China esconde trabalho forçado de um milhão de pessoas em campos de internamento

| 26 Nov 19 | Direitos Humanos, Estado, Política e Religiões, Islão, Liberdade religiosa, Newsletter, Outras Religiões, Sociedade - homepage, Últimas

Imagem extraída de um vídeo do Wall Street Journal sobre os campos de concentração da minoria muçulmana de etnia uigur, dovulgado eno final de setembro deste ano

 

Um milhão de pessoas de minorias muçulmanas são reeducadas, punidas e encarceradas na China, naquela que é a maior violação dos direitos de minorias religiosas desde a II Guerra Mundial, denunciam documentos classificados do Partido Comunista Chinês (denominada como “China Cables”) e que revelam o funcionamento de uma vasta cadeia de campos de internamento chineses.

Os documentos foram obtidos pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (CIJI), do qual fazem parte jornais como o Expresso, The Guardian e El País. Neles se revela a vida quotidiana e a estrutura ideológica dos centros de internamento na região de Dabancheng, no noroeste de Xinjiang (província de Guizhou). Após a publicação das primeiras notícias, nos últimos dois dias, o Governo chinês desmentiu a veracidade dos documentos, classificando-os como “fabricados”, mas especialistas independentes concluíram que os dados são autênticos e verdadeiramente assustadores.

Desde o início, Pequim sempre negou a existência destes centros de detenção, em que os prisioneiros pertencem, na maior parte, a minorias étnicas. Além disto, vários testemunhos de antigos reclusos dos campos e imagens de satélite comprovam que a versão oficial está longe da verdade. Enquanto o Partido Comunista refere que estes campos são para “treino vocacional” voluntário, os documentos revelados dizem como os campos de Xinjiang devem ser construídos e geridos.

 

“Total controlo físico e mental dos reclusos”

Asssinado com o nome de Zhu Hailun, o oficial principal de segurança e deputado-chefe do Partido Comunista em Xinjiang, os documentos descrevem que os campos têm de servir um sistema restrito de total controlo físico e mental dos reclusos, com várias fechaduras colocadas em dormitórios, corredores, pisos e edifícios. Os reclusos podem ser presos sem prazo para a sua libertação – mas servindo pelo menos um ano nos campos. Estes devem ser geridos através de um sistema de pontos, em que cada prisioneiro recebe créditos pela “transformação ideológica”, “cumprimento da disciplina” e por “estudo e treino”.

Mesmo depois de terem completado a sua “transformação educacional”, os reclusos são movidos para outra secção de campos, nos quais são forçados a “treino em habilidades de trabalho” durante três a seis meses. Só podem ter contacto com os familiares através de chamadas telefónicas uma vez por semana ou por chamada de vídeo uma vez por mês, que podem ser suspensas como punição por mau comportamento.

Contudo, a maior prioridade é “prevenir a fuga”. Esta ordem requer completa vigilância de vídeo, 24 horas por dia e sem “pontos cegos”, em que se monitoriza o dia-a-dia de cada recluso. O controlo de todos os aspetos da sua vida é tão extenso que foi assinalado um local específico não só em dormitórios e salas de aula, mas também nas filas das cantinas durante a fila do almoço.

 

“Separação e secretismo”

Há diversos testemunhos de vítimas, que passaram pelos campos, descrevendo episódios de tortura, violação e abuso. No entanto, Zhu ordenou especificamente que nunca devem ser permitidas “mortes anormais”, como um sinal aparente de preocupação com as consequências de maus tratos.

Outros detalhes foram acrescentados por antigos prisioneiros dos campos. O tempo mínimo em prisão é de 12 meses e há dois níveis de campos: o superior para “educação” e o inferior para “trabalho”. Tem havido relatos credíveis de trabalhos forçados em Xinjiang, em que quem já “completou” os campos de reeducação pode ser forçado a trabalhar neste segundo grau de campos.

O documento citado exige “completo segredo” e, em aditamento a uma proibição da circulação de vídeos e câmaras, acrescenta que os responsáveis são obrigados a não agregar nenhuma informação importante. Desta forma, pretende-se prevenir que até aqueles que estão dentro do sistema saibam e compreendam o que está a acontecer nestes campos.

Artigos relacionados

Apoie o 7 Margens

Breves

A mulher que pode ter autoridade sobre os bispos

Francesca di Giovanni, nomeada pelo Papa para o cargo de subsecretária da Secção para as Relações com os Estados, considerou a sua escolha como “uma decisão inovadora [que] representa um sinal de atenção para com as mulheres.

