Nicarágua

Clero acusa regime sandinista de causar “agitação e desordem”

| 24 Ago 2022

A atual situação na Nicarágua vista pelo cartoonista PxMolina. Imagem retirada do Twitter do autor. https://twitter.com/pxmolina

A atual situação na Nicarágua vista pelo cartoonista Pedro X. Molina. Imagem retirada do Twitter do autor. A referência bíblica remete para o texto das Bem-Aventuranças: “Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós.”

 

A “dor e preocupação” expressa pelo Papa neste domingo, 21, sobre a situação da Igreja Católica na Nicarágua, e o apelo que fez ao diálogo entre o Governo e os responsáveis eclesiásticos, não teve, para já, efeitos visíveis, que não seja a polémica que as declarações desencadearam nas redes sociais. 

O clima parece pouco propício ao diálogo, haja em vista a posição coletiva que acaba de ser assumida pelos padres da diocese de Estelí, da qual o bispo Ronaldo Alvarez é administrador apostólico (além de ser também prelado titular de Matagalpa). 

Num comunicado citado pelo site da revista espanhola Vida Nueva, o clero daquela diocese nicaraguense além de exigir do  Governo a libertação do bispo, acusa o poder político de ser o verdadeiro causador da “agitação e desordem”, invertendo, deste modo, os argumentos invocados para o cerco e a detenção de Ronaldo Alvarez e dos padres e seminaristas que com ele se encontravam na Cúria.

“A incitação ao ódio e à violência” foi iniciada pelo próprio Governo quando o Presidente Daniel Ortega, no ato oficial da celebração de 19 de julho de 2018, acusou publicamente alguns bispos de serem “golpistas e terroristas”. Desde então – dizem os padres de Estelí, dirigindo-se diretamente a Daniel Ortega – “há inúmeras vezes em que você, que deveria dar o exemplo de civilidade e respeito, lança todo tipo de insultos, ofensas e difamações, não só aos bispos, mas também a nós sacerdotes”.

Defendem-se ainda da acusação governamental de que os responsáveis das igrejas locais participaram ativamente nas manifestações contra as políticas sociais de Manágua, “quando sabem bem que o que fizemos foi uma tarefa de mediação, evitando mortes desnecessárias, ajudando os feridos e protegendo a vida de nossos irmãos nicaraguenses”, nota a posição do clero. 

“Apelamos a que se converta e pare de infernizar as nossas vidas, deixe-nos trabalhar em paz!”, reclamam ainda.

Rolando José Álvarez, numa foto de 2019, da Conferência Episcopal da Nicarágua. Foto © Ramírez 22 nic, CC BY-SA 4.0 , via Wikimedia Commons.

Rolando José Álvarez, numa foto de 2019, da Conferência Episcopal da Nicarágua. Foto © Ramírez 22 nic, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.

Enquanto o cardeal e arcebispo de Manágua, Leopoldo Brenes, manifestava a disposição de encetar o diálogo pedido pelo Papa, o Governo não reagiu e outros setores da sociedade nicaraguense exprimiam desconforto ou mesmo deceção com as palavras de Francisco. Segundo o diário La Prensa, os responsáveis da organização política Unidade Nacional Azul e Branca (UNAB) agradeceram a atenção do Papa, mas consideraram que não existem “nem condições nem vontade do regime” para qualquer diálogo, exemplificando com grande parte daqueles que participaram nos diálogos nacionais de 2018 e 2019, os quais se encontram no exílio, na prisão ou com residência vigiada. E acrescentaram que são precisamente muitos dos líderes católicos que foram mediadores nesses encontros que estão a ser agora perseguidos, assediados e, em vários casos, detidos.

Também o jornalista independente Carlos F. Chamorro, filho da antiga presidente do país, Violeta Chamorro, considera que o diálogo que o Papa defende só faz sentido com um roteiro ou caderno de condições: libertação dos presos políticos, fim do estado policial e nomeação de uma equipa de mediadores internacionais para acompanhar esse diálogo.

Papa acusado de “silenciar a situação”

Políticos e outros cidadãos foram mais contundentes nas redes sociais, acusando o Papa de silenciar a situação, nem sequer nomear o bispo preso e não denunciar as causas dos problemas que afetam a Igreja e o povo nicaraguense.

Estas posições situam-se, como é visível, no plano da luta política, que pode não coincidir com as condições que a Igreja poderá (ou não) querer colocar e que, na linha de Francisco, visaria criar “uma convivência respeitosa e pacífica”.

Foram estas posições que o cardeal hondurenho Óscar Maradiaga criticou, numa homilia, no último domingo, citada pelo jornal La Prensa, ao dizer que o equívoco de muitas críticas decorre de tomar-se o Papa por um líder político.

