Busca de caminhos para a paz

Cirilo e Francisco: encontro no horizonte, mas visões antagónicas

| 3 Out 2023

Papa Francisco em videoconferência com patriarca cirilo a 16 março 2022 foto facebook de antonio spadaro sj

Papa Francisco em videoconferência com o patriarca Cirilo, a 16 de março de 2022. Um encontro presencial poderá vir a acontecer em breve. Foto reproduzida a partir da página de Facebook de Antonio Spadaro, sj.

 

Desde a visita à China do cardeal enviado do Papa, Matteo Zuppi, no âmbito da exploração de caminhos para que termine a guerra na Ucrânia desencadeada pela Rússia, que as posições de Moscovo deram sinais de maior flexibilidade, quer no plano político quer na esfera religiosa. Mas o caminho a desbravar é ainda significativo.

Apesar de um regresso de Zuppi à Russia não estar marcado, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Serghei Lavrov, afirmou que a deslocação vai acontecer e que Moscovo está pronta a recebê-lo. Essa possibilidade poderá ter sido objeto de desenvolvimentos, aquando da entrega de cartas credenciais da parte do novo embaixador russo junto da Santa Sé.

Já relativamente ao patriarca Cirilo, que tem sido um esteio na política bélica do Presidente Putin, as informações existentes indicam que há abertura do lado russo para um encontro entre ele e o Papa Francisco, mas os passos teriam, agora, de partir do lado do Vaticano.

A agência RIA Novosti cita o arcipreste Nikolai Balashov, conselheiro do Patriarca, como tendo afirmado: “A Igreja Ortodoxa Russa permanece fundamentalmente aberta à possibilidade de um novo encontro entre o Patriarca Cirilo de Moscovo e de Toda a Rússia e o Papa Francisco. Naturalmente, esse encontro deve ser devidamente preparado para ser eficaz. Estabelecemos canais para essa interação e eles estão em funcionamento, levados a cabo pela Igreja Ortodoxa Russa através do Departamento para as Relações Eclesiásticas Externas. Tanto quanto sei, devem esperar-se atualmente passos pró-ativos por parte do Vaticano”.

Em todo o caso, um eventual encontro entre o patriarca e o Papa está longe de significar uma aproximação de posições, no que se refere à busca da paz.

Em recente deslocação à base militar de Vilychinsk, no extremo leste do país, onde estão sediadas as forças marítimas da frota do Pacífico da Federação Russa, que inclui submarinos equipados com ogivas nucleares, Cirilo foi com a missão de consagrar uma nova igreja que se destina a prestar serviço religioso aos civis e militares.

Segundo relato do Settimana News, o chefe da Igreja Ortodoxa Russa invocou, nessa ocasião, a “bênção de Deus, para que, com a ajuda divina”, os soldados “não tenham medo de qualquer força inimiga”.

Defendendo que “a formidável arma” que está nas mãos dos soldados “nunca deve ser usada”, o patriarca  afirmou:

“Tive a oportunidade de ver a formidável arma para a defesa da nossa pátria”. “Que o Senhor proteja a terra russa, o nosso povo, as forças armadas e a nossa Igreja. Que todos juntos sejamos um só exército espiritual e temporal, capaz de defender as fronteiras sagradas com a nossa força militar, a nossa competência profissional e a nossa lealdade à pátria”.

Mostrando o grau de articulação que existe entre ele e Putin, Cirilo rezou  pelo Presidente, “um verdadeiro ortodoxo, o comandante supremo Vladimir Vladimirovich Putin”, que pediu a Cirilo para ser portador das saudações presidenciais para todos os militares e seus familiares.

Em contraste, o Papa Francisco escreveu numa publicação divulgada na sua conta da rede social X (ex-Twitter): “A posse de armas atómicas é imoral, porque – como observava João XXIII na encíclica Pacem in Terris – ‘não é impossível que um facto imprevisível coloque em movimento a máquina da guerra’. Sob a ameaça de armas nucleares, todos somos sempre perdedores!”

A distância entre as duas posições é evidente: “Cirilo recorre à fé para confirmar a necessidade das armas, incluindo as nucleares, enquanto Francisco denuncia sua imoralidade, não só quanto à utilização, mas também à sua posse”, considera Lorenzo Prezzi, no Settimana News.

Na mesma linha, quer Paul R. Gallagher, secretário da secção para a relação com os Estados da Secretaria de Estado do Vaticano, em discurso na ONU no dia 26 de setembro, quer Daniel Pacho, seu colaborador na Secretaria de Estado, num discurso à Agência Internacional de Energia Atômica, feito no mesmo dia, em Viena, reiteraram o pedido do Papa por um desarmamento atómico.

 

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