
O acordo sobre a defesa da biodiversidade Kunming-Montreal inclui importantes objetivos a serem atingidos nos próximos sete anos, nomeadamente restaurar 30 por cento dos ecossistemas degradados. Foto © ONU.
A Comissão Europeia (CE) saudou entusiasticamente o acordo sobre o Quadro Global de Defesa da Biodiversidade Kunming-Montreal, obtido ao longo da madrugada de domingo para segunda-feira pelos 195 países representados na COP15, reunidos naquela cidade do Canadá até esta segunda-feira, 19 de dezembro.
No seu comunicado de Imprensa, a CE sublinha que o consenso obtido “contém objetivos e metas globais” para “proteger e recuperar a natureza para as gerações atuais e futuras, garantir o seu uso sustentável e estimular os investimentos na economia global verde”. “Juntamente com o Acordo de Paris sobre o clima”, continua o comunicado, este novo acordo “abre caminho para um mundo com clima neutro, amigo da natureza e resiliente até 2050”.
De igual modo, Francisco Ferreira, presidente da associação ambientalista Zero, classificou, em declarações ao 7MARGENS, o Quadro Global de Biodiversidade Kunming-Montreal como “um acordo histórico”, resultante de “quatro anos de conversações e de duas semanas de intensas negociações” que “procura colocar a humanidade no caminho certo, com a visão de ‘viver em harmonia com a natureza’ em 2050”.
Francisco Ferreira assinala como ponto particularmente importante a decisão de “constituir um Fundo do Quadro Global para a Biodiversidade para complementar o apoio existente e aumentar o financiamento, principalmente dos países menos desenvolvidos”. Olhando para o futuro, acrescenta: “Para a Zero, é fundamental que as decisões agora tomadas à escala global tenham um reflexo em todas as políticas nacionais e, em particular, no domínio da conservação da natureza.”
O acordo sobre a defesa da biodiversidade Kunming-Montreal inclui importantes objetivos a serem atingidos nos próximos sete anos (até 2030): restaurar 30 por cento dos ecossistemas degradados (na terra e no mar); conservar e gerir 30 por cento das áreas (terrestre, fluvial, costeira e marinha) até 2030; reduzir o risco do uso de pesticidas em pelo menos 50 por cento; reduzir os riscos de poluição e os impactos negativos da poluição de todas as fontes para níveis que não sejam prejudiciais à biodiversidade e às funções do ecossistema; reduzir a pegada global de consumo, diminuindo significativamente o consumo excessivo e a produção de resíduos, bem como cortar para metade o desperdício de alimentos.
O pacto impõe também o compromisso de parar a extinção de espécies conhecidas e, até 2050, reduzir em dez vezes o risco e a taxa de extinção de todas as espécies (incluindo as desconhecidas).
Além de criar mecanismos de acompanhamento do modo como cada país concretiza as decisões agora tomadas, o acordo inclui a mobilização nos próximos sete anos de 200 mil milhões de dólares anuais de financiamento público e privado para a defesa da biodiversidade nos países menos desenvolvidos.










