Iniciativa do 7MARGENS

Chegou o jornal 7MONTES, que quer “gerar futuro” em Trás-os-Montes

| 24 Jan 2024

Os objetivos do projeto passam por “divulgar Trás-os-Montes, muitas das vezes vista como um lugar vazio e sem interesse, seja através de texto, imagens, som ou vídeo”. Foto: Direitos reservados

 

Já está online o 7MONTES, o novo jornal digital que resulta de uma iniciativa sem fins lucrativos lançada pelo 7MARGENS e selecionada no passado mês de dezembro para receber o financiamento do programa europeu Local Media for Democracy, destinado a servir comunidades locais que residam em áreas consideradas “desertos noticiosos”. Centrado na realidade de Trás-os-Montes, o 7MONTES pretende, através da difusão de notícias, histórias e realidades, “apoiar a capacidade de gerar futuro” naquela que é uma das regiões mais isoladas e esquecidas de Portugal.

No endereço 7montes.pt, é possível, a partir desta quinta-feira, 25 de janeiro, encontrar notícias e reportagens sobre os lugares, a cultura e as tradições trasmontanas, bem como entrevistas e testemunhos de pessoas que ali residem e trabalham, e ainda uma galeria fotográfica, um podcast, ou uma agenda com iniciativas relevantes. Uma newsletter com as principais publicações da semana será enviada gratuitamente aos subscritores do jornal, todas as quintas-feiras.

Os objetivos do projeto passam por “divulgar Trás-os-Montes, muitas das vezes vista como um lugar vazio e sem interesse, seja através de texto, imagens, som ou vídeo”, explica Rúben Castanheiro, um dos jornalistas que integra a equipa do 7MONTES. “E dar a conhecer novas pessoas, que se esforçam no dia-a-dia para fazer aquilo que mais gostam, mas a quem não se dá o devido valor”, acrescenta.

Para este jovem jornalista de 21 anos, residente em Vila Flor (distrito de Bragança), o projeto “tem um significado muito especial”. “Sou transmontano de gema, defensor dos meus princípios enquanto habitante do meio rural. Para mim, falar do que tenho a oportunidade de viver no dia-a-dia é uma honra. Mas também serve para conhecer outras realidades que ainda não tinha tido oportunidade de conhecer”, sublinha.

Filipe Ribeiro, 38 anos, que também integra a Redação do 7MONTES, destaca por seu lado o facto de o jornal dar “visibilidade a projetos inovadores e a novas ideias de desenvolvimento do território”. Para este jornalista, natural de Vila Real, fazer parte do 7MONTES “significa participar num projeto diferenciador, que contribui para a preservação da identidade da região, para a divulgação da sua cultura, dos hábitos e dos costumes, e ainda ajudar a dar reconhecimento e visibilidade a novos agentes do território”.

Algo que se torna ainda mais importante “numa época em que a imprensa regional e local está ameaçada, por força dos sucessivos aumentos dos custos de contexto e dos custos relacionados com a produção, numa região em que o tecido empresarial é pouco denso e é difícil dar suporte a projetos editoriais mais tradicionais”, refere ainda Filipe Ribeiro.

 

Projeto bem acolhido pelos meios de comunicação locais

Além de notícias, reportagens e entrevistas, o jornal inclui uma galeria fotográfica, um podcast, e uma agenda com eventos relevantes. Foto: Direitos reservados

 

Precisamente devido a essas ameaças, o projeto está a ser bem recebido também pelos meios de comunicação locais existentes na região. Para Paulo Afonso, administrador do Jornal Nordeste e da Rádio Brigantia, o 7MONTES chega “numa fase mais crucial do que nunca, ao nível da sobrevivência dos meios de comunicação social”. “Nesta fase – defende –, todos somos poucos para poder informar com responsabilidade no sentido de dar um contributo útil para os preceitos fundamentais da democracia.”

O jornalista recorda que “Trás-os-Montes é uma região com cerca de 450 mil habitantes, sendo que na diáspora tem mais de 800 mil, isto é: só metade das pessoas é que continuam a residir aqui e a sua média de idades está acima dos 60 anos”.

Este quadro, alerta, “é preocupante em termos humanos, pois estamos a falar de pessoas isoladas, sozinhas, com carências, poucos recursos financeiros e pouca literacia. É preciso olhar para isso também sob o ponto de vista editorial”. E acrescenta: “É preciso olhar com atenção para a área social e da saúde, para a agricultura que está completamente desestruturada, para a economia absolutamente frágil e débil, para a inexistência de indústria, e colocar esta realidade a nu para que quem cá vive tenha consciência da realidade integrada, e também fazer chegar as nossas notícias a quem de direito, para que esses sejam pressionados a tomar atitudes.”

João Vilela, diretor d’A Voz de Trás o Montes, concorda: “Um novo projeto jornalístico, no momento que vivemos, é algo digno de registo, ainda mais em Trás-os-Montes, onde há um défice de órgãos de comunicação social.” O responsável por aquele semanário regional, que conta já com mais de 75 anos de publicação, considera que o 7MONTES “acrescenta valor à região e à informação e é um contributo relevante para a promoção do território”.

Uma opinião partilhada ainda por António Gonçalves Rodrigues, diretor do Mensageiro de Bragança. “Sendo esta uma região em risco de despovoamento e em que os órgãos de comunicação social têm desaparecido em grande ritmo nos últimos dez anos, um novo projeto é uma lufada de ar fresco para toda a região”, afirma ao 7MARGENS o responsável por aquele que é o mais antigo jornal trasmontano, fundado em 1940. E assinala outro ponto positivo: “É um projeto que vem dar oportunidade de trabalho aos jovens que são daqui e estudaram aqui, para que possam permanecer, fixando assim mais mão de obra jovem em Trás-os-Montes”. E cumprindo, portanto, o seu grande propósito: “gerar futuro” na região.

 

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