que ainda não foram publicados.
Entretanto, a líder da oposição, María Corina Machado, insistiu no domingo que os relatórios das testemunhas de votação em “mais de 80 por cento das assembleias de voto e disponíveis em resultadosconvzla.com, não deixam margem para dúvidas. Edmundo González Urrutia é o presidente eleito da Venezuela”.
Os protestos que ocorrem desde segunda-feira, 29 de julho, em diferentes cidades do país deixaram, segundo o Governo, mais de 2.000 pessoas presas e dois soldados mortos. Além disso, a ONG Foro Penal divulgou que 11 civis morreram desde o início das manifestações.









