CNJP critica Justiça e silêncio mediático a propósito do assassinato da irmã Maria Antónia Pinho

| 23 Set 19

Irmã Maria Antónia Pinho, assassinada no passado dia 8 de Setembro. Foto: Direitos reservados/Ecclesia

 

Críticas à lentidão da justiça, ao pouco destaque dado à notícia do crime se comparado com outros casos semelhantes e às poucas reacções de organizações de mulheres. A Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP), da Igreja Católica, divulgou neste fim-de-semana um comunicado em que aborda o “cruel feminicídio” que vitimou a irmã Maria Antónia Pinho, da congregação das Servas de Maria Ministras dos Enfermos que, “numa missão evangélica, [estava] implicada nas questões da Justiça e da Paz no seu contexto de acção” e ao serviço “da sociedade civil e dos mais marginalizados”.

A CNJP, organismo com mandato do episcopado para se pronunciar acerca de questões sociais em nome da Igreja, verifica o “silêncio penoso sobre este crime – salvo raras excepções” e pergunta quais serão “as razões” de um tal silêncio.

O caso e as reacções que ele suscitou tem motivado uma polémica, sobretudo protagonizada pelo bispo do Porto, Manuel Linda, que acusou as autoridades de não terem agido como deviam e várias organizações da sociedade civil de não terem reagido senão ao fim de vários dias. Estas, por sua vez, acusam o bispo de não falar de todos os outros casos de violência sobre as mulheres que se sucedem em Portugal.

A CNJP (Comissão Nacional Justiça e Paz) recorda, no comunicado, que “a função de qualquer governo e das instituições da sociedade civil é estarem ao serviço dos cidadãos mais vulneráveis, ao serviço dos que não têm voz” e dos “descartados da sociedade”, como afirma o Papa Francisco. Mas também “devem estar ao serviço daqueles e daquelas que lutam pela justiça e fazem trabalho de promoção humana na solidariedade e na paz – como foi o caso do crime mencionado acima e que podia bem ter sido evitado”. E devem fazê-lo, acrescenta o texto, “sem qualquer discriminação por causa de opções religiosas, origem social, sexo ou orientação sexual, idade, raça ou cultura, e outras”.

O bispo do Algarve, por seu turno, afirmou no final da semana que há intenção de introduzir o processo de canonização da irmã Maria Antónia Guerra, da Congregação das Servas de Maria Ministras dos Enfermos, assassinada a 8 de setembro, em São João da Madeira.

De acordo com a Ecclesia, que cita o jornal Folha do Domingo, da diocese do Algarve, o bispo Manuel Quintas afirmou que a religiosa pode ser dispensada de milagres “porque foi fiel aos seus votos e ao seu compromisso” e considerada “quase uma mártir”. Numa celebração em Alcantarilha, o bispo acrescentou que a irmã Maria Antónia Guerra “quis fazer bem também a alguém que tinha deixado a prisão há alguns meses, preso por tráfico, sequestro e abuso sexual” e acabou vítima. 

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