Lisboa

Cerveja artesanal, restauros ao vivo e túneis secretos: assim se revitaliza a igreja do Castelo

| 17 Mai 2024

Igreja de Santa Cruz do Castelo, durante apresentação do projeto de revitalização, 16 maio 2024. Foto Torre da Igreja

A igreja de Santa Cruz do Castelo encheu-se nesta quinta-feira, para a apresentação do projeto de revitalização. Foto © Torre da Igreja

São necessários 200 mil euros para preservar o património cultural e religioso da igreja do Castelo, em Lisboa. Missão impossível? Não na perspetiva do seu pároco, Edgar Clara, que acaba de apresentar um plano de atividades para angariar o dinheiro que é preciso: dele fazem parte sessões de restauro ao vivo, visitas guiadas à igreja e ao bairro do Castelo de São Jorge, e o lançamento da cerveja artesanal “Santa Cruz”, em cujo fabrico até deu uma mãozinha.

Os restauros ao vivo deverão iniciar-se a partir de outubro e possibilitarão aos visitantes uma experiência que não é comum: interagir com os conservadores-restauradores enquanto estes desenvolvem o seu trabalho, neste caso sobre 11 telas pertencentes ao espólio daquela que é também conhecida como igreja de Santa Cruz. As telas, da autoria de Domingos António de Sequeira, pintor português da segunda metade do século XVIII, retratam os mártires da Cartuxa de Londres e terão vindo da Cartuxa de Évora.

Já as visitas interpretativas decorrerão nos meses de julho e setembro, sempre acompanhadas pelo próprio padre Edgar Clara, e darão acesso aos túneis por baixo da igreja, que estão a ser estudados por uma equipa de arqueólogos e que eram, até ao momento, desconhecidos do grande público.

O padre Edgar Clara e algumas paroquianas na Igreja de Santa Cruz do Castelo. Foto Torre da Igreja

O padre Edgar Clara e um grupo de paroquianas mostram algumas das telas que vão ser objeto de restauro. Foto © Torre da Igreja

O lançamento de uma cerveja artesanal de medronho e cardamomo – que irá ter o mesmo nome da igreja, “Santa Cruz”, – e de outra especialidade gastronómica – os biscoitos de alfazema – foram também revelados pelo pároco responsável durante a apresentação do projeto, que decorreu esta quinta-feira, 16 de maio, perante uma igreja cheia. O presbítero fez questão de participar no processo de produção das primeiras cervejas, que se encontram atualmente na fase de fermentação,

Envolvendo os moradores do bairro, organizações parceiras e turistas, o programa cultural contará, ainda, com uma exposição fotográfica sobre as Bem-aventuranças, intitulada “Amor Causa”. Também a Associação Amigos dos Castelo decidiu juntar-se ao projeto para desenvolver atividades dirigidas a crianças e adultos, que brevemente serão divulgadas.

No próximo ano, em abril, será realizado um simpósio sobre o património cultural da igreja do Castelo e o contexto histórico e arqueológico do bairro em que se insere.

“Este projeto destaca-se por ser um bom exemplo e tem a vontade clara de pôr em prática os principais desafios que se impõem ao turismo cultural e religioso”, afirmou o coordenador do projeto Quo Vadis – Turismo do Patriarcado de Lisboa, José Manuel Pimenta, presente no evento. E sublinhou: “o património religioso e cultural das igrejas do Patriarcado de Lisboa agrega a memória e identidade coletiva com séculos de consolidação”. “Foi aqui que nasceu Lisboa”, assinalou por seu lado o presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, Miguel Coelho, onde se localiza a igreja.

Trata-se de uma edificação do século XVIII, mas que ocupa a implantação do templo primitivo construído no século XII, onde existia uma mesquita. Após a conquista de Lisboa a 25 de outubro de 1147, esta terá sido purificada e sagrada pelo então arcebispo de Braga, João Peculiar, e por mais quatro bispos sufragâneos. Esta sagração terá ocorrido a 1 de novembro desse mesmo ano, para nela entrar o cortejo real, liderado por D. Afonso Henriques, junto com uma relíquia da Santa Cruz, hoje exposta em permanência no interior da igreja.

Vista da torre da igreja do castelo de sao jorge. Foto Torre da Igreja

Vista da torre sineira da igreja do Castelo, à qual é possível subir desde 2018. Foto © Torre da Igreja

Desde 2018, fruto de uma iniciativa anterior do padre Edgar Clara e da empresa de gestão de património cultural Signinum, passou a ser possível visitar a torre sineira da igreja de Santa Cruz, um dos pontos mais altos da Lisboa antiga, que foi reconstruída após o terramoto de 1755 e oferece uma das melhores vistas sobre a capital e o rio Tejo. A entrada é feita pela antiga capela mortuária, onde se encontra a bilheteira e uma loja de recordações, cujos lucros contribuem também para a sustentabilidade do projeto.

Mais informações sobre a iniciativa e o modo de apoiá-la podem ser encontradas no sítio oficial da igreja.

Recorde-se que o padre Edgar Clara foi também o mentor do programa de reabilitação da Igreja de São Cristóvão, na Mouraria. Intitulado “Arte por São Cristóvão”, este foi um dos projetos vencedores do Orçamento Participativo de Lisboa 2014, num caso único de envolvimento de uma comunidade católica, artistas, investigadores e a autarquia.

 

 

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