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Patriarca Bartolomeu, Leão XIV e outros líderes cristãos em Niceia 28 nov 2025. Foto VM
“Apesar de tudo o que aconteceu ao longo dos séculos — a turbulência, as dificuldades e as divisões — aproximamo-nos desta data sagrada com reverência partilhada", disse Bartolomeu. Foto © Vatican Media

Patriarca Bartolomeu apela

“Com a fé de Niceia a arder nos nossos corações, corramos a corrida da unidade cristã”

| 28/11/2025

Há muito tempo que a cidade turca de Iznik não via tantos líderes cristãos juntos. Talvez mesmo há 1.700 anos, quando na então Niceia se realizou o primeiro concílio ecuménico. Ao início da tarde desta sexta-feira, 28 de novembro, foram mais de 20 aqueles que ali se reuniram para recitar juntos o Credo. Entre eles, o Papa Leão XIV (que se encontra em viagem apostólica pela Turquia e o Líbano) e o Patriarca Bartolomeu I, que deixou um desafio a todos: “Com a fé de Niceia a arder intensamente em nossos corações, ‘corramos a corrida’ da unidade cristã”.

Foi de Bartolomeu que partiu o convite para que todos se reunissem ali, no que resta da Basílica de São Neófito, a celebrar este aniversário. E foi ele que primeiro tomou a palavra para agradecer a todos os que responderam “sim”.

“Estamos profundamente comovidos com a resposta positiva de todos vocês ao nosso humilde convite para honrar, por meio desta peregrinação conjunta, a memória e o legado do primeiro Concílio Ecuménico, que ocorreu aqui em Niceia há mil e setecentos anos”, declarou.

“Apesar de tudo o que aconteceu ao longo dos séculos — a turbulência, as dificuldades e as divisões — aproximamo-nos desta data sagrada com reverência partilhada e um sentido comum de esperança”, continuou, enfatizando que o encontro não se destinava apenas a recordar o passado, mas “a dar testemunho vivo da própria fé expressa pelos Padres de Niceia”.

Para o Patriarca Bartolomeu, líder espiritual do cristianismo ortodoxo oriental,  o Credo Niceno serve como semente para a totalidade da vida cristã: “não um símbolo do mínimo, mas um símbolo do todo”.

Patriarca Bartolomeu, Leão XIV e outros líderes cristãos em Niceia 28 nov 2025. 2 Foto VM

Foram mais de 20 os líderes cristãos que se reuniram para recitar juntos o Credo. Foto © Vatican Media

Seguiu-se a intervenção do Papa Leão XIV, que confirmou esta visão. “A confissão de fé cristológica é de fundamental importância no caminho que os cristãos estão a percorrer rumo à plena comunhão: ela é partilhada, efetivamente, por todas as Igrejas e Comunidades cristãs no mundo, inclusive aquelas que, por várias razões, não utilizam o Credo Niceno-Constantinopolitano nas suas liturgias”, sublinhou.

Com efeito, prosseguiu o Santo Padre, a fé “em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos […] consubstancial ao Pai” (Credo Niceno) é um vínculo profundo que já une todos os cristãos”.

Por isso, desafiou o Papa, “somos todos convidados a superar o escândalo das divisões infelizmente ainda existentes e a alimentar o anseio em busca da unidade, pela qual o Senhor Jesus orou e deu a sua vida”.

“Quanto mais nós cristãos estivermos reconciliados – defendeu o Pontífice -, tanto mais poderemos dar um testemunho crível do Evangelho de Jesus Cristo, que é anúncio de esperança para todos, mensagem de paz e de fraternidade universal que ultrapassa as fronteiras das nossas comunidades e nações.” E esta reconciliação, destacou ainda, “é hoje um apelo que vem da humanidade inteira afligida por conflitos e violência”.

Leão XIV prosseguiu afirmando que existe uma “fraternidade e sororidade universal”, que não depende da etnia, nacionalidade, religião ou opinião. Pela sua natureza, “as religiões são depositárias desta verdade e deveriam encorajar as pessoas, os grupos humanos e os povos a reconhecê-la e a praticá-la”, afirmou, concluindo que “o uso da religião para justificar a guerra e a violência, assim como qualquer forma de fundamentalismo e fanatismo, deve ser rejeitado com veemência, enquanto os caminhos a seguir são os do encontro fraterno, do diálogo e da colaboração.”

Também o Patriarca Bartolomeu pediu no seu discurso: “Ouçamos todas as vozes dos fiéis que clamam pela unidade”. E recordou que o antigo nome do lugar onde se encontravam – Niceia – deriva da palavra grega niké, que significa “vitória”.

Depois deste aniversário celebrado em conjunto (ao qual faltou o líder da Igreja Ortodoxa Russa, Patriarca Cirilo), talvez o final da “corrida da unidade” tenha ficado mais próximo. Resta saber quando conseguirão os cristãos ganhá-la.

 

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