Chuva em Timor ainda dificulta ajuda aos deslocados por causa das inundações, mas religiosos mobilizam-se

| 12 Abr 21

Congregações religiosas em Dili estão a unir esforços para prestar apoio às populações afetadas pelas cheias. Foto © Salesianos de Díli, via Ecclesia

 

A chuva intensa continuou a perturbar, nestes sábado e domingo, 10 e 11 de Abril, o trabalho de apoio às vítimas das inundações do fim-de-semana de Páscoa, que fez pelo menos 42 mortos, vários desaparecidos e mais de 14 mil pessoas sem abrigo. As chuvas deixaram também um rasto de destruição em casas, escolas, estradas, pontes e edifícios públicos em largas zonas de Timor-Leste, incluindo a capital.

Logo nos primeiros momentos, a Escola Técnica dos Salesianos em Díli, a capital de Timor-Leste, está a acolher e apoiar 586 famílias, num total de 3356 pessoas, que saíram das suas casas por causa das cheias de Domingo de Páscoa. Aqui, as pessoas estão a dormir no chão e a comida tem sido doada por antigos alunos salesianos, famílias e empresas. Também os professores portugueses, supermercados, Governo e ONG internacionais têm feito chegar apoio, de acordo com a mesma fonte.

As maiores necessidades são alimentos e equipamentos para as casas, referia Adriano de Jesus, coordenador do Centro Dom Bosco, citado pela Ecclesia. Depois de quase uma semana, também a irmã Fátima Campos, religiosa portuguesa a trabalhar no território, dizia que os últimos dias no país têm sido “tristes e de muito medo”, acrescentando que várias congregações católicas uniram esforços para uma resposta solidária.

A nossa casa está a cerca de 15 minutos de carro da cidade de Díli e também aqui temos vizinhos que sofreram com as inundações”, contou à Ecclesia. “São cerca de 100 famílias, muitas delas com as crianças a frequentar o nosso pré-escolar, onde encontram a única refeição quente do dia.” “Estou há oito anos a viver em Timor e nunca tinha visto chover tanto”, acrescentava Fátima Campos, citada pela mesma fonte. A casa das irmãs, junto de duas ribeiras, não sofreu danos, mas ficou sem luz durante alguns dias, acrescentava a religiosa das Escravas da Santíssima Eucaristia.

População de Dili procura fugir às cheias. Foto © Facebook da ir. Fátima Campos

 

Esta congregação, os Franciscanos Capuchinhos e as Irmãs Concepcionistas ao Serviço dos Pobres têm casas próximas umas das outras e por isso lançaram a campanha “Ajude-nos a ajudar Timor” para suprir ou minimizar os danos junto das famílias, como explicava a própria na sua página no Facebook, onde também se indicam as formas de ajudar.

Também as Irmãs Reparadoras de Nossa Senhora de Fátima, em Maliana (a Oeste de Díli, na fronteira com Timor Ocidental), estão a usar o Facebook para mobilizar ajuda através da campanha “Por Timor um Gesto uma Dádiva”. Prometem, ao mesmo tempo, a prestação de contas da ajuda na mesma página.

Díli, a capital de Timor-Leste, já estava em cerco sanitário há mais de um mês, por causa da covid-19, o que tem provocado maior dificuldade em adquirir bens de primeira necessidade.

O Governo timorense declarou na quinta-feira, 8, a situação de calamidade.

 

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Inicio o meu quarto ano de uma escrita a que não estava habituada, a crónica jornalística. Nos primeiros três anos escrevi sobre a interculturalidade. Falei sobre o modo como podemos, por hipótese, colocar as culturas moçambicanas e portuguesa a dialogarem. Noutras vezes, inclui a cultura judaica, no diálogo com essas culturas. De um modo geral, tenho-me questionado sobre a cultura, nas suas diferentes manifestações: literatura, costumes, comportamentos sociais, práticas culturais, modos de ser, de estar e de fazer.

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