
Um agente policial de 29 anos foi queimado vivo dentro do veículo onde se encontrava, durante os violentos protestos ocorridos no início desta semana no sul do Peru. Foto partilhada nas redes sociais da Conferência Episcopal Peruana.
O Conselho Permanente da Conferência Episcopal Peruana condenou o atentado contra uma patrulha policial na região de Puno, no sul do país, que terminou com a morte de um agente de 29 anos, o qual foi queimado vivo dentro do veículo onde se encontrava, durante os violentos protestos ocorridos no início desta semana.
“Não podemos voltar aos tempos sombrios de terror que afligiram o nosso país durante 20 anos. Esta situação merece a rejeição vigorosa e contundente de todos, e a reafirmação urgente do apelo imperativo de: ‘Não à violência, venha ela de onde vier! Chega de mortes! A vida é sagrada!”, escreveram os bispos num comunicado divulgado ao final do dia 10 de janeiro nas suas redes sociais.
Na mensagem, os bispos enviaram “sinceras condolências” aos familiares da vítima e à Polícia Nacional do Peru, bem como às famílias dos 17 civis que haviam morrido no dia anterior durante confrontos entre manifestantes e agentes de polícia no aeroporto da cidade de Juliaca.
A Conferência Episcopal Peruana exige que todas as mortes sejam investigadas e exorta os manifestantes a “garantir a transferência dos feridos, permitindo que as ambulâncias cheguem ao local e se desloquem para os hospitais”.
Já esta quarta-feira, 11 de janeiro, era divulgado um comunicado dos bispos do Paraguai, solidarizando-se com o povo peruano e unindo-se ao grito dos bispos do Peru. “Lamentamos que o caminho da verdade, através do direito e da justiça, seja percorrido pelas vias da violência e arbitrariedade, em prejuízo da vida humana”, escreveram. “Fazemos um apelo ao diálogo e à paz no Peru.”
Número de mortos sobe para 48
De acordo com o balanço desta quinta-feira, 12 de janeiro, o número total de mortos nos protestos contra o governo vai já em 48. Segundo a Provedoria do Povo, 40 manifestantes morreram desde o início dos protestos em confrontos diretos com agentes das forças de segurança, além de um agente policial, enquanto outras sete pessoas perderam a vida “devido a acidentes de trânsito e incidentes relacionados com o bloqueio” de estradas.
Embora a grande maioria dos protestos ocorra no sul do Peru, na região de San Martín (norte) foi também bloqueada uma secção da principal autoestrada da região situada junto ao Amazonas.
Os manifestantes exigem a demissão da atual Presidente, Dina Boluarte, a dissolução do Congresso, eleições gerais e uma assembleia constituinte.
Os protestos eclodiram em dezembro, quando o ex-Presidente Pedro Castillo, no poder entre 2021 e 2022, foi condenado a 18 meses de prisão preventiva sob a acusação de promover um “golpe de Estado”.
O Ministério Público peruano anunciou na terça-feira a abertura de uma investigação por “genocídio” contra a Presidente e vários altos funcionários pela repressão às manifestações antigovernamentais.
Uma delegação da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) chegou na quarta-feira ao Peru para uma visita de observação da “situação dos direitos humanos” no país.