Papa considera “superado” episódio do livro sobre celibato

O Papa Francisco terá considerado ultrapassado o episódio do início desta semana, a propósito do livro sobre o celibato, escrito pelo cardeal Robert Sarah, da Guiné-Conacri, e o Papa emérito Bento XVI (ou que o cardeal escreveu sozinho, usando também um texto de Ratzinger).

Henrique Joaquim: “Assistencialismo não tira da rua as pessoas sem-abrigo”

“O assistencialismo não tira a pessoa da rua, não resolve o problema; ainda que naquela noite tenha matado a fome a uma pessoa, não a tira dessa condição”, diz o gestor da Estratégia Nacional de Integração dos Sem-abrigo, Henrique Joaquim, que esta quinta-feira, 2 de Janeiro, iniciou as suas funções.

Inscreva-se aqui
e receba as nossas notícias

Boas notícias

Do Porto a Bissau: um diário de viagem no 7MARGENS dá origem a livro

Do Porto a Bissau: um diário de viagem no 7MARGENS dá origem a livro

A viagem começou a 3 de Fevereiro, diante da Sé do Porto: “Quando estacionámos o jipe em frente à catedral do Porto, às 15h30, a aragem fria que fustigava o morro da Sé ameaçava o calor ténue do sol que desmaiava o seu brilho no Rio Douro.” Terminaria doze dias depois, em Bissau: “Esta África está a pedir, em silêncio e já há muito tempo, uma obra de aglutinação de esforços da comunidade internacional, Igreja incluída, para sair do marasmo e atonia de uma pobreza endémica que tem funestas consequências.”

É notícia

Entre margens

Beleza e ecumenismo

A junção de beleza e ecumenismo evoca a luxuriante diversidade num jardim. A beleza tem afinidades com a surpresa: é a vitória sobre o banal, o monótono.

Cultura: novas histórias e paradigmas…

“Torna-se necessária uma evangelização que ilumine os novos modos de se relacionar com Deus, com os outros e com o ambiente, e que suscite os valores fundamentais” – afirma a exortação pastoral Evangelii Gaudium. Na mesma linha em que o Papa João XXIII apelava ao reconhecimento da importância dos “sinais dos tempos”, o Papa Francisco afirmou que: “É necessário chegar aonde são concebidas as novas histórias e paradigmas, alcançar com a Palavra de Jesus os núcleos mais profundos da alma das cidades.

Cultura e artes

Cinema: À Porta da Eternidade novidade

O realizador Julian Schnabel alterou, com este filme, alguns mitos acerca de Vincent van Gogh, considerado um dos maiores pintores de todos os tempos. Os cenários, a fotografia e a iluminação do filme produzem uma aproximação visual às telas do pintor, no período em que van Gogh parte para Arles, no sul de França, em busca da luz, seguindo todo o seu percurso até à morte, aos 37 anos de idade.

Que faz um homem com a sua consciência?

Nem toda a gente gosta deste filme. Muitos críticos não viram nele mais do que uma obra demasiado longa, demasiado maçadora, redundante e cabotina. Como o realizador é Terrence Malick não se atreveram a excomungá-lo. Mas cortaram nas estrelas. E no entanto… é um filme de uma força absolutamente extraordinária. Absolutamente raro. Como o melhor de Mallick [A Árvore da Vida].

Sete Partidas

Guiné-Bissau: das “cicatrizes do tempo” ao renascer do povo

Este mês fui de visita à Guiné. Uma viagem de memória para quem, como eu, não tinha memórias da Guiné. Estive em Luanda ainda em criança, mas as memórias são as próprias da idade. Excepção à única em que o meu pai me bateu. Às cinco da tarde saí de casa e às dez da noite descobriram-me a assistir, divertida, ao baile no clube. Uma criança de cinco anos, branca e loura, desaparecida na Luanda dos anos 1960 não augurava coisa boa, o que gerou o pânico dos meus pais. Daí a tareia…

Visto e Ouvido

Aquele que habita os céus sorri

Agenda

Jan
23
Qui
Encontros de Santa Isabel – “Jesus, as periferias e nós” @ Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa
Jan 23@21:30_23:00

Conferência sobre “Periferias”, com Isabel Mota, presidente da Fundação Calouste Gulbenkian

Jan
30
Qui
Encontros de Santa Isabel – “Jesus, as periferias e nós” @ Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa
Jan 30@21:30_23:00

Debate sobre “Aqui e agora”, com Luís Macieira Fragoso e Maria Cortez de Lobão, presidente e vice-presidente da Cáritas Diocesana de Lisboa

Jan
31
Sex
III Congresso Lusófono de Ciência das Religiões – Religião, Ecologia e Natureza (até 5 de Fevº) @ Universidade Lusófona, Templo Hindu, Mesquita Central e Centro Ismaili
Jan 31@09:30_14:00

Ver todas as datas

Parceiros

Fale connosco