China reconhece terceiro bispo católico em pouco mais de um mês, mas perseguições continuam

| 25 Jul 20

Na cerimónia de tomada de posse, o bispo Paulo Ma Cunguo prometeu respeitar a constituição, salvaguardar a unidade do país e a harmonia social. Foto: Direitos Reservados.

 

Paulo Ma Cunguo, da diocese de Shouzhou (no norte da província de Shanxi), é o terceiro bispo clandestino a ser reconhecido pelas autoridades chinesas no espaço de pouco mais de um mês e o sexto a integrar a Associação Patriótica Católica chinesa desde o acordo assinado em 2018 entre a China e o Vaticano. Ainda este mês, deverá ter lugar em Roma uma nova ronda de conversações entre as autoridades de ambos os estados, com o objetivo de atualizar o acordo. Mas de diversas regiões da China continuam a chegar relatos de perseguições contra os cristãos.

Na cerimónia de tomada de posse, segundo noticiou esta semana a Asia News, o bispo Ma Cunguo prometeu aderir à “Santa, Única Igreja transmitida pelos Apóstolos”, ao mesmo tempo que prometia também respeitar a constituição, “salvaguardar a unidade do país e a harmonia social”. Ficam ainda por reconhecer 21 bispos clandestinos, que continuam assim particularmente vulneráveis à política de repressão do regime comunista chinês.

O South China Morning Post divulgou na segunda-feira, 20 de julho, uma análise sobre a situação atual dos católicos no país, referindo diversos exemplos de limitação da liberdade religiosa, como o facto de, nos últimos três meses, mais de 500 cruzes das igrejas e locais públicos na província de Anhui terem sido eliminadas pelo regime comunista. Outra das medidas estabelecidas pelas autoridades consistiu na proibição de assistir a eventos religiosos por menores de 18 anos.

Segundo noticiou também esta semana a agência Angelus News, as autoridades de Shanxi estão a ordenar a todos aqueles que recebem apoios do Governo que substituam os símbolos religiosos nas suas casas, incluindo imagens de Jesus, por fotos do presidente Mao e do presidente Xi Jinping. Caso não o façam, serão punidos com a retirada de todos os apoios sociais e económicos.

A análise publicada pelo South China Morning Post recorda que continua a desconhecer-se o paradeiro do bispo de Baoding (na província de Hebei), Su Zhimin, desaparecido há 17 anos, e que deveria cumprir este mês 88 anos. O artigo sublinha que, com o acordo provisório de 2018, que expira em setembro deste ano, esperava-se que o Governo partilhasse mais informação sobre este e outros casos e que houvesse mais liberdade religiosa para os católicos, o que não se verificou.

O jornal refere que “uma fonte católica, que conhece as negociações para o acordo de 2018”, afirmou que “no Vaticano sabem que o acordo não resolverá tudo” mas que “proporciona uma base para resolver um conflito religioso chave”. A mesma fonte indicou que os casos de Su Zhimin, Thaddeus Ma Daqin (bispo de Xangai em prisão domiciliária) e Augustine Cui Tai (bispo de Xuanhua, na província de Hebei, preso em junho), têm sido abordados nas conversações entre os dois estados, mas o governo chinês apresenta sempre “desculpas, como o facto de as autoridades locais não colaborarem”.

De acordo com a UCA News, as conversações deverão ser retomadas ainda este mês, em Roma, para uma renovação do acordo assinado a 22 de setembro de 2018.

 

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