Um Pacto assinado no Pico

Cem jovens a caminho da JMJ sobem à montanha mais alta do país

| 24 Jul 2023

Subida ao Pico, JMJ, Diocese de Angra

O grupo inicial na subida ao Pico no âmbito da Jornada Mundial da Juventude (JMJ). Foto © Agência Ecclesia/TAM

 

A caminho da Jornada Mundial da Juventude, 94 jovens açorianos sobem nesta segunda-feira à noite ao ponto mais alto do país, a montanha do Pico, na ilha açoriana do Pico. É a 2351 metros de altitude, com o nascer do sol como pano de fundo, que vai acontecer uma missa de envio na qual vão estar presentes jovens de seis ilhas da região autónoma dos Açores, com o bispo da diocese de Angra, que preside à missa de envio, celebrada ao nascer do sol de terça-feira, 25 de Julho.

Em entrevista à TSF, Armando Esteves Domingues recorda como nasceu a ideia e antecipa as dificuldades que se esperam numa caminhada que inclui quatro horas de subida mais quatro horas de descida. “De certa forma, fui eu que lancei este veneno”, conta.

A ideia surgiu depois de um encontro com jovens da ilha. “É preciso vencer as barreiras. É preciso subir. É mesmo essas dificuldades que quero. É o ponto mais alto. Como diz o poeta, é o cais do céu. Quem me pergunta se estou preparado digo que psicologicamente estou. Fisicamente logo se vê”, confessa o bispo.

No ponto mais alto do país, os jovens não vão esquecer as palavras do Papa Francisco que, na encíclica Laudato Si’, alertou para os perigos que o meio ambiente enfrenta. O grupo de jovens vai assinar o Pacto da Montanha, inspirado nas encíclicas Laudato Si’ e Fratelli Tutti, do Papa Francisco, e no qual se “comprometem com o cuidado da Casa Comum, de forma a que possa ser a casa de todos”, refere a Ecclesia.

“Que sejamos um só a olhar o mundo e a humanidade e que colaboremos nesta única humanidade para preservar, dignificar e tornar mais bela a criação onde nós vivemos”, diz o bispo, a propósito do mesmo Pacto.

O grupo inicial, que começou a caminhada debaixo de chuva ligeira, integrava 25 jovens que irão dormir na cratera, prevendo-se uma vigília de oração às 22h locais (23h de segunda-feira em Lisboa), à mesma hora que, em todas as igrejas JMJ da Diocese de Angra será celebrada uma eucaristia de ação de graças pelos jovens.

À meia-noite, um segundo grupo com mais de 100 jovens de seis ilhas inicia a subida, acompanhado por vários padres e pelo bispo da diocese.

 

“Humanamente de rastos”

Armando Esteves Domingues foi nomeado há um ano bispo de Angra e começou oficialmente a trabalhar em Janeiro. Pouco depois de ter assumido esse papel, o bispo teve de lidar com o impacto do relatório da Comissão Independente que investigou os abusos sexuais na Igreja Católica.

Em Março, dois padres foram afastados temporariamente. O bispo reconhece que foi um momento difícil e garante que a diocese continua atenta. “Deixou-me humanamente de rastos. Pensar nestas vítimas sempre inocentes, até na perceção das coisas e uma sociedade também a querer ser inocente e cega na aceitação da realidade que é a monstruosidade dos abusos dentro e fora da Igreja. Mas dentro da Igreja é ainda pior”, diz ele na entrevista à TSF.

“Houve denúncias. Os processos também ainda estão a decorrer, tanto os do Ministério Público como os que a própria diocese fez. Há que comprovar. Os processos estão em Roma, estão a seguir o seu caminho. Gostaríamos que isto terminasse o quanto antes”, admite Armando Esteves Domingues. Se aparecer alguma denúncia, a “diocese estará sempre atenta porque decretamos a tolerância zero”.

 

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