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Bancarrota no Vaticano? Presidente da ASPA diz que não

| 22/10/2019

Bancarrota no Vaticano? Presidente da ASPA diz que não

by | 22 Out 19 | Igreja Católica, Papa Francisco, Últimas, Vaticano/Santa Sé

Faça-se luz sobre as finanças do Vaticano: a cúpula da Basílica de São Pedro do Vaticano. Foto © António Marujo

 

“Aqui não há colapso ou default. Só mesmo a necessidade de uma revisão dos gastos. E é isso que estamos a fazer. Posso provar isso com números”. Foi desta desta forma que o presidente da Administração do Património da Sede Apostólica (APSA), bispo Nunzio Galantino, comentou, desdramatizando, as notícias sobre a iminente bancarrota do Vaticano, noticiada pelos jornais a propósito de um novo livro sobre o Vaticano.

Numa entrevista ao jornal italiano Avvenire, citada pelo Religión Digital, Galantino explicou que “a situação atual da administração da Santa Sé não é nada de diferente do que poderia acontecer a qualquer família incluída em vários Estados e em diferentes continentes. A qualquer momento, quando se observa o que se gasta, verifica-se o que está a entrar e tenta-se reequilibrar os gastos”.

Quando questionado sobre o balanço financeiro da APSA, Galantino desmentiu que os recentes resultados negativos sejam uma consequência de “uma gestão clientelar e sem regras, da contabilidade fantasma e de uma obstinada sabotagem às ações do Papa”, como algumas notícias avançam. “De resto”, explica, “a gestão normal da APSA em 2018 encerrou com um lucro de mais de 22 milhões de euros. Os dados contabilizados como negativos devem-se exclusivamente a uma intervenção extraordinária, destinada a salvar o funcionamento de um hospital católico e os seus postos de trabalho.”

O presidente da APSA acrescenta ainda, na entrevista ao Avvenire, dados relativos às propriedades que são geridas pelo seu departamento: “Estamos a falar de 2.400 apartamentos, a maioria localizados em Roma e em Castel Gandolfo, e 600 escritórios e lojas. Aqueles que não geram rendimentos são os apartamentos ao serviço os escritórios da Cúria.” Comparando a gestão das grandes empresas privadas com o Vaticano, Galantino acrescenta ainda que qualquer tipo de má gestão demonstra negligência. “Se isto se faz no Vaticano, então somos incompetentes, ou pior ainda, não sabemos administrar o património.”

“Pôr o Papa contra a Cúria”, conclui, “é um cliché jornalístico gasto. E é por isso que tratamos de fazer exatamente e só aquilo que o Papa quer. Outras leituras disto assemelham-se mais ao ‘Código Da Vinci’”, afimou, numa alusão à obra de ficção publicada há anos.

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