Celebrações religiosas comunitárias regressam a 30 de Maio, mas com regras apertadas

| 30 Abr 20

Igreja Dornes (Ferreira do Zêzere)

Igreja de Dornes (Ferreira do Zêzere): as portas dos espaços de culto continuarão fechadas até final do mês de Maio. Foto © Arlindo Homem

 

As celebrações religiosas comunitárias regressarão no fim-de-semana de 30/31 de Maio, mas mesmo assim sujeitas a regras específicas a definir entre a Direcção-Geral da Saúde (DGS) e as diferentes confissões religiosas. Essas regras deverão ter em conta a capacidade e características de cada um dos templos.

O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro, António Costa, ao final da tarde de hoje, em conferência de imprensa. Na ocasião, o chefe do Governo referiu em detalhe as medidas para o fim do estado de emergência e a passagem do país ao estado de calamidade pública, que entrará em vigor a partir da próxima segunda-feira, 4 de Maio.

De acordo com o chefe do Executivo, as regras terão em conta “as caraterísticas específicas dos respectivos templos ou locais de culto” ou as próprias formas de culto”, já que ele difere de uma confissão para a outra, acrescentou.

Também os funerais poderão passar a ser celebrados com a presença de familiares, referiu ainda o primeiro-ministro, justificando a decisão com o facto de não aumentar sofrimento ao tempo doloroso que as pessoas já estão a viver.

Vários factores indiciavam este calendário. Entre eles, o facto de a Conferência Episcopal católica ter decidido a suspensão das celebrações comunitárias (e com limitações para baptizados, casamentos e funerais) a 13 de Março, dias antes da imposição do estado de emergência; a interdição da peregrinação de 12-13 de Maio, em Fátima, que provocaria, no caso católico, uma discrepância entre o “fecho” de Fátima – que seria sempre mantido – e a abertura de igrejas e espaços de culto, se a data fosse anterior; e também a disponibilidade dos responsáveis das comunidades muçulmanas para manter as mesquitas fechadas até final de Maio, coincidindo com o Ramadão, quando os crentes são chamados a ir com mais frequência à oração comunitária e as mesquitas ficam mais cheias.

No início da semana passada, na reunião entre o primeiro-ministro António Costa e o patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, terá já sido ajustado o essencial da decisão que hoje foi anunciada. Nessa ocasião, Costa elogiou o “exemplo” da hierarquia católica, precisamente por se ter antecipado ao calendário estatal.

Apesar disso, houve episódios localizados de estruturas e padres católicos que desobedeceram às recomendações iniciais dos bispos e, mesmo, à interdição legal da abertura de igrejas.

Em conjunto com as diferentes confissões religiosas, a DGS irá estudar as medidas concretas a prever em cada caso. Mas elas deverão incluir procedimentos que estão também previstos para outros espaços e actividades: desinfecção, lotação reduzida e condicionada, distanciamento social, uso de máscara e de álcool ou líquidos desinfectantes.

No caso católico, há um grupo de trabalho, coordenado pelo bispo auxiliar de Lisboa, Américo Aguiar, que se articulará com a DGS. E a hierarquia católica deverá ainda desaconselhar a distribuição da comunhão (hóstia) na boca (uma restrição contestada por pessoas mais tradicionalistas), do abraço da paz (gesto litúrgico em que as pessoas se saúdam, durante a missa) e o uso das pias de água benta à entrada das igrejas – medidas que já tinham sido desaconselhadas pelos bispos logo que apareceram os primeiros casos de covid-19 em Portugal.

O plano do Governo para esta nova etapa de combate à pandemia da covid-19 prevê a reabertura de actividades e serviços de forma “gradual e progressiva”, em três datas diferentes (4 e 18 de Maio, e 1 de Junho). A situação será avaliada a cada momento e o Governo pode dar um passo atrás, como referiu o primeiro-ministro, em função da evolução da curva de contágios. António Costa insistiu várias vezes no compromisso individual com normas de higiene e distanciamento e, em praticamente todos os espaços fechados, será obrigatório o uso de máscaras.

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