Cerimónia inter-religiosa: Marcelo pede pacificação, D. José Ornelas condena extremismos

| 9 Mar 2021

Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República, diálogo inter-religioso

Cerimónia inter-religiosa decorreu a pedido do Presidente da República no salão nobre da Câmara Municipal do Porto, no primeiro dia do seu segundo mandato. Foto: Miguel Nogueira/CM Porto.

 

“A liberdade de crer, que é mais do que a liberdade de culto para os crentes, é a liberdade de agir no espaço público em conformidade com os valores essenciais da sua fé, da sua visão da pessoa e da comunidade”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa nesta terça-feira, 9 de março, o primeiro dia do seu segundo mandato como Presidente da República. A afirmação foi feita na cerimónia inter-religiosa que decorreu a seu pedido no salão nobre da Câmara Municipal do Porto a meio da tarde e em que, além de diversas entidades oficiais, estiveram 13 convidados, representantes das diversas confissões religiosas.

O Presidente da República lembrou, citado pela Ecclesia, que a Constituição da República defende como liberdade fundamental, “a liberdade religiosa, a liberdade de crer e de não crer” e pediu aos responsáveis presentes que “crentes e não crentes” respeitem “a liberdade alheia, não a queiram limitar, não a queiram condicionar, não a queiram esvaziar em homenagem às suas posições pessoais.” Marcelo desafiou as confissões religiosas a contribuírem para “a pacificação dos espíritos e aceitação do diferente” e agradeceu-lhes o contributo dado “ao longo de um ano de pandemia” a “milhares e milhares de portugueses.”

“Num mundo de crescentes tensões e violências, onde pessoas e grupos extremistas manipulam princípios importantes e fundamentais, como o sentido de pátria, como o sentido religioso, e os colocam ao serviço de ideologias e projetos que realmente os negam e aviltam, penso que é importante que estejamos unidos para afirmar que a violência não é compatível com a expressão da fé, mas a sua negação”, declarou D. José Ornelas, falando  na mesma cerimónia em que todos os presentes leram uma oração conjunta: “Faz com que todos os povos vivam de acordo com a tua lei de amor”.

Ao fim da tarde, o Presidente da República deslocou-se ao Centro Cultural Islâmico do Porto onde declarou que “o Presidente da República é, naturalmente, Presidente eleito pelos nacionais portugueses, mas é Presidente também de todos os que vivem em Portugal, mesmo não sendo portugueses, ou não sendo portugueses de origem”.

Marcelo Rebelo de Sousa lembrou a diáspora portuguesa para sublinhar: “Não podemos querer, para os que partem de Portugal para os confins do mundo, aquilo que não estamos dispostos a dar aos que chegam do mundo a Portugal.”

Já depois disto, a Presidência anunciou que, tal como aconteceu há cinco anos, Marcelo Rebelo de Sousa se desloca na próxima sexta-feira, 12, ao Vaticano, onde será recebido pelo Papa Francisco, “dias depois da histórica visita ao Iraque”.

Numa nota divulgada ainda no domingo, o PR referiu-se à viagem de Francisco como tendo transmitido ao povo iraquiano “e ao mundo uma emocionante mensagem de esperança”. A visita mostrou, acrescentava, “como pode um país, marcado pelos horrores da guerra, fazer da diversidade étnica e religiosa um instrumento permanente de superação e diálogo. E revela a importância das palavras e dos atos na construção de um caminho de união, solidariedade e inclusão, pilares estruturantes da paz duradoura e de sociedades mais prósperas e justas”.


Marcelo no Centro Islâmico do Porto: “Presidente também de todos os que vivem em Portugal, mesmo não sendo portugueses, ou não sendo portugueses de origem Foto: Presidência da República/YouTube

 

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

“Seria grande caridade tratar do caso com urgência”

Cartas de Luiza Andaluz em livro

“Seria grande caridade tratar do caso com urgência” novidade

Preocupações com um homem que estava preso, com o funcionamento de uma oficina de costura para raparigas que não tinham trabalho, com a comida para uma casa de meninas órfãs. E também o relato pessoal de como sentiu nascer-lhe a vocação. Em várias cartas, escritas entre 1905 e 1971 e agora publicadas, Luiza Andaluz, fundadora das Servas de Nossa Senhora de Fátima, dá conta das preocupações sociais que a nortearam ao longo do seu trabalho e na definição do carisma da sua congregação.

Agenda

Fale connosco

Pin It on Pinterest

Share This