
Ciganos em celebração com Papa, na Igreja de Santa Isabel da Hungria, em Budapeste. Foto © Vatican Media
Numa cerimónia com rosas, tango e música cigana, o Papa Francisco encontrou-se este sábado, em Budapeste, com pessoas pobres e refugiados, na Igreja de Santa Isabel da Hungria, onde ouviu o testemunho de uma família que fugiu da guerra na Ucrânia, e deixando um agradecimento pelo acolhimento de milhares de pessoas no país.
“Obrigado pela forma como acolhestes — não só com generosidade, mas até com entusiasmo — tantos refugiados da Ucrânia”, disse Francisco, falando perante responsáveis, voluntários e utentes de várias instituições de solidariedade da Igreja Católica na Hungria, citado pela agência Ecclesia.
O Papa disse ter ficado “emocionado” com o depoimento de uma família ucraniana, Oleg Yakovlev, Lyudmila e os seus cinco filhos, que fugiram de Dnipropetrovsk (sudeste da Ucrânia) em maio de 2022, após o bombardeamento da sua cidade.
“A vossa viagem rumo ao futuro — um futuro diferente, longe dos horrores da guerra — na verdade começou com uma viagem na memória, porque Oleg recordou o caloroso acolhimento recebido na Hungria há alguns anos, quando veio trabalhar como cozinheiro. A recordação daquela experiência encorajou-o a partir com a sua família, vindo para Budapeste, onde encontrou generosa hospitalidade”, referiu.
Francisco desafiou os católicos a combater “os males da indiferença e do egoísmo” para reacender “a esperança duma humanidade nova, mais justa e fraterna, onde todos possam sentir-se em casa”.
Simbolicamente, a família Yakovlev, que apresentou ao Papa o seu testemunho, encerrou a intervenção com a execução de um tango argentino.
O encontro contou com colaboradores da Cáritas e da Comunidade de Santo Egídio, organizações católicas empenhadas na integração de migrantes e refugiados de vários países, como a Ucrânia e o Paquistão.
Francisco pediu a todos os presentes que a fé “não fique prisioneira dum culto distante da vida, nem se torne presa duma espécie de egoísmo espiritual”, sublinhando a centralidade da “linguagem da caridade”.
A intervenção evocou a figura de Santa Isabel (1207-1231), filha do rei André II da Hungria e tia-avó de Santa Isabel de Portugal, como alguém que “gastou os seus bens, mas também a sua vida a favor dos últimos, dos leprosos, dos doentes até ao ponto de tratar deles pessoalmente e carregá-los às costas”.
O Papa destacou a representação do milagre das rosas — também atribuído à santa portuguesa —, numa estátua colocada diante da Igreja de Santa Isabel da Hungria “Encorajo-vos a falar sempre a linguagem da caridade. A estátua, nesta praça, representa o milagre mais famoso de Santa Isabel: conta-se que o Senhor uma vez transformou em rosas o pão que ela levava aos necessitados”, declarou.
“Precisamos duma Igreja que fale fluentemente a linguagem da caridade, idioma universal que todos escutam e compreendem, mesmo os mais afastados, mesmo aqueles que não acreditam”, sintetizou.
Papa convida jovens para JMJ
Num encontro com milhares de jovens, pela tarde de sábado, deixou um convite à participação na Jornada Mundial da Juventude (JMJ), em Lisboa. “Fazer equipa: nunca sozinhos, mas com os outros; na Igreja, na comunidade, juntos, vivendo experiências comuns. Penso, por exemplo, nas Jornadas Mundiais da Juventude, e aproveito a ocasião para vos convidar para a próxima, que será em Portugal, na cidade de Lisboa, nos primeiros dias de agosto”, disse, também citado pela Ecclesia, no encontro em clima de festa, no pavilhão Papp László, de Budapeste.
Francisco alertou os participantes para a tentação de “contentar-se com um telemóvel e alguns amigos”. “Embora seja isto o que muitos fazem e ainda que seja também o que te apetece fazer, isso não te fará feliz. Não te podes fechar num grupo de amigos”, apontou.
O Papa recomendou aos jovens que encontrem tempo para o silêncio, evitando ficar “presos ao telemóvel e às redes sociais “Isso não, por favor! A vida é real, não virtual; não acontece num ecrã, mas no mundo! Por favor, não virtualizem a vida, que é concreta”, recomendou, num ambiente em que os telemóveis eram uma constante a registar o encontro.
Com o lema ‘Cristo é a nossa esperança’, a visita à Hungria é 41ª viagem internacional do pontificado e representa um regresso a Budapeste, onde Francisco presidiu, em 2021, à Missa de encerramento do 52.º Congresso Eucarístico Internacional.
O Papa percorreu o pavilhão num pequeno carro elétrico, tendo descido para cumprimentar alguns jovens com deficiência, antes de assistir a momentos musicais e de dança, com testemunhos de dois jovens, um membro da comunidade greco-católica e um universitário.
“Não tenhais medo de ir contracorrente, encontrando diariamente um tempo de silêncio a fim de parar e rezar”, pediu.










