
Santuário dedicado a Nossa Senhora Nas Montanhas, na China: dos dois lados já se reza pela renovação do acordo? Foto © ACN-Portugal
O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) da China afirmou que o acordo provisório entre o país e o Vaticano foi “executado com sucesso”. Quinta-feira, 10, em conferência de imprensa, o porta-voz Zhao Lijian, afirmou que, “com os esforços concertados de ambas as partes, o acordo provisório sobre a nomeação de bispos entre a China e o Vaticano tem sido executado com sucesso desde que foi assinado há cerca de dois anos”.
A declaração foi feita numa resposta à Phoenix TV, um canal de televisão da China, nas vésperas de expirar o acordo provisório (o que acontecerá dia 22, quando se completam dois anos sobre a sua assinatura), e transcrita na página oficial do MNE da China.
Na quarta-feira, 9, a Bloomberg informara que o acordo seria renovado durante as próximas semanas. O porta-voz do MNE chinês garantiu que a China e o Vaticano se apoiaram mutuamente nas questões relacionadas com a pandemia, continuando “empenhadas na defesa da segurança global da saúde pública, e acumularam maior confiança mútua e consensos através de uma série de interacções positivas. As duas partes continuarão a manter uma estreita comunicação e consulta e a melhorar as relações bilaterais”, afirmou, citado pela Catholic News Agency (CNA), a agência noticiosa da Igreja Católica nos EUA.
Apesar destas declarações, continua a haver relatos de detenção de católicos, demolições de igrejas e remoção de cruzes. Mas a CNA cita outros motivos de preocupação em relação à falta de liberdade religiosa no país: a exigência do “patriotismo” ser acrescentado à celebração da liturgia; a entrada em vigor da nova lei de segurança em Hong Kong, contra a qual muitos católicos se manifestaram; o aumento da perseguição ao islão, com pelo menos 900 mil muçulmanos uigures detidos em campos de internamento sob tortura, doutrinação, esterilização e trabalhos forçados, entre outros abusos; o silêncio do Papa sobre Hong Kong ou os uigures; ou a notícia, nunca confirmada, de que piratas informáticos chineses tinham violado as redes do Vaticano, com o objectivo de dar à China vantagens nas negociações com a Santa Sé.