“Certamente que estamos preocupados com o sofrimento dos nossos irmãos na Nicaragua, certamente que o poder intoxica e o poder absoluto corrompe absolutamente” afirmou Maradiaga, lembrando que a Igreja não se substitui a outras forças, que tem a sua missão e que, nos passos a dar, tem de ter em conta que há muita gente que corre perigo.

Aludindo à carta que 26 ex-chefes de Estado escreveram ao Papa pedindo-lhe que intervenha sobre a situação naquele país, o cardeal hondurenho pergunta: “Porque não escrevem eles aos líderes políticos do país onde as perseguições estão a acontecer?”

“É fácil uma rutura… com quem, de facto, gostaria de ter uma confrontação e por isso atacam e insultam”, apontou Óscar Maradiaga.

 

Fernando Giesteira, o transmontano vítima da PIDE/DGS no dia 25 de Abril de 74

“Para que a memória não se apague”

Fernando Giesteira, o transmontano vítima da PIDE/DGS no dia 25 de Abril de 74 novidade

A “Revolução dos Cravos”, apesar de pacífica, ceifou a vida a quatro jovens que, no dia 25 de abril de 1974, foram mortos pela PIDE/DGS, à porta da sede da polícia política do Estado Novo, em Lisboa, depois de cercada pela multidão. 50 anos passados, recordamos a mais jovem vítima da “revolução sem sangue”, de apenas 18 anos, que era natural de Trás-os-Montes.

Uma exposição que é “um grito de alerta e de revolta” contra a perseguição religiosa

No Museu Diocesano de Santarém

Uma exposição que é “um grito de alerta e de revolta” contra a perseguição religiosa novidade

Poderá haver quem fique chocado com algumas das peças e instalações que integram a exposição “LIBERDADE GARANTIDA” (escrito assim mesmo, em letras garrafais), que é inaugurada este sábado, 20 de abril, no Museu Diocesano de Santarém. Mas talvez isso até seja positivo, diz o autor, Miguel Cardoso. Porque esta exposição “é uma chamada de atenção, um grito de alerta e de revolta que gostaria que se tornasse num agitar de consciências para a duríssima realidade da perseguição religiosa”, explica. Aqueles que se sentirem preparados, ou simplesmente curiosos, podem visitá-la até ao final do ano.

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

“Tenho envelhecido de acordo com aquilo que sempre gostaria de ter feito”

“Tenho envelhecido de acordo com aquilo que sempre gostaria de ter feito” novidade

O 7MARGENS irá publicar durante as próximas semanas os depoimentos de idosos recolhidos por José Pires, psicólogo e sócio fundador da Cooperativa de Solidariedade Social “Os Amigos de Sempre”. Este primeiro texto inclui uma pequena introdução de contextualização do autor aos textos que se seguirão, bem como o primeiro de 25 depoimentos. De notar que tanto o nome das pessoas como as fotografias que os ilustram são da inteira responsabilidade do 7MARGENS.

Dois meses e meio depois, está na hora de reconstruir

Mosteiro Trapista de Palaçoulo

Dois meses e meio depois, está na hora de reconstruir novidade

As obras de requalificação do Mosteiro Trapista de Palaçoulo já se iniciaram. Numa primeira fase, procedeu-se à retirada de escombros, pela mesma empresa que realizou a construção do mosteiro. Desde o fim do período pascal estão em andamento os processos de reconstrução, tendo estes começado por “destelhar a casa”. Em breve, esperam as irmãs, será possível “voltar a oferecer a hospedaria aos hóspedes”. 

A família nos dias de hoje e não no passado

A família nos dias de hoje e não no passado novidade

Quando dúvidas e confusões surgem no horizonte, importa deixar claro que a Constituição Pastoral Gaudium et Spes, aprovada pelo Concílio Vaticano II nos apresenta uma noção de família, que recusa uma ideia passadista e fechada, rígida e uniforme. Eis por que razão devemos reler os ensinamentos conciliares, de acordo com a atual perspetiva sinodal proposta pelo Papa Francisco, baseada na liberdade e na responsabilidade.

Convento das Capuchas: “Cem anos depois, aqui estamos… a ver as maravilhas multiplicar-se”

Comprado pela Madre Luiza Andaluz, em 1924

Convento das Capuchas: “Cem anos depois, aqui estamos… a ver as maravilhas multiplicar-se”

Um século volvido sobre a compra do edifício do Convento das Capuchas, em Santarém, por Luiza Andaluz (fundadora da congregação das Servas de Nossa Senhora de Fátima) para ali acolher cerca de cem raparigas que haviam sofrido a pneumónica de 1918 ou que por causa dela tinham ficado órfãs… o que mudou? O 7MARGENS foi descobrir.

Agenda

Fale connosco

Autores

 

Pin It on Pinterest

Share This