Cimeira virtual do clima: Expectativas elevadas sobre compromissos a assumir por Biden

| 21 Abr 21

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A ambição de Biden no que respeita à diminuição de emissões de CO2 duplica o compromisso de Obama de as reduzir em 27% até 2030. Foto: Direitos Reservados.

 

Emitir em 2030 metade do dióxido de carbono que a economia americana enviava para a atmosfera em 2005 e doar dois mil milhões de dólares ao Fundo Verde para o Clima nos próximos dois anos são os compromissos que a maioria dos observadores espera ouvir da boca do Presidente Joe Biden quando esta quinta-feira, 22 de abril, Dia Mundial da Terra, abrir a cimeira sobre o clima por ele convocada. A conferência decorre online até sexta-feira, 23 de abril, e junta, como o 7MARGENS noticiou, líderes dos 40 países mais poluidores, ou mais inventivos no combate às alterações climáticas. Portugal ficou fora da lista de convidados.

Ao convocar esta cimeira, a administração Biden pretende retomar a liderança mundial na defesa do ambiente protagonizada por Barack Obama e posta em causa por Donald Trump que, entre outras decisões, retirou os EUA do Acordo de Paris. A ambição de Biden no que respeita à diminuição de emissões de CO2 duplica o compromisso de Obama de as reduzir em 27% até 2030 e aumenta o compromisso americano com o Fundo Verde para o Clima, criado após a Cimeira de Paris (2015) para apoiar o crescimento económico dos países mais pobres, reduzindo em simultâneo o seu impacte ambiental.

O êxito da iniciativa não está, porém, assegurado. Três grandes poluidores – China, Rússia e Índia – nada revelaram até agora sobre como pensam contribuir para um novo impulso mundial à causa do ambiente e as relações diplomáticas dos EUA com os dois primeiros só têm piorado desde que Biden entrou na Casa Branca. Por outro lado, todas as análises científicas credíveis mostram que o clima terá beneficiado muito pouco com a redução da atividade económica resultante da pandemia, continuando muito longe do objetivo desejável traçado em Paris-2015 de não permitir um aquecimento global superior a 1,5 graus celsius em comparação com a temperatura média do planeta na era pré-industrial.

No mesmo sentido, a Agência Internacional de Energia (AIE) divulgou em abril um relatório em que registava para o ano de 2020 um decréscimo de 5,8% das emissões de CO2 com origem no consumo de fontes energéticas. Mas, apesar de serem em menor quantidade do que no ano anterior, essas emissões fizeram com que a quantidade de CO2 na atmosfera ultrapassasse pela primeira vez a fasquia dos 150% em relação ao que existia no início da revolução industrial.

Estes números recordam a urgência da descarbonização da economia, na medida em que as emissões são um processo cumulativo em que as novas se vêm juntar às preexistentes, aumentado a totalidade de CO2 presente na atmosfera. A agravar o quadro, a AIE estima para 2021 “o maior acréscimo anual” de emissões de dióxido de carbono originadas pelo consumo de fontes de energia desde a crise financeira de 2008.

Perante este panorama, a administração Biden conta, segundo um artigo recente do Washington Post, com a entrada em cena do setor privado interessado em investir grandes quantidades de dinheiro na transformação da economia global e obter a sua total descarbonização (emissões de dióxido de carbono igual a zero) em 2050. A edição digital do jornal revelava que, durante estes dois dias de cimeira, “é provável que dezenas de grandes companhias anunciem aumentos substanciais dos seus investimentos em energias renováveis, automóveis elétricos e na reflorestação” como contributos para minorar as alterações climáticas.

 

UE mais perto de ter uma Lei do Clima
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A partir de 2050, a União Europeia passará a ser responsável por remover da atmosfera maior quantidade de dióxido de carbono (CO2) do que a que emite. Foto: Direitos Reservados.

 

Os líderes europeus convidados por Biden terão resultados para apresentar e assim poderem continuar a defender a imagem da União como o espaço económico líder em matéria de defesa do ambiente e do planeta. Esta quarta-feira, 21 de abril, a presidência portuguesa da União Europeia fechou com o Parlamento Europeu um acordo político de princípio sobre a Lei do Clima, que prevê que a UE atinja a neutralidade carbónica em 2050, ano a partir do qual o continente passará a ser responsável por remover da atmosfera maior quantidade de dióxido de carbono (CO2) do que a que emite.

Nos termos do acordado para dar origem àquilo que será a primeira Lei do Clima europeia, a UE compromete-se a reduzir até ao final desta década as emissões de CO2 em 55%, abaixo dos 60% desejados pelos deputados europeus. Várias organizações não-governamentais ligadas à defesa do ambiente consideraram o resultado das negociações como “desolador”. A World Wide Fund For Nature é ainda mais crítica, considerando que o texto fixa metas para 2030 “muito abaixo do objetivo de [reduzir as emissões em] 65% que o conhecimento científico reclama como necessário” e que, mais uma vez, não inclui “nenhum calendário para o fim dos subsídios aos combustíveis fósseis”.

Em todo o caso, o acordo exclui a possibilidade dos Estados-membros poderem adiar a redução das emissões de CO2, valendo-se do desenvolvimento de “sumidouros de carbono” (expansão da área florestal e de outros meios que captam CO2 da atmosfera) cujo impacte é de difícil medição: os 27 concordaram em considerar um limite máximo de 225 megatoneladas a atribuir a esses sumidouros para os cálculos das reduções até 2030, sendo que atualmente a UE já conta com uma capacidade de captação de carbono superior a 280 megatoneladas.

Para além da disputa de lideranças e de protagonismos em defesa do ambiente, parece claro que de um lado e de outro do Atlântico os compromissos a validar na próxima Cimeira do Clima que se realiza em Glasgow (a COP26) na primeira semana de novembro deste ano estão, de novo, na ordem do dia,

 

 

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Jornada Nacional Memória & Esperança 2021 já tem site

Homenagem às vítimas da pandemia

Jornada Nacional Memória & Esperança 2021 já tem site novidade

O site oficial da Jornada Nacional Memória & Esperança 2021, iniciativa que visa homenagear as vítimas da pandemia com ações em todo o país entre 22 e 24 de outubro, ficou disponível online esta sexta-feira, 17. Nele, é possível subscrever o manifesto redigido pela comissão promotora da iniciativa e será também neste espaço que irão sendo anunciadas as diferentes iniciativas a nível nacional e local para assinalar a jornada.

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