AGENDA

SOBRE NÓS

ASSINAR

APOIAR

Em protesto contra Bolsonaro

Cientistas e académicos recusam altas condecorações no Brasil

| 30/11/2021

Em 2019, Jair Bolsonaro entregou a Ordem do Rio Branco ao ministro da Ciência, Marcos Pontes. Foto © Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações from Brasília – DF, Brasil, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons.

 

O reitor da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, conhecida pela Unisinos, no Brasil, é o mais recente académico a recusar honrarias e condecorações que o Governo de Jair Bolsonaro tem vindo, nos últimos tempos, a tentar atribuir.

O professor e padre jesuíta Marcelo Fernandes de Aquino tomou a posição nesta segunda-feira, dia 29, agradecendo a condecoração com a insígnia do grau de cavaleiro da Ordem de Rio Branco, mas assumindo que, face à “incapacidade do governo atual de dar rumo correto às políticas públicas para as áreas da saúde, educação, meio ambiente, ciência e tecnologia”, se via constrangido a recusar a distinção.

Marcelo Fernandes de Aquino, formado em Teologia (licenciatura e mestrado) pela Universidade Gregoriana, em Roma, e em Filosofia (mestrado e doutoramento) pela mesma instituição, dirige há vários anos uma das instituições mais prestigiadas dos jesuítas no Brasil.

Esta recusa segue-se a atitude semelhante de 21 cientistas que rejeitaram, no início de novembro, uma das maiores distinções do Brasil, a Ordem Nacional do Mérito Científico, que visa reconhecer as mais relevantes contribuições para o avanço da ciência e da tecnologia. 

A lista governamental incluía inicialmente 25 nomes, mas dois dias depois de divulgada, e perante críticas da base eleitoral do Presidente, dois nomes foram retirados da lista oficial, ambos ligados à Amazónia – o de Marcus Lacerda, que demonstrou a ineficácia do medicamento que Bolsonaro arvorava como panaceia para o vírus da covid-19, e o de Adele Benzaken, diretora da Fundação Oswaldo Cruz – Amazónia.

A reação da esmagadora maioria dos condecorados não se fez esperar. Além de se solidarizarem com os dois colegas ‘saneados’, escreveram uma carta aberta em que denunciavam o comportamento do Presidente como “mais uma clara demonstração da perseguição a cientistas, configurando um novo passo do sistemático ataque à Ciência e Tecnologia por parte do governo vigente”.

Antes da posição coletiva, dois dos 21 tinham já anunciado a sua recusa em receber a condecoração. Um deles é o antropólogo Alfredo Almeida, que tem projeção nacional e internacional na pesquisa sobre populações tradicionais, especialmente grupos quilombolas. 

Disse recusar a condecoração por não poder recebê-la “das māos deste governo, que tantos danos tem causado ao campo científico” e aos impactos sociais de vários dos seus projetos. O outro, Cesar Victora, é tido como referência mundial em epidemiologia. Justificou deste modo a sua recusa: “não compactuo com perseguições a colegas e cortes no orçamento para a ciência. Nem com a forma de combate à pandemia deste governo”.

“A homenagem [é] oferecida por um governo federal que não apenas ignora, mas ativamente boicota as recomendações da epidemiologia e da saúde coletiva”, acrescentou.

 

Últimas Notícias

Últimas Notícias

Último desejo de Francisco: os bolinhos da amiga Jacoba

Ano jubilar-800 anos da morte (8)

Último desejo de Francisco: os bolinhos da amiga Jacoba novidade

O Papa Leão XIV proclamou, desde 10 de janeiro e até final deste ano, um ano jubilar assinalando os 800 anos da morte de Francisco de Assis, ocorrida em 3 de outubro de 1226 – a festa litúrgica é assinalada dia 4. Com esse pretexto, o 7MARGENS publica, até final do ano, nos dias 3 ou 4 de cada mês, uma série de dez textos da autoria de frei Isidro Lamelas, da Ordem dos Frades Menores, professor de Teologia. Este é o oitavo texto da série.

7MARGENS é um jornal digital
de Religiões, Espiritualidades e Culturas

Propriedade de Associação Porta 18 [ACSFL]
R. da Páscoa, 12 – R/C Dtº – 1250-179 Lisboa | NIPC: 514 876 905
Redação Lisboa: Largo da Luz, 11, 1600-764 LISBOA
IBAN: PT50 0035 0675 0004 6941 7308 1 (CGD)

O 7MARGENS aceita e incentiva a colaboração escrita, em vídeo ou audio dos seus leitores.
Reserva-se o direito de os difundir ou não e aconselha que os textos não excedam os 4.000 caracteres.

Pin It on Pinterest

Share This