“Hoje vamos fazer cidadania”. É esta expressão, comum no quotidiano escolar, que serve de gatilho para a reflexão de Luís Francisco Marques em mais um episódio do podcast Entre o Quadro e o Mundo.
Ao transformar a cidadania num conjunto de tarefas — como fazer uma reciclagem ou um cartaz — as instituições esvaziam-na de densidade, defende o autor. Porque “se pode ser feita, pode também ser desfeita”, assinala Luís Francisco Marques, lembrando que comportamentos sem interioridade duram apenas enquanto existe vigilância.
A cidadania corre, assim, o risco de se tornar uma “unidade curricular de intervalo”, focada em comportamentos regulados e campanhas fotografáveis, em vez de se focar na verdadeira formação do sujeito, alerta o também professor.
Invocando Hannah Arendt, o autor recorda que educar é assumir a responsabilidade pelo mundo, algo que é impossível sem “pessoas formadas”. Na opinião de Luís Francisco Marques, que publicou já vários textos no 7MARGENS, a escola atual “tropeça” ao ensinar regras e promover atitudes sem trabalhar a identidade que lhes dá sentido.
Este programa está a ser transmitido às sextas-feiras na Rádio Regional do Centro, e é cedido pelo autor e pela RRC ao 7MARGENS.
A reflexão completa pode ser escutada a seguir.













