
Putin e o Patriarca ortodoxo, no Kremlin, em novembro de 2021. Cirilo pediu e Putin decidiu-se pelo cessar-fogo. Foto © Kremlin.ru, CC BY 4.0, via Wikimedia Commons.
Poucas horas depois de o Patriarca de Moscovo o ter solicitado, o Presidente russo, Vladimir Putin, anunciou um cessar-fogo de 36 horas com o fim de permitir que a população e as forças militares do país celebrem o Natal, de acordo com o calendário juliano, seguido pelos ortodoxos russos.
Nesta quinta-feira, 5, logo de manhã, o patriarca Cirilo anunciava um apelo que havia dirigido a Putin, no qual pedia “a todas as partes envolvidas no conflito destrutivo para cessar o fogo e estabelecer uma trégua de Natal das 12 horas de 6 de janeiro [24 de dezembro no calendário juliano] às zero horas de 8 de janeiro, para que o povo ortodoxo possa comparecer aos atos de culto na véspera de Natal e no dia da Natividade de Cristo”.
Logo a seguir, o Presidente exarou um decreto em que “levando em consideração o apelo de Sua Santidade o Patriarca Cirilo”, instrui o ministro da Defesa da Federação Russa a introduzir um regime de cessar-fogo ao longo de toda a linha de contacto das partes na Ucrânia”, precisamente no horário definido pelo líder religioso.
“Considerando que um grande número de cidadãos que professam a ortodoxia vivem nas áreas de conflito, pedimos ao lado ucraniano que declare um cessar-fogo e permita que eles participem nas cerimónias religiosas, quer na véspera quer no dia de Natal”, sublinhou Putin.
Segundo a BBC, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelenski recusou a proposta, dizendo que a Rússia queria usar a trégua para travar os avanços ucranianos na região leste de Donbass e trazer mais homens e equipamentos.
Por sua vez, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Dmitro Kuleba, considerou que Moscovo ignorou as propostas de paz do Presidente Zelenski, bombardeando Kherson na véspera de Natal e aumentando os ataques na véspera de Ano Novo, o que revelaria uma “incapacidade” de “cessar as hostilidades durante os feriados religiosos”.
Recorde-se que os ortodoxos seguem o calendário juliano, atrasado 14 dias em relação ao gregoriano – ou seja, a data de 25 de dezembro dos ortodoxos coincide com 7 de janeiro do calendário ocidental. Na Ucrânia, de maioria ortodoxa, foi dada a possibilidade de todos os ucranianos celebrarem a Natividade de Jesus no passado dia 25 de dezembro do calendário gregoriano, data em que as outras confissões cristãs o fazem.









