Cerca de 2,2 milhões de portugueses em risco de pobreza

| 27 Nov 19

Grafite numa rua de Valência (Espanha) alusivo aos pobres. Foto © Joanbanjo/Wikimedia Commons

 

Cerca de 2,2 milhões de pessoas continuam em risco de pobreza em Portugal, apesar de a taxa de risco de pobreza ter baixado em 0,1 por cento entre 2017 e 2018, de acordo com dados divulgados esta terça-feira, 26 de Novembro, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

De acordo o Inquérito às Condições de Vida e Rendimento, realizado em 2019 sobre rendimentos do ano anterior, 17,2% das pessoas estavam em risco de pobreza em 2018 – o que significa menos 3,2% do que em 2003.

Uma síntese do inquérito divulgada pela Lusa e citada por vários meios de comunicação refere que a taxa de risco de pobreza correspondia, em 2018, à proporção de habitantes com rendimentos monetários líquidos inferiores a 6.014 euros anuais, o equivalente a 501 euros mensais, mais 34 euros relativamente a 2017.

A redução do risco de pobreza abrangeu em particular as crianças e os jovens, passando de 19% em 2017 para 18,5% em 2018. Também a taxa de risco entre a população idosa baixou de 17,7% para 17,3%.

Apesar da redução do risco de pobreza infantil, em 2018 a presença das crianças num agregado familiar continuava a estar associada a um risco de pobreza acrescido, sobretudo no caso dos agregados constituídos por um adulto com pelo menos uma criança dependente (33,9%) ou nos que são constituídos por dois adultos com três ou mais crianças dependentes (30,2%”), conclui o estudo do INE.

Também o risco de pobreza para as mulheres baixou de 17,9% para 17,8% entre 2018 e 2017, tendo-se mantido nos homens (16,6%).

Reagindo a estes números, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, considerou serem necessárias “estratégias globais” para combater o fenómeno”, afirmando que a descida da taxa de risco “não é muito significativa”. A situação de “tanta gente na sociedade portuguesa” é “muito injusta”, acrescentou, citado na Rádio Renascença.

“É uma sociedade e uma economia que crescem, mas em que o crescimento ainda não chega a muitos portugueses. Por isso, é preciso crescer mais, mas é também preciso olhar para estratégias globais para a pobreza. Há estratégias pontuais, mas, em momentos muito críticos da sociedade portuguesa, já houve a ideia de uma estratégia global para a pobreza”, afirmou ainda o PR, citado pela mesma fonte.

Artigos relacionados

Pin It on Pinterest

Share This